domingo, 16 de junho de 2019.
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Oportunidade

sexta-feira, 24 de maio 2019

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Ser criança, brincar, estudar, ter pai e mãe. Na adolescência, vivenciar novas experiências típicas da puberdade sob os olhos atentos da família. Depois, começar a pensar na profissão a seguir pelo resto da vida e trilhar esse caminho permeado de sonhos e desafios… situações normais para muitos. Para outros, nem tanto.
Criança e adolescentes em situação de acolhimento institucional vivenciam experiências diferentes ao longo da infância e transição para a adolescência. Sem pai e mãe, sem uma família, os atores da vida no dia a dia são outros. As perspectivas também.
Nesse cenário, vislumbrar uma profissão e sonhar com um futuro não é fácil. Muitos não conseguem. Mas para ajudar e impulsionar a vida de alguns, uma união de esforços formada por membros da iniciativa privada, pública e entidades de classe tem ajudado a mudar a vida de muitas crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional em Fortaleza. Tudo por meio da educação e do trabalho.
Na última semana, 60 adolescentes concluíram cursos diversos no Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Serviço Social do Comércio (Sesc). Apoiados por empresas privadas e essa rede de instituições que juntas formaram um núcleo de apoio para que esses adolescentes possam conseguir emprego e independência, o caminho para eles a partir de agora pode ser mais fácil.
“Nos preocupamos não só com adoção e com as crianças dos abrigos, mas em dar emprego para elas quando chegam na idade certa. Por isso reunimos empresas privadas, órgãos do Estado, Município e entidades para prover melhores condições a esses adolescentes por meio da educação”, explica o líder da iniciativa, empresário Adauto Farias.
A ação consiste em matricular esses adolescentes em cursos de capacitação diversos por 18 meses. A primeira turma concluiu o primeiro ciclo, e nova turma de mais 60 adolescentes em situação de acolhimento deverá iniciar o segundo nas próximas semanas.

ABRIGAR
Além disso, essa rede de apoio também desenvolve um projeto chamado “Abrigar” para, após a capacitação, oferecer oportunidade de trabalho aos adolescentes por meio do programa Jovem Aprendiz. Essas empresas acolhem esses adolescentes em seus quadros de funcionários para auxiliá-los no desenvolvimento social cultural.

“Gosto de ver os resultados. Muitas vezes vejo eles chegarem acanhados e com vergonha, mas quando saem com crescimento intelectual enorme e postura diferente é muito gratificante. Dá um prazer muito grande em saber e ver a melhora e o desenvolvimento desses meninos e meninas”, disse Adauto Farias.
A razão de tudo isso é o serviço à sociedade e a contribuição à formação e transformação desses adolescentes. “Acreditamos que somente com educação eles podem trilhar um novo caminho na vida. 90% das crianças envolvidas no crime é porque os pais também são. A família é totalmente desestruturada. Como ele vai sair desse ciclo vicioso? Se não for através da educação ele não conseguirá”, acredita o empresário.

ESCOLA
Além dos cursos e oportunidade de trabalho para os adolescentes, o grupo promove para 42 crianças com faixa etária a partir dos 5 anos de idade escola gratuita. Eles já estão aprendendo que é preciso esforço e dedicação nos estudos para sonhar com uma vida melhor. Frequentam escola particular e recebem material de estudo e fardamento de forma gratuita. Tudo custeado pela rede de apoio.
“Após 5 anos fica mais difícil a adoção. Procuramos ajudar essas crianças que não foram adotadas para que elas possam crescer e competir no mercado de trabalho em condições melhores”, destacou Adauto Farias.
Só permanece recebendo apoio educacional gratuito aqueles que se dedicarem. “Queremos ajudar quem quer ser ajudado. Não é só dar. Queremos receber o esforço deles como resultado. Eles precisam enxergar a oportunidade e fazer a sua parte”, disse o empresário.

ABRIGO MODELO
Além do auxílio a esses adolescentes para que encontrem espaço no mercado de trabalho, a rede de proteção está estruturando o projeto de um abrigo modelo e padrão, que já foi apresentado a órgãos do Estado e recebeu apoio. Aguardando local indicado para construir abrigo.
O objetivo é a construção via inciativa privada de uma instituição padrão de acolhimento de crianças e adolescentes, com local para dormir, estudar e lazer. “Muitas vezes eles vão para a escola, mas quando retornam ao abrigo não têm uma estrutura boa para estudo. Queremos que todas as instituições que acolhem tenham um modelo único. Com raras exceções se vê meninos com notas boas. A maioria tem desempenho ruim e a razão disso é a falta de local adequado para estudo. Infelizmente fica devendo em todos os abrigos. Nosso objetivo é construir um abrigo para mostrar ao Estado como deve ser, sensibilizar, replicar, e transformar todos os abrigos de Fortaleza nesse modelo, explicou Adauto Farias, destacando ainda a necessidade da construção do prédio ao lado das escolas de tempo integral do Estado.
“Acredito na lei de ação e reação. Quem faz o bem, recebe o bem. São coisas que se faz com naturalidade e me sinto bem por isso. Não custa nada, ter um pouco mais de trabalho, para formar pessoas com conhecimento técnico. Estamos construindo uma sociedade melhor”, disse.

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