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Fortaleza realiza manifestação contra a reforma da previdência

quarta-feira, 06 de dezembro 2017

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Uma multidão atravessou a Avenida da Universidade na manhã de ontem, 5, em manifestação contra a reforma da previdência proposta pelo Governo Federal. O protesto é parte de uma iniciativa de diversos movimentos sociais a nível nacional, tendo acontecido também em várias outras grandes cidades do país.

A concentração aconteceu às 8h da manhã, na esquina das Avenidas da Universidade com 13 de Maio, em frente à Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC). Os manifestantes caminharam até a sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na Rua Pedro Pereira, no Centro, em um percurso de cerca de dois quilômetros.

O trânsito estava mais lento nas ruas próximas da Avenida da Universidade, que ficou interditada durante a manhã, assim como um trecho da Avenida 13 de Maio. No entanto, em alguns pontos da avenida os manifestantes abriam espaço para que os veículos passassem, como na esquina com a Rua Juvenal Galeno.

Eliane Almeida, integrante do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direito (MTD) e da Frente Brasil Popular (um dos grupos responsáveis pela organização do evento), considera que é importante que os movimentos sociais se mantenham em vigília contra a votação da reforma: “A gente sabe que a qualquer momento isso pode ser votado”, conta ela.

Aumentará número de anos tanto para o mínimo de contribuição quanto para a idade mínima
de aposentadoria e mulheres
são as mais penalizadas.

Eliane Almeida, integrante
do movimento MTD

Segundo Graça Costa, secretária de relações do trabalho da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a reforma deve representar um retrocesso aos trabalhadores e, particularmente às mulheres. “Vai aumentar o número de anos tanto para o mínimo de contribuição quanto para a idade mínima de aposentadoria, e em meio a isso as mulheres são as mais penalizadas”, diz ela.

Teresinha Braga, que integra a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e o Movimento Médicos pela Democracia, conta que a manifestação é reação à persistência do governo de Michel Temer (PMDB) em passar reformas que devem prejudicar a classe trabalhadora. O protesto se opõe também à reforma trabalhista, que entrou em vigor no dia 11 de novembro, há menos de um mês.

Participação
Estiveram envolvidos na manifestação, também a Frente Povo Sem Medo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a Intersindical, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a Consulta Popular. Pela multidão era possível ver diversas bandeiras de partidos de esquerda, como do Partido dos Trabalhadores (PT), Partido da Causa Operária (PCO) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB), além de bandeiras arco-íris (LGBT).

Havia protestos marcados, em pelo menos, 20 capitais brasileiras, incluindo Maceió, Manaus, Salvador, Brasília, Vitória, Belo Horizonte, São Luiz, Belém, João Pessoa, Recife, Natal, Teresina, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Florianópolis, São Paulo, Aracaju e Palmas, além de Fortaleza. Houve ainda manifestação em cidades do interior do Ceará, como em Sobral e na região do Cariri, conforme Eliane Almeida.
Nem representantes da organização do evento nem a Polícia Militar souberam informar a quantidade de pessoas que compareceram ao ato público.

Entenda razões de protesto
Anteriormente, os movimentos sociais haviam definido o dia 5 de dezembro como a data para uma paralisação geral no país, tendo em vista a votação da reforma da previdência inicialmente marcada para hoje, 6.

No entanto, com a decisão do governo de retirar da pauta do dia 5 a votação da reforma, a greve foi adiada. “Assim que remarcarem a data da votação, nós vamos chamar a greve e vamos parar por tempo indeterminado, uma greve geral”, conta Graça Costa, da CUT.

O presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) declarou na última segunda-feira, 4, que há uma estimativa de entre 325 e 330 deputados dispostos a votar a favor da reforma. No entanto, conta Graça, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) da CUT publicou no mesmo dia uma nota indicando que esse número não chega a 200 votos fechados.

Segundo ela, isso aponta para que hoje quase 200 parlamentares ainda estejam indecisos sobre seus votos, uma vez que sabem que isso poderá representar um risco às suas reeleições em 2018. A perspectiva do presidente da Câmara é de que a reforma seja votada ainda este ano, mas é possível que isso aconteça apenas em 2018.

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