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Rede Adotiva

segunda-feira, 19 de dezembro 2016

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O processo de adoção de crianças e adolescentes no Brasil ainda é complexo e demorado. São muitas as dificuldades encontradas no percurso, mas ao chegar no final da estrada, o trajeto percorrido demonstra que a caminhada valeu a pena. Quando Priscilla Farias decidiu visitar um abrigo para ver, pela primeira vez, as duas crianças que o Cadastro Nacional de Adoção (CNA) havia vinculado ao seu perfil, o coração bateu mais forte. Muito embora a adoção tenha sido uma decisão muito bem pensada, ao longo da vida, o passo a ser dado naquele momento causava certo medo.
O primeiro contato foi com os irmãos Iorrana Farias Nobre de Azevedo, de 9 anos e Ítalo Farias Nobre de Azevedo, de 8, foi um pouco distante. “Foi tudo muito rápido, mas voltei para casa chorando, porque no fundo, eu senti que tinha uma responsabilidade com aquelas duas crianças. Na minha cabeça, isso era muito forte. Quando voltamos pela segunda vez, fomos conquistados, nos abraçaram e nos beijaram, ficaram felizes quando nos viram. Fomos nos conquistando e nos permitindo”, conta ela, que não esconde as dificuldades que um processo de adaptação de crianças dessa idade pode apresentar.
Nos primeiros 15 dias na nova casa, tudo era perfeito, mas depois alguns problemas começaram a surgir. As crianças ficaram agressivas e não obedeciam aos pais. Os dois viveram por três anos no abrigo. Foram tirados dos pais biológicos por negligência. Nessa situação, geralmente, as crianças testam o amor dos pais adotivos.
Priscilla viveu essa realidade. Por alguns dias foi rejeitada pela menina e teve de conviver com a agressividade do menino, mas o amor venceu todas as dificuldades. “Aos poucos fomos trabalhando aquele comportamento. As sessões com psicólogo e outros profissionais de saúde ajudaram bastante. Hoje estamos bem e felizes. Eles estão adaptados e nós também”, conta ela.
Pensando em auxiliar outros pais adotivos, que passam por essas mesmas dificuldades, Priscilla ajudou a criar a Rede Adotiva. Formada atualmente por 25 casais, o grupo está, aos poucos, estruturando-se, e a expectativa é que para 2017, os resultados possam ser ainda maiores que esse ano. “O objetivo principal é a proteção e a defesa das crianças buscando a concentração de todos os órgãos para que os processos sejam mais rápido, para diminuir o tempo de acolhimento e no auxílio de pais adotivos e crianças que por ventura estejam passando por alguma dificuldade. É imprescindível que os adotantes estejam preparados para a adoção, pois eles também são responsáveis pela condução do processo”, conta Priscilla, coordenadora do Núcleo de Acolhimento.
Além deste, a Rede possui ainda o Núcleo de psicologia, que em janeiro começa a trabalhar na reunião de pais e adolescentes, antes e após a adoção; o Núcleo Jurídico, que faz o acompanhamento dos processos de adoção; o Núcleo de Capacitação, que está se preparando para dar capacitação nas instituições de acolhimento; o Núcleo Eventos, responsável pelos eventos para angariar fundos e o Núcleo de Logística, que trabalha internamente para dar suporte aos demais.

ONG
A Rede Adotiva surgiu em 2015. Neste ano conseguiu personalidade jurídica para tornar-se Organização Não Governamental. Em outubro deste ano, o grupo promoveu o seminário “Prejuízos do Acolhimento Institucional Prolongado”, em parceria com a Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional (Cejai) do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). Na ocasião, a presidente da Cejai, desembargadora Maria Vilauba Lopes, destacou a importância que a finalidade “é sensibilizar a sociedade, bem com as instituições em geral, sobre a importância da adoção de crianças e adolescentes pelas famílias, trazendo a reflexão dos prejuízos causados pelo prolongamento do tempo que as crianças e adolescentes ficam em instituições de acolhimento”.
“Quando o grupo surgiu tivemos a necessidade de que todos tivessem o mesmo conhecimento. Esse ano foi dedicado ao estudo dos voluntários e o seminário, apesar de ter sido o nosso primeiro evento, foi muito importante para esse estudo. O nosso foco não é só adoção, mas ajudar as crianças que estão acolhidas, que precisam de um olhar mais atento da sociedade. A ideia é não ficar inerte diante da situação. Passamos pelo Cadastre e por todas as dificuldades do processo de adoção, e queremos auxiliar outras pessoas nesse sentido”, disse Priscilla.
Após pouco mais de um ano de funcionamento efetivo, a Rede Adotiva já acompanhou diretamente a adoção de 23 crianças e adolescentes em 19 famílias. Foram incontáveis orientações a pessoas que procuram pelo telefone ou por meio do Facebook. São em média 70 pessoas que recebem atendimento e orientações, além de crianças que vivem em instituições de acolhimento que são beneficiadas com passeios e festinhas, realizadas a partir de parcerias firmadas com ajuda da Rede Adotiva.
“A criação desses grupos é muito importante para a adoção. A sociedade civil tem buscado se inserir no tema e é muito importante, pois são pessoas que se disponibilizam, de alguma forma, para ajudar crianças adolescentes, até porque as equipes multidisciplinares, que acompanham essas crianças no processo de adoção, são muito comprometidas, são profissionais excelentes, mas ainda falta estrutura ao Poder Judiciário nesse sentido. Falta maior amparo ao trabalho dessas equipes. Então se a sociedade civil presta esse auxílio, o processo tende a ser mais célere”, destacou Alysson Pedrosa Magalhães, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB Ceará.
Rede Adotiva – www.facebook.com/RedeAdotiva – Ou pelo telefone: (85) 9 8976.7183 (Oi) / (85) 9 9756.4580 (Tim).
E-mail: redeadotiva@gmail.com

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