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Luto: a experiência da dor por quem não sabe descrevê-la

quarta-feira, 20 de fevereiro 2019

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‘’Virou uma estrela’’ ou ‘’ foi para o céu’’ são alguns dos argumentos dos adultos quando precisam lidar com uma complexa realidade: o luto na infância. A vivência do luto para 84% dos brasileiros, é a causa de maior sofrimento e dor, é o que aponta pesquisa do Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (SINCEP). Mas, se esse assunto é considerado tabu entre os adultos, o que devem pensar sobre ele as crianças? É possível que, para uma criança, a ausência de um parente próximo possa ser substituída por uma ‘’ estrela do céu’’?

Reprodução

A psicoterapeuta Ana Rachel Camurça, especialista em envelhecimento e finitudes, aponta que as crianças respondem de maneira diferente ao falecimento de alguém próximo, o que varia de acordo com a idade da criança e o vínculo e proximidade que ela possuía com o parente. ‘’Não existem processos definidos e idênticos no percurso do luto, para as crianças. Elas irão demonstrar o seu sentimento de maneira variada e sempre de forma muito sutil. Não é possível ‘’medir’’ o potencial da dor que uma criança sente com a vivência do luto, mas essa experiência não passa despercebida por ela. Em maior ou menor grau, o luto é sempre vivenciado’’.

A psicoterapeuta aponta ainda que os pais ou parentes próximos possuem um potencial para equilibrar os sentimentos das crianças, durante a vivência do luto. ‘’ Os parentes que convivem com a criança, por estarem também vivenciando o luto, devem demonstrar de maneira sutil seus sentimentos de tristeza e saudade, não escondendo da criança as suas emoções. Esconder isso da criança pode desenvolver nela um receio e desconfiança em relação às pessoas que lhe são próximas’’.

A falta dos pais pela morte ou abandono

Não apenas a morte é a causadora da experiência do luto nas crianças. Pesquisa do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), de janeiro desse ano, aponta que mais de 9.300 crianças estão disponíveis para serem adotadas. O número elevado aponta para a quantidade elevada de crianças que perderam os pais, ou parentes próximos, ou que foram abandonadas por eles.

A psicoterapeuta, Ana Rachel Camurça, aponta que o abandono das crianças pode ser também considerado um luto pois, ao nascerem, elas iniciam um processo de desenvolvimento afetivo com os adultos que lhes rodeiam. ‘’Durante o processo de desenvolvimento das crianças, que é mais forte até os 5 anos de idade, diversas ligações são estabelecidas e com quem a criança estabelece contato será, mais tarde, difícil de romper esse elo e uma vez rompido, elas podem ser muito afetadas por esse evento’’.

Roda de conversa sobre Luto Na Infância

No intuito de trabalhar as peculiaridade desse tema, o Espaço Integra, por meio da psicoterapeuta Ana Rachel Camurça, realizará em fevereiro, uma roda de conversa voltada para essa temática. ‘’Luto na infância. A impermanência da vida e a permanência do amor’’, que será realizada no dia 20 de fevereiro e será gratuita. A ideia é trabalhar temas que envolvem a vivência do luto na infância, como os pais ou parentes próximos podem ajudar as crianças e como diminuir os efeitos dessa experiência durante a infância e as outras fases da vida.

SERVIÇO

Curso: Luto na infância

Data: 20 de fevereiro

Horário: 19h

Local: Av. Washington Soares, 855 – sala 804

Mais informações: (85) 9 8187 – 3966 / contatoespacointegra@gmail.com

Gratuito

Atualizado por Natasha Ribeiro
natasha@oestadoce.com.br
Fonte: Ass. de Imprensa

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