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Desarticulada rede criminosa formada por policiais civis

quinta-feira, 07 de dezembro 2017

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A Polícia Federal desarticulou, na manhã de ontem, uma rede criminosa formada por policiais civis, inspetores e delegados da Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCT), da Delegacia de Narcóticos (Denarc), no Ceará. De acordo com as investigações, a rede é suspeita de extorquir dinheiro do tráfico internacional de drogas e de anabolizantes no estado, além de práticas de concussão, corrupção passiva, peculato, dentre outras. A operação, batizada de Veredas, cumpriu, somente ontem, 25 mandados de condução coercitiva.

Entre elas, 16 policiais e três delegados estão envolvidos. Segundo o delegado da Polícia Federal, responsável por presidir a operação, Gilmar Santos, os envolvidos realizavam flagrantes onde não haviam apreensões de entorpecentes e, muitas vezes, forçavam os criminosos a pagar valores para que não fosse efetuada a prisão. As negociações eram realizadas por meio de aplicativo de mensagens.

Acordo escuso
As investigações começaram ano passado após a Polícia Federal receber proposta de colaboração premiada de um preso por tráfico internacional de anabolizante em 2015, por meio do Ministério Público Federal (MPF). “Segundo o acordo de delação premiada, havia, a princípio, uma tratativa entre os envolvidos e aquele criminoso no sentido de livrar situação flagrancial onde era feito pagamento de valores para que não ocorresse a prisão, processo, inquérito ou qualquer coisa” disse.

“Durante as investigações, nós verificamos que, da mesma forma como houve com esse colaborador no caso dos anabolizantes, estava acontecendo com substâncias entorpecentes. Para tentarmos elucidar mais os fatos, foram pedidas essas medidas cautelares para que conseguíssemos identificar a conduta de cada um nas ações”, completou.

Conforme frisou o delegado, as interceptações telefônicas começaram a ser feitas nos últimos seis meses, porém as conversas tratavam-se apenas para sinalizar que as negociações seriam realizadas através do aplicativo de bate-papo online WhatsApp, que, no caso, as mensagens não podem ser lidas por serem criptografadas, ou seja, as conversas estão inseridas em um recurso de segurança, utilizado pelos administradores do aplicativo, que garante a privacidade dos usuários.

Busca
Ainda na manhã de ontem, a Polícia Federal cumpriu de 27 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de condução coercitiva, 10 mandados de afastamento das funções, com recolhimento de armas, identidade funcional e distintivos, e seis remoções compulsórias para outras unidades da Polícia Civil para atuar em funções administrativas. Os mandados judiciais foram expedidos pela 12ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Ceará.

Entre os envolvidos, 16 são policiais civis, onde dez foram afastados e seis removidos para atividades administrativa, por motivo de menor participação nos crimes. O delegado Gilmar Santos confirmou, ainda, o envolvimento de três delegados e três inspetores, e três presos em flagrantes durante a operação, contudo, os presos não eram policiais. Segundo o delegado, inicialmente eram 26 envolvidos, porém um foi morto no último fim de semana e a polícia está averiguando se houve relação com as investigações. Os nomes e efetivos cargos dos envolvidos não foram divulgados para não atrapalhar o rumo das investigações.

Para a operação, foram mobilizados 150 Policiais Federais para cumprir todos os mandados em Fortaleza, Caucaia e Eusébio, ambos na Região Metropolitana da capital. A Secretaria de Segurança Pública e da Delegacia-Geral da Polícia Civil também contribuíram para o cumprimento das medidas judiciais. Os integrantes vão ser investigados por comercialização ilegal de anabolizantes, peculato, concussão, corrupção passiva, associação criminosa e tráfico de drogas.

Recuperação
O titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, André Costa, frisou que os envolvidos ainda não foram julgados ou condenados. Por enquanto, cumprem apenas o mandado para obtenção de provas. “Agora, o nosso grande foco é manter o trabalho, precisamos continuar com o trabalho da Denarc, da DCT, precisamos focar nas soluções. Temos danos para gerenciar, e é o que estamos buscando fazer”, disse. André Costa anunciou, ainda, que a delegada Socorro Portela assumirá interinamente a Denarc. “Interinamente, a Socorro Portela vai estar à frente e com liberdade para escolher sua equipe”, afirmou.

O delegado geral da Polícia Civil, Everardo Lima, também destacou que irá trabalhar pela continuidade e recuperação dos danos sofridos pela Denarc. “Reitero que a Delegacia Geral do Ceará sempre vai estar disposta a combater e prevenir qualquer tipo de desvio de conduta que venha ocorrer, já que temos incubência constitucional de combater o crime, mais do que nunca, devemos estar atento a possíveis ocorrências dentro da própria instituição”, destacou.

O delegado esclareceu também que, após conclusão das investigações, os envolvidos terão o devido processo legal. “Teremos a devida investigação legal que nesse caso está a cargo da Polícia Federal e a gente já sabe da isenção e competência da Polícia Federal em conduzir os procedimentos”, concluiu.

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