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A história na ponta do lápis

quinta-feira, 27 de outubro 2016

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Tudo começou na igreja. Enquanto outras crianças corriam durante o culto, a mãe adotiva de José Gomes dava papel e caneta para o menino ficar rabiscando, como forma de distração. Quem via pensava que era um pequeno evangélico fervoroso: chegava e já ficava de joelhos. Na sala de aula, desenhava professores e colegas. Depois, aprendeu a fazer caricaturas de pessoas famosas, por exemplo, o rei Roberto Carlos. Porém, era muito exigente consigo mesmo e rasgava os que não considerava bons o suficiente. Assim, cresceu e o que era passatempo infantil se tornou vocação.

Seu interesse por charge começou ainda quando era jovem. Perambulava de bairro em bairro atrás dos jornais impressos só para se deliciar com o desenho do dia. As atuais inspirações o acompanham desde essa época. Os que exercem mais influência são os chargistas que trabalham em Fortaleza: um deles é Clayton Rebouças e o outro é Sinfrônio Lima, considerado o papa da charge por Gomes.

Apesar de se deparar com o mercado reduzido da cidade, o incentivo que recebia da mãe para seguir a carreira sempre era maior. No intuito de se aperfeiçoar, fez curso de desenho no Instituto Universal Brasileiro e no Senac. Contudo, após encarar várias portas fechadas, apareceu a oportunidade de tirar os desenhos da gaveta. Começou a trabalhar no Jornal O­ ­Estado há 13 anos e aqui mesmo ficou.

Com um histórico de charges apimentadas, o bom humor é um dos elementos essenciais na opinião de Gomes. Não deve ser nada fácil escolher a favorita entre tantas desenhadas. Porém, uma delas ganhou um carinho especial: a homenagem a Roberto Marinho. Quando um anjo indaga o empresário qual seria a senha para entrar no céu, Marinho responde com o símbolo da Rede Globo debaixo do braço “Plim, plim”. Essa é uma de suas queridinhas.

Além dessas experiências profissionais, o talento ultrapassou as fronteiras da redação e chamou a atenção de pessoas fora do âmbito jornalístico. Em 2014, quando estava trabalhando, recebeu um convite para ministrar uma palestra sobre charge no Instituto Piamarta. Essa é uma das lembranças que mais marcou a vida do chargista, porque ele logo se identificou com a história das crianças, que eram parecidas com a dele.
E foi assim que J Gomes, como assina as charges, conquistou seu lugar.

Por Lorena Fonseca Marcello

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