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Ceará aposta na atenção primária para aperfeiçoar sistema de saúde em 2018

sexta-feira, 09 de fevereiro 2018

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A Secretária da Saúde do Estado do Ceará (Sesa) está recebendo consultoria internacional do médico e consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS), o ex-ministro da Saúde do país Basco, Rafael Bengoa, para melhoria e aperfeiçoamento do sistema de saúde a partir do cidadão, chamado Plataforma Quente. O objetivo é ajudar o Ceará a desenvolver uma lógica para obter resultados efetivos através da promoção da qualidade dos serviços em saúde, investimentos em Tecnologia da Informação, capacitação de gestores e técnicos, e na acreditação das unidades de saúde.

Conforme o secretário da Saúde, Henrique Javi, o foco é trabalhar o empoderamento do cidadão para que ele faça parte do processo de atenção dele mesmo. “Estamos buscando agregar um novo elemento de discussão para prevenir e promover mais saúde ao cidadão cearense. Queremos cidadãos mais saudáveis e sofrendo menos agudizações”, disse. Um dos meios, será qualificar a atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), entendendo qual a realidade e deficiência de saneamento, educação e cultura da população.

De acordo com Javi, a atenção primária deve funcionar como indicador de quais políticas públicas devem ser implementadas para evitar e prevenir transtornos na atenção secundária e terciária. “Dos 500 pacientes atendidos, por dia, em uma UPA, 400 poderiam ser atendidos num posto de saúde e terem resultados efetivos. São pacientes crônicos que em algum momento sofreram algum tipo de agudização e procuram a UPA, quando a unidade básica poderia resolver o problema dele. Fortalecer a atenção primária dá mais resolutividade e credibilidade, e traz benefícios incalculáveis”, destacou o secretário.

Para Rafael Bengoa, que está realizando consultoria no Ceará de cinco em cinco meses e que integra a equipe de cooperação técnica com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Estado pode ser um exemplo no Brasil e América Latina. “É pioneiro em tentar complementar um bom sistema do mundo, claro que falta bastante trabalho. Em comparação com países do primeiro mundo e emergentes, o Brasil tem conseguido manter um pressuposto e investir no sistema. A demanda está crescendo, os cearenses estão envelhecendo, os espanhóis envelhecendo, isso cria uma pressão enorme nesse sistema que nunca teve tanta pressão em toda sua história, nem aqui nem Inglaterra, e essa pressão não serve no modelo atual de assistência. Temos que caminhar em um modelo mais proativo e preventivo. Por exemplo, um diabético tem que controlar a sua enfermidade”, considerou Bengoa.

Balanço
Na manhã de ontem, a Secretaria da Saúde apresentou o balanço da saúde de 2017. Henrique Javi considerou o resultado satisfatório apesar da crise econômica que assola o País. “Costumo dizer que não temos uma crise específica de saúde, temos um problema crônico no sistema, que nos anos de 2015 a 2017 se tornaram mais visíveis para toda população. A crise econômica atinge todos os setores e os sistema de saúde não podia ficar de fora disso, mas o Ceará vivenciou algo diferenciado, o Governo tentou manter o ritmo na saúde”, afirmou.

Atendimento
O Ceará encerrou o ano de 2017 como o Estado com a maior rede hospitalar acreditada no País e vai trabalhar para o reconhecimento internacional. Hoje, são 12 unidades de saúde certificadas pela Organização Nacional de Acreditação (ONA) por atenderem os critérios de Segurança do Paciente em todas as áreas da atividade. Além disso, o Hemoce teve o certificado ISO 9001 renovado. Unidades acreditadas: Hospital Geral Waldemar Alcântara (Nível III – Excelência); Hospital Regional do Cariri (Nível III – Excelência); Hospital Regional Norte (Nível II – Acreditado Pleno); Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará; Policlínicas em Itapipoca, Pacajus, Sobral e Tianguá; Centro de Especialidades Odontológicas em Limoeiro do Norte, Cascavel, Baturité e Juazeiro do Norte.

Indicadores hospitalares: Em 2017, a rede estadual hospitalar internou mais de 100 mil pacientes com taxa de mortalidade intra-hospitalar 17,7% menor em relação a 2016. Também foram realizadas mais de 65 mil cirurgias e 7.987 procedimentos cirúrgicos a mais do que em 2016. Um incremento de 12%, que permitiu zerar a fila de espera para cirurgias de correção de fissuras labiopalatais no HIAS. Em 2017, foram realizados 1.518 transplantes, zerando também a fila do transplante de córnea.

Hemorede
No ano passado, o Ceará foi pioneiro em transportar bolsa de sangue raro para outro país. Registrou 105.936 doações de sangue e 8.001 cadastros no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Também em 2017, foi realizada a primeira aférese terapêutica na região do Cariri e garantido o passe livre em ônibus e vans intermunicipais para pessoas com hemofilia.

Samu
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) ampliou em 11,59% da quantidade atendimentos em 2017, passando de 56.639, em 2016, para 63.209. 15% pacientes com casos de infarto do miocárdio tiveram o benefício da trombólise foram atendidos nas Unidades Avançadas do SAMU e mais de 80 pacientes tiveram sequelas mínimas.

UPAs
2,7 milhões de atendimentos foram realizados em 32 UPAs do Ceará, incluindo as da rede municipal de Fortaleza. Atendimentos especializados: Foram quase 2 milhões de atendimentos especializados multiprofissionais nas policlínicas e centros odontológicos. 41% das mamografias foram realizadas em policlínicas.

Arboviroses
O ano passado foi o de maior mobilização permanente de controle do mosquito Aedes feita no Ceará. Cerca de 20 mil pessoas foram capacitadas pelo Comitê Intersetorial de Combate ao Aedes, criado em 2015, o qual desdobrou-se em 120 comitês municipais focados no combate do vetor.

Filas de cirurgias
Sobre as filas para cirurgias e a lotação nos corredores dos hospitais, Henrique Javi garantiu que o acesso é garantido mesmo fora da condição ideal. “Não podemos deixar o cidadão desassistido, o Governo tem feito esforço demasiado para garantir o acesso. Apesar de ser visto o aspecto da emergência para mensurar o sistema, está equivocado. A emergência não mensura o sistema, o que mensura é o que é feito dentro das unidades. Enquanto tenho um volume de pessoas na emergência, tenho cinco ou seis vezes mais pessoas sendo assistidas dentro das unidades”, garantiu. O secretário da Saúde garantiu, ainda, que em fevereiro será lançado o edital para reduzir as filas de cirurgias. Na primeira fase, a expectativa é que cerca de 12 mil pacientes sejam contemplados para cirurgias de complexidade.

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