sábado, 15 de dezembro de 2018.
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Cearense usa esporte como estratégia para educação

quinta-feira, 06 de dezembro 2018

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O professor de Educação Física André Luiz Cyrino Oliveira, da Escola de Ensino Médio Mariano Martins, da rede pública estadual cearense, participou de cerimônia, no Rio de Janeiro, do 11º Prêmio Professores do Brasil. A premiação é iniciativa do Ministério da Educação (MEC), que visa reconhecer e divulgar o trabalho de professores de escolas públicas que contribuem para uma educação básica de qualidade no Brasil. O docente foi o único cearense entre os finalistas e ganhou o prêmio na categoria especial “Esporte como estratégia de aprendizagem”.

André Luiz Cyrino foi premiado com o projeto “Vivenciando a Cultura Corporal de Movimento no Ensino Médio”, fruto de um relato desenvolvido em 2017 a partir de uma iniciativa que vem sendo praticada na escola desde 2014, quando iniciou o magistério, com 20 turmas do ensino médio nos três turnos.

O professor foi premiado com R$ 5 mil para investir na escola em que trabalha. Antes da cerimônia, André Luiz participou, com os demais finalistas, de uma visita ao Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. Após entrega do prêmio, ele destacou que a premiação significa um trabalho de valorização, principalmente, da escola, e dedicou o prêmio a toda comunidade escolar. “Não gosto e não quero que esse prêmio se encerre em mim. É um prêmio, sobretudo, dos alunos. Sem eles, nada disso teria acontecido. Meu sentimento é de agradecimento, acima de tudo, mas de pertencimento à comunidade da escola, pertencimento ao grande povo que compõe a rede de educação estadual do Ceará como um todo”, disse.

Durante a cerimônia, o ministro da Educação substituto, Henrique Sartori, ressaltou a importância de reconhecer boas práticas dentro das escolas e valorização do professor. “Antes de mais nada, quando procuramos exercer nossa profissão, que é uma profissão que muitas das vezes escolhe a gente, por uma coincidência da vida, uma trajetória profissional, ou esbarra com um profissional de educação, a gente escolhe ser professor porque vemos nos professores uma referência de vida, de valores e trajetória”, destacou.

Projeto

De acordo com o educador físico, André Luiz Cyrino, o texto inscrito para o Prêmio Professores do Brasil, trata-se de um relato feito no ano passado. Apesar de ter iniciado o projeto “Vivenciando a Cultura Corporal de Movimento no Ensino Médio” em 2014, depois de ingressar na Escola de Ensino Médio Mariano Martins, no bairro Henrique Jorge, por meio de concurso público, o trabalho só foi realizado de forma mais completa em 2017. “O projeto se desenvolveu na disciplina de Educação Física, aconteceu e continua acontecendo, a ideia é implementar de forma concreta e reflexiva os conteúdos de educação física na escola. A gente vem tentando, continuamente, fazer com que os alunos percebam e entendam que a gente é corpo, e esse corpo tem uma série de possibilidades de se movimentar no mundo, de viver e que todo mundo tem direito de se manifestar enquanto corpo e de se respeitar como corpo. A ideia é que seja trabalhado na forma mais complexa possível”, explica.

O projeto tem o objetivo de estimular os alunos a refletirem sobre o corpo e suas possibilidades de movimentar-se no mundo. Para isso, o professor André Luiz utiliza o as ginásticas, as danças, as lutas, os jogos, os esportes e as práticas corporais de aventura. Por meio dessas interações, em contato com outro colega, são desenvolvidas percepções como a humildade, o protagonismo, a autonomia, o respeito e amizade. “São valores que valem para a Educação Física, mas para escola como um todo e pode ajudar a decidir não só o que ele pode gostar na educação física, mas o que quer levar para vida dele”, destacou.

De acordo com o educador físico, a estratégia tem sido bem aceita entre os alunos, com uma participação, em média, de 80%. Além disso, ele cita que as atividades também oportunizam discussões sobre a lógica das opressões nos esportes: “Por que no esporte existe uma discrepância entre o esporte masculino e feminino? Por que conseguimos ver ações diretas de opressão de raça no futebol que é o esporte, talvez, mais conhecido no nosso país? Por que a gente percebe ainda claro uma série de opressões na dinâmica das lutas, da ginástica? Então a ideia não é perceber somente esses conteúdos de uma forma técnica ou instrumental, mas entender essas manifestações corporais e todas as complexidades que ela tem, principalmente, as reflexivas”, afirmou André Luiz Cyrino.

Apoio

Pelo segundo ano consecutivo apoiando a categoria “Esporte como estratégia de aprendizagem” do Prêmio Professores do Brasil, o Instituto Península, por meio do programa de esporte educacional Impulsiona, reforçou a importância de acreditar no esporte como ferramenta para o desenvolvimento integral de alunos. “Depois de muitas pesquisas, a gente viu que o professor é a peça chave, então se a gente fosse contar a essência do que a gente quer contribuir, é contribuir com a formação e essência do professor, e com o resgate de valorização dessa carreira que é tão fundamental para nosso país”, disse a diretora Heloisa Morel.

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