terça-feira, 18 de dezembro de 2018.
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Reflexões: sobre o Respeito

Bosco Nunes -Auge

Colunista - Viver

quinta-feira, 04 de outubro 2018

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Post #1 Série Reflexões: Respeito

Para começo de tudo, esse post, assim como os outros da série, não é sobre política e não traz nenhum tipo de posicionamento político.

Falando nisso, resolvi tratar os temas em série para evitar um textão. Assim, o conteúdo será apresentado em forma de posts independentes, mas correlacionados.

Vamos ao assunto!

“Respeito não se trata apenas de deixar o espaço de cada pessoa. Respeito é sobre valorizar o jeito de cada um.”

Pode parecer estranho (e um pouco demais) essa visão, mas eu lhe garanto que ela faz total sentido. Deixa eu exemplificar pra tornar mais palpável.

Exemplo: você está em um restaurante com sua namorada que ganhou peso após ficar doente e ter tomado corticoide (e se sente mal por isso).

De repente, alguém, incomodado com a presença “obesa” dela, comenta em alto e bom som para o garçom (com intuito que ela escute) “gente gorda é muito feio e não há nada mais deprimente, vocês deveriam proibir esse tipo de gente aqui”.

Nesse momento, sua namorada fica triste, mas disfarça e finge que não ouviu; pede um prato ainda mais gordo e sobremesa na ilusão de que isso vai amenizar a tristeza que se instalou em seu coração. Já você sente um nó na garganta de tanta indignação. Mas, vocês seguem o jantar como se nada tivesse acontecido.

A pergunta é “Quem faltou com o respeito com sua namorada?”. Para ajudar na reflexão, seguem algumas opções (você pode marcar mais de uma):

(  ) ninguém

(  ) a moça que fez o comentário pejorativo

(  ) o garçom

(  ) você

(  ) sua namorada

Então …dentro desse conceito amplo de Respeito, todos seriam culpados (até quem não está nessa lista, mas também ouviu tudo)! Afinal:

  1. A moça que fez o comentário feriu outra pessoa no momento em que exercitou sua intolerância.
  2. O garçom corroborou com o desrespeito ao não barrar ou coibir o comentário.
  3. Você que cometeu os mesmos erros do garçom …mesmo tendo mais responsabilidade envolvida.
  4. A sua namorada, que além de permitir que os outros fizessem ela passar por aquele momento, ainda foi além e se prejudicou mais ao ter uma atitude que só vai piorar o seu estado (tendo em vista que ela não está satisfeita com o próprio corpo).

Sem fazer nenhum julgamento de valor, sem poder dizer que alguém agiu certo ou errado (existem diversas nuances nas entrelinhas), posso garantir que, Todos os presentes cometeram a falha da omissão. Todos corroboraram com a discriminação que ocorreu – cada um com seus próprios motivos.

“Afinal, se respeitar é valorizar o jeito de cada um, as ações que são contrárias a essa valorização devem ser coibidas.”

Esse é apenas um exemplo, cada um tem seu motivo para não ter se posicionado (e, por favor, entendam também que não estou fazendo juízo de valor com obesos).

A questão que estou trazendo é que, independente de cada caso, fora o fato de que a maioria de nós não consegue se posicionar (cada um com seus motivos e mantenho o meu não julgamento de valor), ainda, estamos fazendo pior:

Muitas vezes estamos apoiando ativamente os atos discriminatórios. E as maneiras que mais vejo isso acontecer (além da omissão) são:

  1. Dar platéia e apoiar quem comete o ato diretamente (no exemplo, poderia ser um “eu também acho” para a moça que fez o comentário.
  2. Fingir que o problema não está acontecendo (segue o baile e continua o jantar e se sua namorada falar alguma coisa você diz. Imagina, ela nem deve ter falado com você!).
  3. Defender interesses próprios sem ligar para aquilo (seja o emprego do garçom, ou o fato de que você também gostaria que sua namorada emagrecesse e “ainda bem que aquela mulher falou aquilo, talvez sua namorada tome vergonha na cara”)
  4. Ao condenar quem tenta lutar contra a discriminação (suponha que sua namorada resolveu bater boca com a moça do comentário e você diz “deixa pra lá, não vale nada” ou “mas você está gorda mesmo”, ou “calma, ela se sentiu incomodada e é direito dela”.
  5. Replicar/ampliar o mesmo discurso (tipo o namorado aproveitar pra dizer, tá vendo, até essa moça está incomodada. Você tem que mudar. A pessoa por quem eu me apaixonei não era assim. Você mudou…”.

Você pode até ter seus motivos para não fazer nada, mas saiba que seja qual for, ele lhe fez faltar com o respeito com o outro. Essa parte da escolha é sua. Então, é a velha história do “Explica, mas não justifica”.

Todos nós gostamos de nos sentir respeitados, mas sem valorização da individualidade não há respeito (no máximo surgiria uma aceitação da realidade – talvez fruto de mais omissão).

Falando nisso, tendemos a ser omissos, pois viver em embates é muito cansativo…mas existem diversos embates que poderiam ser evitados se não fôssemos tão omissos e se soubéssemos respeitar uns aos outros.

Mas, infelizmente isso não vem sendo ensinado, nem muito menos aprendido. Afinal, é necessária muita empatia para que isso aconteça e nem sequer sabemos o que é a verdadeira empatia.

“Na falta de empatia, a intolerância prolifera. Por sua vez, a intolerância é a mãe do ódio e este é o pai da maldade.”

Sejamos bons uns com os outros, valorizando cada um em sua individualidade. Só assim conseguiremos praticar o princípio da universalidade que está em nossa constituição e, mais, sermos humanos.

Ahhh… uma sugestão, leia esse texto pensando não apenas nas vezes que faltaram respeito com você, mas também nas vezes em que você faltou respeito com o outro.

Próximo tema: Ódio.

Abraços e gratidão!

Quaisquer dúvidas ou sugestões de pautas:

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