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Voluntários: O bem que faz bem

segunda-feira, 19 de dezembro 2016

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O voluntariado é um ato de amor, e desprendimento e doação ao próximo. É no meio do dia a dia atribulado ter o olhar diferente para o que para muitos é invisível. É ter a sensibilidade de enxergar na causa alheia uma causa que também é sua, e abraça-la com amor e abnegação. Atualmente, cerca de 11% dos brasileiros realizam alguma atividade voluntária. Ao todo são 16,4 milhões de pessoas que se doam, sem nenhum tipo de remuneração em troca, em prol de alguma obra ou projeto.
São pessoas que separam um espaço em seus corações para o outro. Qual é a recompensa para esse trabalho? Materialmente, nenhuma. O trabalho voluntário é uma doação de tempo e de amor. Foram esses sentimentos que há três anos levaram a comerciante Patrícia Helena de Macedo Bruno a ser voluntária no abrigo Casa de Jeremias, que acolhe crianças abandonadas de zero a três anos em Fortaleza.
“A gente tem tanto tempo para fazer tanta coisa e para ajudar as pessoas e não pensa. Acha que é sacrifício. As pessoas precisam fazer as coisas com mais coração, principalmente para as crianças abandonadas, que são seres indefesos, que estão no início da vida e já não têm ninguém por elas”, disse a voluntária.
Além de doações que faz ao abrigo, Patrícia Helena separa tempo na agenda para brincar com os pequenos de vez em quando. Uma ação que faz toda a diferença para quem vive abrigado. Uma contribuição que pode mudar a vida de um pequeno.
A maioria das instituições que acolhe crianças abandonadas sobrevive somente por meio de doações. Por isso, o trabalho voluntário de pessoas como Patrícia é fundamental para a manutenção desses locais, que têm alto custo mensal com mantimentos, infraestrutura e mão de obra. “O trabalho voluntário enobrece. Sou uma pessoa melhor após essas ações. Nos apegamos muito às coisas materiais, mas precisamos doar mais para fazer a diferença e ajudar na construção de um mundo melhor”, disse.
Do mesmo sentimento foi tocado a médica ginecologista Germana da Rocha Furlani, voluntária há quase dois anos. “Mudou totalmente a minha vida e o modo de enxergar as situações corriqueiras do dia a dia. Às vezes a gente se apega a coisas que nem sempre são tão importantes quanto imaginamos e esquecemos de dar atenção ao próximo que está ali, ao nosso lado, e sequer percebemos”, disse ela que além de oferecer ajuda profissional, doa tempo às crianças. “Os pequenos são muito carentes de amor e afeto, isso me toca muito”, ressaltou.
Germana despertou para a ação voluntária quando conheceu na escola de sua filha uma menina de 4 anos que morava em um abrigo por ter sido abandonada pelos pais. A situação comoveu não somente a ela, mas a todas as outras mães da escola. A partir de então, o coração aqueceu tocado pelo sentimento de compaixão não somente pela coleguinha da filha, mas por todas as demais crianças que vivem abrigadas à espera de um lar. Agora, o tempo que sobra em meio às tarefas do dia a dia, que antes era ocupado por outras atividades, é agora separado para visitar as crianças. Uma visita que faz toda a diferença na vida de cada uma delas.
“Passamos sempre por lá para brincar, ficar um pouco com eles, que são sempre muito amorosos. Além disso, procuramos também conhecer as demais necessidades estruturais do abrigo e auxiliamos na medida do possível”, disse Germana que já planta, aos poucos na sua filha, a semente do voluntariado e a importância de fazer o bem.

O que e como fazer
O empresário Adauto Farias é outro voluntário. Em meio à agenda lotada de compromissos frente à uma empresa de grande porte, o tempo para as crianças é cuidadosamente separado. A energia doada para os pequenos ajuda no equilíbrio, segundo ele. “O equilíbrio do que fazer e como fazer tem que ser buscado. O trabalho voluntário tem que ser feito com seriedade, sinceridade e amor, pois quem doa recebe em troca frutos muito positivos. Quando fazemos algo de bom, o retorno vem”, acredita o empresário, que doa não somente atenção e carinho, mas ajuda a plantar uma das sementes mais importantes para a formação de uma sociedade mais justa: a educação.
Adauto Farias paga todas as despesas escolares de mais de 32 crianças e adolescentes abrigadas. Ele acredita que somente por meio da educação o Brasil vai conseguir ser um país melhor no futuro. “A melhoria como ser humano vem por meio das ações que praticamos, da vontade de participar mais efetivamente da sociedade e servir de exemplo para que outros também possam doar”, disse.
O voluntário elogiou as estruturas dos abrigos de Fortaleza, mas disse ser necessário a implantação de um espaço específico de estudo para as crianças, de modo que possam complementar o que aprendem na escola. A educação, segundo ele, é o caminho a ser trilhado para quem busca um futuro melhor. “Quando vou ao abrigo sempre digo aos meninos: estudem. Só por meio do estudo vocês poderão ter uma vida diferente. Se conseguir efetivamente transformar a vida de pelo menos metade dessas crianças já ficarei feliz”, disse.
Assim como Adauto, Patrícia e Germana, todo mundo pode ser voluntário. Bastam disposição, boa vontade, comprometimento e amor. Basta um olhar sensível para a causa alheia, aquela que muitas vezes está logo à frente, mas ninguém consegue perceber. Basta uma consciência solidária, de compaixão. Um impulso solidário para ser um agente de transformação social. Mais do que mudar a vida de outras pessoas, o voluntário muda a sua própria vida. Segundo pesquisa da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, as pessoas que atuam como voluntárias vivem em média quatro anos mais, pois têm mais qualidade de vida.
Que o espírito do voluntariado contagie mais pessoas a ajudar a transformar as suas vidas, as vidas dos outros, a transformar o mundo.

 

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