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Futebol brasileiro esqueceu do centroavante de ofício, diz ex-corintiano Jô

sábado, 09 de fevereiro 2019

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Na última temporada, o Campeonato Brasileiro teve a sua pior média de gols desde 1990. Foram 2,18 por partida. Um dos fatores que ajudam a entender esse dado é a escassez de grandes centroavantes no país.

Para o atacante Jô, artilheiro do Nacional em 2017 pelo Corinthians, com 18 gols, o Barcelona tem uma grande parcela de culpa nisso.

“De uns anos para cá, muitos clubes passaram a jogar com um falso 9 e a nova geração de jogadores tem isso como referência”, diz o ex-corintiano, em entrevista à reportagem.

“O Barcelona começou isso naquela época pós-saída do Eto’o. Mas só deu certo porque eles tinham grandes jogadores, fora o Messi, que é um cara fora do normal”, explica.

Aos 31 anos, o atacante defende atualmente o Nagoya Grampus, do Japão, clube para o qual se transferiu logo após conquistar o Brasileiro de 2017. Lá, ele também provou a importância de um centroavante de ofício. Com 24 gols, foi o artilheiro do campeonato e evitou o rebaixamento do time.

Mesmo à distância, Jô se mantém ligado ao Brasil, principalmente ao Corinthians, que enfrenta neste domingo (10) o Novorizontino, pelo Campeonato Paulista.

Torcedor do clube, ele defende que Gustavo seja mantido por Fábio Carille como o atacante titular da equipe, à frente nas disputas com Mauro Boselli e Vagner Love. “[Gustavo] Está trabalhando, fazendo gols, então tem de continuar. E os outros têm de respeitar”, afirma.

Reprodução

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Pergunta – Que avaliação faz da primeira temporada no Japão?
Individualmente foi um ano especial. Não me lembro de ter conseguido 24 gols em uma liga no mesmo ano. O começo foi um pouco complicado, depois, as coisas encaixaram e os gols começaram a sair.

P – Em 2017, você foi artilheiro e campeão. No ano seguinte, ajudou o Nagoya a não cair. O que pressiona mais um atacante, confirmar um título ou evitar a queda?
J Nunca tinha passado por uma situação dessas, de rebaixamento. Psicologicamente desgasta muito mais. O lado bom é que aqui no Japão não tem tanta pressão. Eles respeitam muito os jogadores, sabem que é natural um time ser campeão e os outros terem outros objetivos.

P – Você já morou em vários lugares: Rússia, Inglaterra, Turquia, China… O que foi diferente na adaptação ao Japão?
J – Aqui é muito acima do que eu esperava, um país que oferece de tudo: educação, segurança, pontualidade nos serviços. Meu filho mais velho já está na escola, minha esposa anda com tranquilidade. A gente sai e pode deixar a casa aberta, são coisas que em outros países nós não tínhamos e, infelizmente, o nosso país não tem essa liberdade. Estou apaixonado pelo Japão.

P – Por tudo isso, não pensa em voltar ao Brasil?
JAqui, pelo fato de ter uma boa vida, de os clubes pagarem bem, de os japoneses serem corretos e de terem uma cultura bem diferente de como tratar os jogadores, faz com que o jogador se sinta seguro em cumprir o contrato. Se vier uma situação de renovar, vou sentar com a minha família e ver porque é uma situação muito boa.

P – Na sua opinião, há uma carência de camisas 9 no futebol brasileiro?
J De uns anos para cá, o futebol mundial passou a sofrer com isso. Muitos clubes passaram a jogar com o falso 9. O Barcelona, pós-saída do Eto’o, fez isso. O time foi incorporando o tiki-taka do [Pep] Guardiola. Deu certo porque tinha grandes jogadores e era a maneira deles de jogar, fora o Messi, que é fora do normal. O futebol brasileiro também foi muito influenciado por essa coisa que veio de fora. Muito se olhou para a agilidade e habilidade, mas esqueceram um pouco do centroavante de ofício, que enche o saco dos zagueiros. Infelizmente, deixamos de lado isso.

P – Qual a sua opinião sobre os centroavantes que o Corinthians trouxe para 2019?
JGostei muito das três contratações. Com o Gustavo eu tive o prazer de estar com ele no Corinthians, no começo de 2017. É um menino do bem, trabalhador. O Boselli é um cara mais experiente, tem números muito bons, acredito que vai ajudar bastante. E tem o Vagner Love que, além de jogar como centroavante, pode fazer várias funções. Quem eu colocaria para jogar? Hoje, sem dúvida, o Gustavo está na frente. Está trabalhando, fazendo gols, então tem de continuar. E os outros têm de respeitar.

P – Em entrevista à Folha de S.Paulo, Carille afirmou que o elenco atual do Corinthians é melhor que o de 2017. Concorda?
JSe analisarmos as contratações de 2017, a maioria chegou questionada. Eu mesmo, pelo fato de estar seis meses sem jogar. Mas cada jogador colocou na cabeça que teria de provar seu valor e o Fábio [Carille], com a saberia dele, montou uma equipe consistente. Então, realmente, é um pouco diferente. Agora, melhor (risos)… Aí já vou discutir com o Carille (risos). Nosso time foi campeão brasileiro.

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