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Transplante de coração prosperou graças ao controle da rejeição

sábado, 02 de dezembro 2017

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Cinquenta anos depois do primeiro transplante cardíaco, alguns avanços se somam. Nem tanto da parte cirúrgica em si, que passou, sim, por pequenos ajustes, e mais pelo surgimento de drogas que auxiliam no controle da rejeição do órgão pelo organismo que passou a abrigá-lo.

Em 3 de dezembro de 1967, O cirurgião sul-africano Christiaan Barnard foi o primeiro a fazer bater um coração de uma pessoa (que teve morte cerebral) dentro do peito de outra, ganhando uma corrida mundial -era questão de tempo até que alguém realizasse o procedimento.

Um mês depois, foi feito o primeiro transplante nos EUA; no Brasil ocorreu o primeiro transplante da América Latina, seis meses depois.

Ao longo do ano de 1968, foram 102 em todo o planeta. Mas não demorou muito para ficar claro que não se tratava de uma solução mágica.

O primeiro transplantado de Barnard viveu 18 dias; o paciente brasileiro, menos de um mês. Infecções, em razão do sistema imunológico debilitado, eram um sério problema. Outro era a rejeição do órgão pelo organismo, que sem drogas agressivas também era letal.

Não à toa os transplantes cardíacos foram minguando nos anos seguintes: passaram para 48 em 1969 e para 16 em 1970. Mais da metade morria em menos de um mês.

Dessa forma, embora tenha surgido no final da década de 1960, foi só no final da década seguinte e no começo dos anos 1980 que os transplantes de coração ganharam vida nova, por assim dizer.

O motivo, explica Fernando Bacal, diretor de transplantes do InCor e coordenador dessa mesma área no Hospital Israelita Albert Einstein, foi o surgimento da ciclosporina A, um medicamento que conseguia domar o sistema imunológico com algum refinamento.

Outras descobertas importantes foram as drogas que controlam a proliferação de células de vasos (que obstrui a passagem de sangue, matando o órgão) ou as que combatem o surgimento de tumores
“Tudo isso faz com que o tempo de sobrevida hoje seja cerca de 13 anos, a caminho dos 15”, projeta Bacal.

A retomada dos transplante no Brasil, em meados da década de 1980, contou com a participação de dois cirurgiões da família Jatene, Adib (morto em 2014, aos 85 anos) e Fábio, seu filho, hoje professor da titular de cirurgia cardiovascular na USP.

Uma comitiva de jovens médicos foi aos EUA com o objetivo de treinar e começar a explorar o potencial transplantador do Brasil. “Hoje nosso transplantado mais antigo tem 31 anos. E a cirurgia aconteceu quando ele era adulto. Houve uma evolução constante da área”, diz Jatene.

O número de transplantes cardíacos no país tem crescido e pode superar os 370 no ano de 2017, diz o cirurgião. Um obstáculo, diz, é que a recusa familiar ainda é alta, acima de 40%.

“Estamos criando uma consciência de que o transplante é uma boa forma de tratar alguns pacientes. Algumas pessoas se recuperam muito bem, voltando à vida social, familiar, profissional… Mas não se trata de uma ‘terapia do desespero’, é um tratamento com indicações precisas”, diz Jatene.

Hoje no país cerca de 250 pessoas aguardam na fila por um transplante de coração.

Fonte: Folha Press

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