quarta-feira, 19 de dezembro de 2018.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

81 anos de história, articulações políticas foram destaque em O Estado

terça-feira, 31 de outubro 2017

Imprimir texto A- A+

FOTO ARQUIVO NIREZ

Em 81 anos do jornal O Estado, a política, em alguns momentos, se misturou a história da publicação. Inclusive, o surgimento do diário de notícias se deu para defender causas partidárias. Isto porque, seu fundador, o advogado e jornalista José Martins Rodrigues tinha afinidades políticas relacionadas à Liga Eleitoral Católica e relações partidárias com o PSD. Aliás, em 1936, o País vivia uma conjuntura de incertezas e, no Ceará, era eleito o governador Meneses Pimentel.

Mas, além disso, segundo o filho de José Martins Rodrigues, o advogado Roberto Martins Rodrigues, a paixão pelo jornalismo era evidente. Desde jovem, foi revisor, trabalhou em oficina de jornal, nos idos iniciais do que seriam depois os Diários Associados, também o incentivou a pôr em circulação um periódico.

“No governo Matos Peixoto, era líder do Governo, aqui, em Fortaleza. Então, achou importante ter um veículo de Comunicação”, explicou Roberto Martins Rodrigues. Ele lembrou ainda que, à época, só existia como veículo de destaque a Ceará Rádio Clube, fundada por João Dummar. Depois disso, apareceram outros veículos, mas o Jornal O Estado “nasceu da necessidade de dar o suporte [às causas políticas]”, pontuou Roberto Martins.
O jornalista Luiz Sérgio lembra que a primeira edição causou “alvoroço na concorrência”. Isto porque, segundo ele, “era um jornal maçudo. É impressionante essa primeira edição e, pra época, foi uma coisa assustadora, até para os concorrentes e para a cidade”. “O jornal veio com muito impacto, muito prestigiado, com muitos anunciantes, teve grande apoio comercial e inovou lançando cadernos e seções feminina, infantil, literária, de Direito, para o campo, para questões de veterinária. E era muito noticioso. E trazia, ainda, muita prestação de contas do Governo do Estado”, explicou o jornalista.

Jogo partidário
Durante certo tempo, o jornal O Estado ficou nas mãos de políticos, assim como outros periódicos da época, que também pertenciam ao jogo partidário ou faziam parte do mesmo.
Com o fim do Estado Novo, Luiz Sérgio explica que o jornal O Estado viveu novos ciclos, controlado pelos irmãos Cláudio e Fran Martins — com Durval Aires no comando da redação —, apoiados por Antônio Martins Filho e, depois, pelo governador Parsifal Barroso, quando Themístocles de Castro e Silva assumiu o comando da redação.

“Nessa época o jornal era comandado pelo Durval Aires, que foi um grande jornalista. Ele foi um dos primeiros colunistas políticos da imprensa cearense e tinha uma sessão política chamada de ‘preto no branco’ onde ele fazia comentários e também publicava notinhas”, cita o jornalista.
“Eu coloco o jornal como um ente político que influenciou na história política do Ceará e da região Nordeste numa época em que os políticos cearenses tinham uma dimensão nacional muito forte”, comenta Luiz Sérgio.

Só em 1966, Venelouis Xavier Pereira assume o controle do jornal mediado por José Oto Santana. Obstinado, Venelouis cumpre um papel fundamental no resgate e na preservação do jornal O Estado e do seu acervo.

Novo momento
Depois de 81 anos, como traz a própria história da publicação, O Estado do Ceará comemora mais um aniversário. “Percalços, muitos. Basta dizer que em 1937, como todos sabem, o Brasil entrou no ‘Estado Novo’, regime político ditatorial, e dele só sairia em 1945. Agora, o momento político é outro. Entretanto, também traz suas superações. Ele traz o essencial do acontecido no Ceará, no Brasil e no Mundo, originado não só pelas agências de notícias e o captado pela Internet. Além do jornal impresso, O Estado possui blog e televisão, via Youtube”.

Instagram

[instagram-feed]

Facebook

Twitter