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Existe oxigênio em outros planetas ou só na Terra?

segunda-feira, 17 de julho 2017

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A Terra é o planeta do Sistema Solar que mais possui oxigênio, um dos quatro elementos químicos principais que garantem a vida como conhecemos por aqui. O gás constitui cerca de 20% de nossa atmosfera. Mas ele existe em outros planetas também?

Na atmosfera terrestre, o oxigênio apareceu há 2,5 bilhões de anos, como resultado do processo de fotossíntese. Foi aí que apareceram os primeiros micro-organismos que respiraram gás carbônico e liberaram oxigênio.

A possibilidade de uma atmosfera semelhante à nossa (com gases) influencia na presença de seres vivos. Se atmosfera de um planeta possui grande quantidade de oxigênio, isso indicaria que existem seres vivos fazendo fotossíntese, como algas e plantas.

Nasa

Agora, se a concentração caísse abaixo de 16%, não haveria oxigênio suficiente para respirar. Além disso, ele também faz parte da água, sendo fundamental para a vida em rios e oceanos. O segundo planeta provavelmente mais habitável é Marte, que possui apenas 0,13% do gás na atmosfera, uma quantidade hostil para a sobrevivência.

“O oxigênio na atmosfera é muito raro. Já descobriram o gás em Marte, em Vênus e numa lua de Saturno. Mas a atmosfera nesses lugares possui tão pouco oxigênio diluído que se torna tóxica para humanos. São apenas pequenos traços. Se fosse uma proporção maior, talvez a gente conseguisse sobreviver nesses ambientes”, explica Paulo Eduardo de Brito, professor de física da UnB (Universidade de Brasília). Nestes casos, seria necessário encontrar uma forma de produzir mais oxigênio.

A Nasa já havia afirmado que Europa, uma das luas de Júpiter, seria o lugar mais provável de abrigar vida fora da Terra.  O satélite possui um enorme oceano líquido sob uma camada de gelo fina. Um estudo comprovou que existe a presença de hidrogênio e oxigênio suficientes para a formação de vida. Em 2020, uma sonda deverá estudar o planeta e suas luas congeladas. A hipótese é de que se as crostas esconderem algum tipo de vida, elas sejam organismos microscópicos.

“Se há oxigênio, há maior probabilidade de vida sim. Mas ainda não existe nenhuma descoberta que comprove vida fora da Terra”, explica Brito. Os primeiros organismos vivos da Terra apresentaram a maioria desses elementos em sua composição.

Mas o oxigênio, sozinho, não conseguiria providenciar a formação de compostos orgânicos e moléculas complexas. Para o professor, há que se considerar também que existem formas de vida que não dependem da molécula. Os primeiros seres vivos do planeta eram semelhantes a bactérias anaeróbicas (que vivem na ausência de oxigênio).

Os cientistas ainda estudam a possibilidade de encontrarem oxigênio em exoplanetas– nome dado a corpos celestes fora do sistema solar. Desde 2009, já foram confirmados mais de três mil deles.  Um dos prováveis candidatos é o GJ 1132b. Embora seja possível encontrar moléculas do gás por lá, a chance de ter vida é praticamente impossível, já que sua temperatura chega a mais de 200 graus Celsius.

A força da água

Mas não basta apenas a presença de indicadores como o oxigênio para considerar um lugar como habitável. É preciso que as condições climáticas na superfície do planeta sejam propícias para otimizar a evolução da vida.

A água e uma fonte de energia são as maiores pistas para estimar o potencial de existência de vida de um planeta. “A água é mais importante do que o oxigênio para detectar a possibilidade de vida”, explica o professor.

A presença do líquido indicaria uma temperatura mais equilibrada. Caso a incidência de radiação seja muito forte, a água ferve e evapora. Já no caso de pouca luz, congela.

A busca por exoplanetas

A Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) busca possibilidades de vida nos exoplanetas. A maioria dos exoplanetas é grande, gasoso ou quente demais para serem habitados. Cerca de 30 são localizados em zonas habitáveis. O que a Nasa procura são planetas que estejam na zona habitável de uma estrela.

Eles são localizados em uma região delimitada pelo brilho de uma estrela (recebem energia) e possuem a distância ideal para que a temperatura possibilite a existência de água líquida em sua superfície, o que os torna candidatos a locais com vida.

Uma das mais recentes descobertas é a Trappist-1, estrela anã divulgada em fevereiro deste ano, que causou grande alvoroço por ter sete planetas que a orbitam e possuem características semelhantes às da Terra.

É provável que eles possam ter água. Para o professor, ainda estamos no início das descobertas sobre planetas habitáveis e prováveis vidas extraterrestres. Mas isso significa que estaríamos perto de ver um planeta ser explorado por humanos?

Por enquanto, a possibilidade de viajar até esses lugares existe apenas na ficção científica. Isso porque a distância até eles é impossível de ser atingida. Seriam necessários milhões de anos para uma nave espacial percorrê-las.

“A busca de vida fora da Terra permite que a gente entenda melhor quem somos nós, para onde vamos, do que somos feitos. Não somos especiais. Somos mais uma parte do Universo”, finaliza o professor.

Fonte: UOL

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