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‘Desafio do Google é a voz’, diz primeiro funcionário no Brasil

sexta-feira, 28 de setembro 2018

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Berthier Ribeiro Neto, 58, comanda o Centro de Engenharia do Google na América Latina há 12 anos. Sob sua liderança, trabalham 130 profissionais, que desenvolvem soluções globais para o mecanismo de busca.

Thomas Peter / Reuters

Primeiro funcionário da empresa no país, teve sua startup de busca, a Akwan, adquirida pela gigante em 2005.
Nesta quinta-feira (27), o Google completa 20 anos. Neto diz que grande parte do esforço da engenharia está no serviço de voz. O país é o terceiro país mais ativo no uso do Google Assistente em dispositivos móveis.

Pergunta – O que esperar da busca daqui para frente?
Ribeiro Neto – Vivemos ondas tecnológicas. O laptop foi uma inovação porque mudou um comportamento. Depois a telefonia móvel alterou esse comportamento de novo, levando o espaço computacional do usuário com ele para onde fosse, dentro do ônibus, até para a bicicleta. Agora, temos pequenas unidades de processamento em TVs, refrigeradores, cadeados, que são ligadas à rede. Isso levará a outra transformação no comportamento, que é o resultado da inovação. A forma de interação com a web deve mudar. A pergunta que fazemos é: como será a interação com a máquina por meio da voz? Focamos esforços para entender isso.

O que já descobriram?
Ribeiro Neto – Há um foco enorme da empresa no Google Assistente. Ele funciona bem em alguns casos, em outros não. Por exemplo, quando um usuário está falando com o Google e interrompe a pergunta para pedir um café no restaurante: “moço, me dá um café, por favor?”, o Google entende que o usuário quer saber sobre café. Nós sabemos a diferença, a máquina, não. Para aperfeiçoar nosso sistema, usamos aprendizado de máquina em todos os produtos. Viramos uma “AI first company” (empresa em que a inteligência artificial vem em primeiro lugar).

Para melhorar isso, o Google nos ouve o tempo todo?
Ribeiro Neto – Não. O Google ouve depois da marcação de voz “ok, Google”. Nossa preocupação com a privacidade está diretamente ligada à nossa reputação. Não utilizamos informações pessoais porque temos entendimento muito claro de que isso pode prejudicar nossa reputação. Outras empresas talvez não tenham sido tão cuidadosas e hoje sofrem esse impacto.

O caso do Facebook e da Cambridge Analytica acendeu um alerta?
Ribeiro Neto – O Google sempre foi preocupado com essa questão. Costumamos atualizar nosso controle de privacidade para que o usuário entenda o que acontece quando ele faz uma busca. Temos que ter espaço para a privacidade, e os engenheiros do Google não têm acesso a coisas feitas por indivíduos, não têm. Estou no Google há mais de uma década, sou especialista, e posso te garantir que não podemos acessar informações pessoais.

É tecnicamente impossível?
Ribeiro Neto – É preciso de uma permissão especial e jurídica, é algo seríssimo. Não disponibilizamos dados dos usuários. Posso olhar para uma população de 100 mil pessoas de maneira agregada, nunca indivíduo por indivíduo.

O senhor acredita que a preocupação com a privacidade aumentou?
Ribeiro Neto – Existe uma conscientização maior da sociedade. O mundo mudou. A tecnologia traz benefícios e efeitos colaterais, pois reduz os espaços privativos drasticamente. Gravar as coisas é muito simples e as pessoas têm que ter consciência disso.

Atualizado por Ismael Azevedo
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Fonte: Folhapress

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