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Cariri: desarticulado esquema internacional de agiotagem

quarta-feira, 04 de setembro 2019

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A Polícia Civil, por meio de uma investigação da Delegacia Regional do Crato, com o apoio de outros órgãos, desarticulou um esquema internacional de agiotagem que tinha como base a cidade do Crato, na região do Cariri cearense. A PCCE cumpriu 57 mandados – sendo 31 de busca e apreensão, nove de prisão preventiva e 17 de sequestro de bens – nas cidades de Barbalha, Crato e Juazeiro do Norte. As investigações apontam que o grupo é responsável por movimentar mais de R$ 2,5 milhões na Colômbia em seis meses.

No total, a Polícia Civil prendeu 11 pessoas, das quais nove foram capturadas por força de mandados de prisão e duas presas em flagrante pelo crime de agiotagem, previsto na Lei dos Crimes contra a Economia Popular. Com eles, foram apreendidos 11 veículos, sendo cinco motocicletas e seis carros, a quantia de R$ 27,5 mil, além de 100 dólares, 102 euros e 1.848.400 pesos colombianos, além de aparelhos celulares e computadores. A Polícia Civil também solicitou ao Poder Judiciário o sequestro de veículos, imóveis e valores em contas bancárias dos investigados e de algumas empresas que estão em seus nomes.

Foram presos por força dos mandados de prisão os colombianos Mario Andrés Nuñes Prieto, 30, Omar Camargo Lizarazo, 55, Jhon Edson Grajales Buitrago, 29, e Darwin Plazas Alvarado, 32, além dos brasileiros Dejesus Moreira Pires, 25, Fabrício Duarte Monteiro, 23, Jaqueline Maria da Silva, 37, Paulo Aleff Rodrigues de Lima, 26, e Paulo Morais de Lima, 50. Na operação foram capturados em flagrante um colombiano de 30 anos e uma brasileira de 31 anos, natural do Pará. A dupla foi autuada em um termo circunstanciado de ocorrência (TCO) pelo crime contra a economia popular.

A ação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa de engenharia financeira internacional, suspeita da prática de crimes contra a economia popular (agiotagem), lavagem de dinheiro, extorsão e ameaça. A organização criminosa é formada por colombianos e brasileiros que exploravam pessoas em situação economicamente vulnerável, emprestando dinheiro a juros exorbitantes.

Conforme explicou Giuliano Sena, delegado da delegacia regional do Crato e responsável pelas investigações, os criminosos emprestavam dinheiro e cobravam juros de, no mínimo, 20% ao mês, e, por meio de extorsão, faziam a cobrança. Em alguns casos, eles tomavam bens como pagamento, causando grave lesão à economia da região do Cariri e de outros estados. “Quando há atraso no pagamento eram implementados novos juros de 20%, ou seja, juros sobre juros”, explicou o delegado.

Giuliano explicou ainda como funcionava o esquema criminoso. “Os valores dos empréstimos variavam entre R$ 100 e R$ 3 mil, mas poderia ser ilimitado. As ofertas feitas por eles pareciam ser tentadoras. Eles distribuíam cartões com contatos e dizeres ‘empréstimos para comerciantes’ e com a opção de planos de pagamentos diários. Dessa forma, eles atraíam os clientes”, disse. O delegado explicou ainda que toda a movimentação financeira era integrada em um sistema ligado a uma central na Colômbia. “Todos esses indícios criminosos estão sendo investigados”, afirmou Giuliano.

As investigações sobre o esquema fraudulento iniciaram há cerca de quatro meses. Durante as apurações, a Polícia Civil descobriu que os colombianos investigados não possuem trabalho formal e viviam, na sua maioria, apenas da agiotagem. Porém, eles estavam criando laços familiares e empresariais com brasileiros, inclusive abrindo empresas que serviam para lavar dinheiro.

“Pelo que pudemos observar, há uma transitoriedade grande desses criminosos. A maioria fica entre seis meses a um ano no Brasil, e ainda passam por várias cidades do mesmo estado ou de outros cometendo o mesmo tipo de crime e saindo rapidamente como uma forma de tentar evitar a prisão”.

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