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Potência para produzir energia limpa

terça-feira, 31 de outubro 2017

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FOTO DIVULGAÇÃO

Para construir a sustentabilidade é preciso muita energia, e isso nós temos. O Brasil acaba de assumir o sétimo lugar entre os países com maior geração de energia eólica em 2016 e essa potência está bem concentrada no Nordeste. Dentre os estados brasileiros, os dois primeiros que apresentaram a maior proporção de geração de energia produzida pelos ventos são: Rio Grande do Norte, com 34,7%, e o Ceará, com 18,8%.
A situação favorável da fonte eólica brasileira também é destaque no fator de capacidade (FC). De 2000 para 2016 o Brasil passou de um FC médio de 20% para 41,6%. No mundo, esses indicadores foram de 22% e 24,7%, respectivamente. No FC, o Piauí teve o maior indicador (48,4%). Os dados são do “Boletim de Energia Eólica Brasil e Mundo – Base 2016”, produzido pelo Ministério e Minas e Energia (MME).

Nós conversamos com o consultor de energia do Sistema Fiec, Jurandir Picanço, um entusiasta das renováveis no mundo, no Brasil e, principalmente, no Ceará. Ele disse que “existe um grande potencial em todo o Nordeste” e nós temos o “privilégio” de termos “os melhores ventos do mundo e um fator de capacidade inesgotável”.

Atual presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Energias Renováveis (CS Renováveis) da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Picanço explicou que o FC é a relação entre produção efetiva e capacidade instalada. Se um equipamento de 1MW funcionar permanentemente na sua capacidade, ele vai produzir 1MW continuamente, mas o vento, às vezes diminui ou para, então, ele vai produzir menos. “Esse percentual do que ele produz para o que poderia produzir, é o que se chama de FC”, disse.

Vantagem
“Na Europa, o fator de capacidade é de 25% , o que eles consideram excelente, aqui é quase 50%. Quer dizer, um aerogerador aqui, produz duas vezes mais do que o mesmo aerogerador instalado lá na Alemanha e que tá cheia de aerogeradores. Na Noruega, também. Então você vê que esse potencial do Nordeste, especialmente do Ceará, é uma vantagem que se tem.”

Em 2001, o Atlas Eólico do Ceará mostrava um potencial na ordem de 25 gigawatt (GW). Hoje, um estudo da fabricante de aerogeradores, Vestas, mostra que já é de 80 GW. Segundo Picanço, “uma potência enorme”. Mas os ventos aumentaram? Não, a tecnologia é que desenvolveu. “Se antes, com esse vento era possível produzir 25 GW, com a tecnologia atual, com torres mais elevadas, por exemplo, é possível produzir muito mais. O Brasil todo tem potencial na ordem de 153 GW, dai é possível ver o potencial gigantesco que se tem aqui no Ceará”, ressalta.

Desenvolvimento
Para o consultor, em tempo de aquecimento global, essa fartura energética significa “um momento de grandes oportunidades para a Região” e o papel da Adece e da Fiec, é o de “promover o desenvolvimento das renováveis, elas vão dominar o mundo”.
A CS Renováveis, instituída pela Adece, por meio da Portaria nº 041/2015, que visa à integração dos diversos segmentos da cadeia produtiva das energias renováveis, é composta por 30 instituições, entre entidades privadas, organizações não governamentais e órgãos públicos e privados relacionados com a cadeia produtiva das energias renováveis.

Ceará: “berço das energias renováveis”
“O Ceará teve um pioneirismo no desenvolvimento da energia eólica”, disse à nossa reportagem, o Dr. Jurandir Picanço. Certamente, isso não aconteceu por acaso, e ele começou lembrando o desenvolvimento do biodiesel pelo Professor Expedito Parente, ainda na década de 80.

FOTO LUCAS MOURA

“Logo depois veio a energia eólica”. Muitas pessoas pensam que a usina do Mucuripe foi à primeira do Brasil, mas não foi, no entanto, “foi a que teve a maior visibilidade”, começa a contar.

“Até ali, ninguém conhecia a energia eólica, existia uma torre lá em Fernando de Noronha, outro projeto lá no interior de Minas Gerais e aí veio a do Mucuripe, visível para todo mundo, foi quando teve muita oportunidade de reportagem, divulgação na mídia. Realmente, a Usinado Mucuripe foi a primeira que deu visibilidade à geração eólica no Pais.”

Depois nós tivemos “por uma coincidência muito grande” o projeto de uma usina térmica do grupo do Eike Batista e como compensação ambiental ele montou a primeira usina solar fotovoltaica em Tauá, no Sertão cearense. “Outro pioneirismo do Estado do Ceará! Hoje, é considerada muito pequena, mas continua lá. Foi a primeira, é emblemática, é uma usina de 1MW”, destaca Picanço.
Ele contou ainda sobre um projeto de desenvolvimento de energia a partir das ondas. “Não é comercial, mas foi feito para o Pecém”, destaca. O fato é que segundo o Dr. Picanço, a energia limpa está no nosso DNA o que faz com que o Ceará por ter “esse histórico de pioneirismo” e seja considerado por ele, como o “berço das energias renováveis”.

Solar Fotovoltaica
Tem ainda a energia solar, que de acordo com Picanço, “apresenta potencial muito maior e que a gente pode considerar inesgotável, os números são gigantescos”. Ele explicou que a tecnologia já é conhecida de muito tempo, mas muito cara, mas os custos dessa tecnologia estão se reduzindo a cada ano.

“A medida se desenvolve a tecnologia e amplia o mercado, uma produção em grande escala, os preços estão caindo e essa energia já é competitiva em várias partes do mundo. Aqui, nós já temos contratado, 270 MW (megawatt) de energia que vão ser de parques solares que vão ser implantados.”
O consultor do Sistema Fiec fez questão de destacar a característica “democrática” da solar. Para o especialista, a eólica “pode ser muito boa”, mas não, em qualquer canto. É preciso “ficar nos locais mais adequados, nos tabuleiros, no litoral, na Serra da Ibiapaba, que é um local que tem um potencial enorme”.

Diferente, o Sol é mais igualmente distribuído. O Brasil tem uma área gigantesca com potencial solar. “O Ceará está todo inserido nessa área, e eu a denomino de Cinturão Solar”, explica.
Hoje, a possibilidade de cada consumidor produzir a sua própria energia – biomassa, eólica ou solar – já é uma realidade. Especialmente tratando-se da fotovoltaica, esta é a que mais se adapta à questão da geração distribuída (GD) ou seja, aquela geração através da qual o consumidor produz a sua energia e joga na rede o excedente. Hoje, mais de 90% da GD é através da solar fotovoltaica.

Por Tarcilia Rego

 

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