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Doença pode causar abortos e é um risco na gestação

segunda-feira, 17 de julho 2017

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Pouco conhecida, a trombofilia não faz parte do cotidiano de mulheres, especialmente entre as que planejam engravidar. No entanto, a doença está entre as principais causas de abortos repetidos ou partos prematuros. Caracterizado pelo aumento da predisposição a trombose, que é o surgimento de coágulos sanguíneos em alguma parte do corpo, o problema dificulta o bom funcionamento da placenta, o que traz riscos para o feto.

A trombofilia pode se desenvolver em qualquer período da vida, porém é muito recorrente durante a gravidez, parto e pós-parto. Segundo especialistas, isso acontece devido a uma anomalia no sistema de coagulação do corpo e pode trazer riscos à saúde, sobretudo no caso das gestantes, que têm mais probabilidade de aborto espontâneo.
Mulheres com o problema precisam tomar cuidados extras para diminuir as chances de entupimentos de vasos sanguíneos — que podem causar, ainda, infarto, embolia pulmonar e acidente vascular cerebral (AVC) — durante a gravidez e as primeiras semanas após o parto.

Hereditária e adquirida
De acordo com o ginecologista Fábio Eugênio Rodrigues, especialista em reprodução humana, a trombofilia pode ser hereditária e adquirida. As alterações genéticas causam desequilíbrio em algum dos fatores de coagulação. Muitas vezes só causam trombose se associadas a outra situação de risco.
Já a adquirida é uma condição que aparece em algum momento da vida e aumenta as chances de trombose. Entre elas, a mais frequente e importante é a síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (SAF), porque aumenta sensivelmente as chances de trombose e de abortos sucessivos. A SAF representa cerca de 60% dos casos de trombofilia adquirida. “Do ponto de vista reprodutivo, para a mulher poder engravidar ou manter a gestação sem risco de aborto, a mais grave é a trombofilia adquirida. Essa condição pode provocar a morte do bebê”, explicou o médico.

A ocorrência da trombofilia adquirida é quando a união de determinados fatores provoca o aumento da coagulação do sangue, como cirurgias, reposição hormonal, viagens prolongadas de avião (por causa da pressão) e até mesmo a própria gravidez.

Como o sangue se torna mais espesso, há a chance de que ocorra o rompimento das veias, além da interferência da circulação do sangue para a placenta por causa de uma obstrução. Dessa forma, o fluxo de sangue para o bebê é menor, causando uma redução nos nutrientes que chegam a ele.
Conforme o especialista em reprodução humana, em geral, não há muitos sintomas. “Quando acontecem, são episódios isolados de trombose nos vasos”, observou Fábio Eugênio. A trombose venosa profunda se manifesta, principalmente, nos membros inferiores, causando: inchaço em uma das pernas; dores na perna em qualquer situação; temperatura elevada e tonalidade azulada ou pálida na região inchada; veias superficiais dilatadas.
As gestantes que têm pré-eclâmpsia antes de 34 semanas de gravidez também devem ficar atentas. Outro sinal de alerta é quando a barriga da mãe cresce pouco, pois indica que o bebê não deve estar se desenvolvendo conforme o esperado. Há condições externas que aumentam as chances de trombofilia, como o fumo, uso de hormônios femininos, longos períodos de imobilização, cirurgias e excesso de peso. Outro risco é a gestação gemelar, porque a mulher produz mais fatores de coagulação.

Diagnóstico
Na grande maioria das vezes, como destacou Fábio Eugênio, a trombofilia é assintomática, podendo ser diagnosticada somente após a ocorrência de aborto, óbito fetal ou outro transtorno na gestação. O diagnóstico para confirmação é realizado por meio de exames laboratoriais sanguíneos. A partir da descoberta, é essencial o acompanhamento de um especialista.

É possível tratar a doença com o uso de anticoagulantes que vão desde o AAS infantil (ácido acetilsalicílico) até uso de anticoagulantes injetáveis subcutâneos. Isso se aplica principalmente na gestação. “É possível fazer o tratamento com anticoagulantes e heparina na gravidez até depois do parto, quando a mulher deve fazer uma revisão. É indicado o acompanhamento de um hematologista”, orientou o ginecologista.
Alguns tratamentos podem ser muito caros ou provocar efeitos colaterais nas mulheres. Neste caso, é importante o acompanhamento médico, para analisar qual é quadro da paciente e indicar o tratamento adequado. Para aumentar a eficácia dos medicamentos, é recomendado adotar medidas que previnam os fatores externos que podem elevar os riscos de coagulação como alimentação saudável, atividade físicas, evitar situações de imobilidade e não fumar. “Se precisar fazer uma viagem aérea, por exemplo, a gestante deve evitar viagens muito longas. Ela deve se levantar sempre que possível e procurar caminhar pelo avião”, aconselhou Fábio Eugênio.

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