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Dezesseis ônibus são incendiados em Fortaleza

Com segurança reforçada em terminais e dentro dos ônibus, movimento é intenso na maioria da capital cearense

quinta-feira, 20 de abril 2017

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Na manhã desta quinta-feira, 20, Fortaleza respira aliviado. A circulação do transporte coletivo foi regularizada e a segurança reforçada dentro e fora dos ônibus.

QUARTA-FEIRA DE CAOS

Uma onda de violência, ontem, resultou em ataques a ônibus na Capital e Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Segundo informações da SSPDS (Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social), ao menos 16 veículos foram incendiados.

Até o fechamento da edição de ontem, 19, seis pessoas foram detidas suspeitas de envolvimento na onda de ataques contra os transportes coletivos. Fábio Tomé de Souza, 18, que já responde por tráfico de drogas, roubo e porte ilegal de arma de fogo, foi preso pelo Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio), no bairro Prefeito José Walter, em Fortaleza. O suspeito, que estava armado, foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, ameaça e organização criminosa. As investigações estão sendo conduzidas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil.

Ao longo do dia, algumas informações apontavam que os ataques seriam uma retaliação contra a transferência de internos do sistema penitenciário cearense. No entanto, em entrevista coletiva, o titular da SSPDS, André Costa, afirmou que ainda é muito cedo para dar uma resposta fechada sobre o caso.

“Chegaram várias informações. Não tem como bater o martelo ainda. A gente vai investigar e descobrir o que causou essa reação. Não tem nada que indique que foi feito por um grupo. Está muito cedo para dar uma resposta fechada. Chegaram informações para nós como a questão das cartas. Já tem até notícias citando fontes, mas sem identificá-las. Tudo isso está sendo encaminhado para podermos dar uma resposta”, assegurou o secretário. Próximo a um dos ônibus atacados, foi encontrada uma carta com ameaças contra veículos e órgãos públicos. O texto, assinado supostamente por uma facção criminosa, também criticava as transferências de detentos.

“Aviso para governo corrupto, se mexer com as unidades prisionais igual estão fazendo iremos parar o Estado do Ceará. É explodir a Secretaria de Segurança e aquele aviso na Assembleia Legislativa do carro bomba vamos fazer valer dessa vez. Governo corrupto parem agora ou o Ceará irá viver um mês de terror atentados e explosões”, afirma um dos trechos da carta.

Incendiados
De acordo com a SSPDS, dos 16 coletivos incendiados, 12 foram atacados nos bairros Barroso (1), Jangurussu (2), Edson Queiroz (3), Barra do Ceará (1), Siqueira (1), Conjunto Palmeiras (2), Parque Dois Irmãos (1) e Aerolândia (1), em Fortaleza, e quatro na RMF, em Maracanaú, Horizonte, Eusébio e Pacajus.

André Costa afirmou que as investigações, até o momento, não apontam para uma ação coordenada. “Não houve necessariamente um planejamento. Foram 16 ônibus atacados, mas não foram 16 pessoas diferentes. Além das pessoas presas, já foram identificadas as outras. A gente está apurando. Se houve coordenação, a gente vai descobrir”, garantiu o secretário.

Ainda conforme o secretário, não foi identificada nenhuma ligação dos ataques ao caso conhecido como a “Chacina do Curió”, tendo em vista que, na última terça-feira, a Justiça revogou a prisão de oito policiais militares acusados de envolvimento na chacina.
André Costa disse que houve uma reunião com o governador Camilo Santana e a titular da Secretaria da Justiça (Sejus), Socorro França, ontem, no Palácio da Abolição. Segundo ele, Camilo reforçou que o Estado não deve recuar das estratégias adotadas para combater a criminalidade. “O Estado não vai recuar, não vai mudar sua forma de agir. A gente não vai se desviar pelo que aconteceu hoje (ontem). Vamos atuar na mesma estratégia, atingindo o crime com mais operações, como temos feito desde janeiro”, argumentou Costa.

Ataques
Além dos veículos queimados, a prática criminosa provocou queimaduras em um motorista, afirmou o Sindiônibus (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará). O trabalhador foi socorrido no Instituto Doutor José Frota (IJF) e não corre risco de morte. “Desde 2014 até abril de 2017, foram incendiados 55 veículos”, informou o sindicato.

Ainda durante a onda de ataques em Fortaleza, um carro da Enel Distribuição Ceará foi incendiado e outro atingido por disparos de arma de fogo no bairro Cidade dos Funcionários. “A companhia repudia atos de violência e acrescenta que os colaboradores não foram feridos”, informou, em nota, a Enel. Além disso, dois veículos da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) também foram alvos de ataques.
Segundo uma testemunha, que preferiu não se identificar, duas pessoas encapuzadas chegaram em uma motocicleta e iniciaram o incêndio no ônibus da linha Antônio Bezerra – Unifor, no bairro Edson Queiroz. O veículo estava parado e vazio no momento do ataque. A dupla ainda tentou queimar outro ônibus, mas o motorista teria percebido a ação e conseguiu fugir.
Conforme o Sindiônibus, os trabalhadores do transporte coletivo e empresários do setor “estão aterrorizados diante de tanta violência e da real e verdadeira ameaça à integridade física e à própria vida dos trabalhadores e dos usuários do transporte coletivo”. Diante da violência, as empresas de ônibus recolheram os veículos e os terminais foram fechados. No início da noite, deu-se início à operação para o restabelecimento do serviço de transporte coletivo em Fortaleza.

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