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Dor no rosto sem motivo? Distúrbio do sono causa até quebra de dentes

quarta-feira, 17 de maio 2017

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Acordou com uma dor estranha no rosto? Um distúrbio do sono pode ser a fonte de suas dores. O movimento involuntário de ranger ou apertar os dentes, que acontece com a pessoa acordada ou dormindo, é chamado de bruxismo, e pode resultar até em dentes quebrados pela pressão feita na mandíbula.

Apesar de se manifestar nos dentes, o problema não está ligado à anatomia da boca ou da arcada dentária, e sim ao cérebro e a fatores emocionais. E atinge cerca de 8% da população sofre com a doença.

O distúrbio não tem cura, mas tratamentos paliativos, que incluem até a aplicação de botox, podem reduzir seus sintomas.

Há dois tipos de bruxismo: o do sono e o da vigília. Quem range ou aperta os dentes pode ter um desgaste anormal deles e ficar com a língua e as bochechas marcadas.

Reprodução

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José Ricardo de Albergaria-Barbosa, pesquisador de odontologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), explica que o fator principal para o bruxismo noturno é “a excitação do sono por vários neurotransmissores no sistema nervoso central”.

Dores na face e no pescoço, travamento da mandíbula, dores de cabeça provocadas por tensão, são outros sintomas. José Ricardo cita ainda dores e zumbido no ouvido, dificuldade, cansaço ou estalos ao mastigar alimentos mais duros.

Apertar os dentes de nervoso

Os sintomas do bruxismo do sono e da vigília são semelhantes, apesar de a pressão da mordida tender a ser menor intensa quando a pessoa está acordada. No entanto, apertar os dentes enquanto está acordado está mais associado a um hábito que a problemas neurológicos.

“É como o hábito de roer as unhas”, diz Daniela Aparecida Godoi Gonçalves, professora da Faculdade de Odontologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Araraquara.

Ela explica que também pode estar ligado a fatores emocionais e provocam tensão, como ansiedade e estresse.

No bruxismo da vigília é mais comum que a pessoa aperte os dentes. Já com a pessoa dormindo, tanto o apertar quanto o ranger dos dentes são frequentes para que tem o problema. Segundo a especialista, “durante o bruxismo do sono, a pessoa tende a apertar com mais força” –chegando a quebrar os dentes.

“Às vezes, o relato de alguém que dorme junto com a pessoa, que observa que ela range os dentes, é que permite realizar o diagnóstico”, completa Daniela.

Para quem tem o distúrbio, cafeína, álcool, chocolate, e drogas que deixam a pessoa mais agitada podem intensificar os sintomas do problema.

E como evitar o desgaste dos dentes

Não há medicamento que possibilite interromper os sintomas do bruxismo e não há “cura” para o problema. Assim, as atenções do dentista são para atenuar as consequências nos dentes e evitar lesões.

Quando o bruxismo ocorre com a pessoa acordada, o foco principal é o aconselhamento. A ideia é que a pessoa possa identificar os momentos em que aperta ou range os dentes e consiga evitar.

“Ela pode fazer isso quando está mexendo no computador, no celular, dirigindo. Nesses momentos, deve ter atenção e procurar manter postura relaxada na mandíbula”, diz Daniela. A especialista explica que nossos dentes não devem ficar encostados o tempo todo.Quando o bruxismo ocorre durante o sono, é indicado o uso de uma placa de resina acrílica na boca, encaixada entre os dentes, para evitar desgaste e fraturas. O objetivo principal da placa é proteger os dentes. “Ela não vai curar o bruxismo, mas reduz a frequência”, diz Daniela.

O tratamento com a placa de acrílico, que é paliativo, pode ser complementado com outros que busquem atuar nas causas do bruxismo. José Ricardo lembra a importância de se realizar orientações ao paciente com relação à “higiene do sono”. Para ele, podem ser benéficas “técnicas de meditação e relaxamento, hipnoterapia, controle do estresse, atendimento psicológico e fonoaudiológico”.

É importante comunicar os resultados dos tratamentos adicionais ao dentista.

Botox reduz bruxismo, mas pesquisas indicam efeitos colaterais

Um outro tipo de tratamento coadjuvante do bruxismo é o uso da toxina botulínica, o botox.  “Ele minimiza os sintomas, reduz a intensidade das contrações musculares. Com isso temos diminuição ou ausência do ranger dentário, dores musculares, dores de cabeça, dores ou zumbido no ouvido, melhora na qualidade do sono”, diz José Ricardo.

Contudo, os especialistas dizem que há ainda poucos estudos sobre essa técnica. Segundo Daniela, algumas pesquisas indicam que o tratamento com botox pode causar efeitos adversos, como deixar marcas na face ou afetar a estrutura dos ossos. ”

Há estudos que mostram que a parte interna da mandíbula fica mais porosa, perde qualidade, predispondo a fraturas”, argumenta Daniela.

Fonte: UOL

 

 

 

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