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Fortaleza tem 7,66 assaltos em ônibus por dia

quinta-feira, 06 de julho 2017

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Os assaltos a ônibus em Fortaleza já registram a marca de 1.387 entre janeiro e junho deste ano. O número, divulgado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), indica uma média de 7,66 assaltos por dia na cidade para o primeiro semestre. Essa média supera a registrada durante o ano de 2013, de 6,9 assaltos por dia, que é a maior da série histórica.
Por outro lado, em junho foi registrada a primeira queda do ano na comparação com o mês imediatamente anterior, na proporção de 19,87%, baixando de 297 assaltos em maio para 238 em junho. Até o momento, o mês com maior número de ações criminosas foi abril, com 293 assaltos, tendo representado um acréscimo de 35% frente a março. O número vinha crescendo ininterruptamente desde janeiro, que teve 155 assaltos a ônibus registrados.

Conforme André Costa, titular da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS), as recentes ações de combate à criminalidade no transporte público por parte da Secretaria em parceria com o Sindiônibus e a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) contribuíram para o recuo desse número no último mês.

Desde o final de junho, equipes de policiais fazem abordagens diárias nos ônibus que trafegam pela Capital, de modo a reduzir a criminalidade. Essas abordagens são feitas a partir de dados fornecidos pelo Sindiônibus sobre os locais e horários estratégicos em que costumam ser feitos os assaltos. “São centenas de abordagens feitas em todas as Áreas Integradas de Segurança (AIS) da cidade, além de outras três da Região Metropolitana”, conta o secretário. Segundo ele, isso significa que são pelo menos 78 policiais atuando nessas operações diariamente.
Segundo Dimas Barreto, presidente do Sindiônibus, a insegurança é hoje a principal reclamação dos passageiros de ônibus em Fortaleza. Ele destaca que três quartos da população da Capital usa o transporte público, com cerca de 1,5 milhão de passageiros usando o serviço todos os dias na Região Metropolitana.

Os dados, apesar de positivos para o último mês, ainda indicam uma situação crítica, com o número de assaltos ainda sendo maior do que o observado em cada um dos três primeiros meses do ano. As ações de abordagem nos coletivos são a primeira medida da parceria firmada entre o Governo do Estado e as empresas de ônibus para combater as ações criminosas. O Grupo de Trabalho, como foi denominada a equipe, teve sua primeira reunião oficial na manhã de ontem, 5, na sede da SSPDS.

Perfil dos assaltantes
De acordo com André Costa, além dos pontos e horários específicos em que os criminosos atuam, os dados são capazes de indicar também o perfil deles. Grande parte é composta por adolescentes, o que, conta ele, acaba sendo um desafio maior aos agentes de segurança, porque esses infratores costumam ser rapidamente postos em liberdade após serem presos. “Isso gera neles uma sensação de impunidade, o que faz com que tendam a retornar às condutas delitivas”, diz.
Além disso, na maioria dos casos os assaltantes não portam armas de fogo, carregando em vez disso facas ou simulacros (imitações que não são capazes de disparar). No entanto, mesmo que não se enxergue uma arma, a orientação é não reagir, devido à possibilidade de o assaltante realmente estar armado, o que, como conta André, em um veículo cheio de passageiros é um risco que não vale a pena correr. Conforme informações colhidas em entrevistas com alguns dos infratores, foi apurado que os criminosos costumam fazer pelo menos dois assaltos por dia.
Antes de voltar a subir este ano, o número de assaltos em coletivos vinha registrando queda com o passar dos anos: entre 2013 e 2016, o número de casos diminuiu cerca de 39% em Fortaleza. Um fator que colaborou para isso, segundo Dimas Barreto, foi a crescente adesão ao uso do Bilhete Único, o que diminuiu a presença de dinheiro em espécie nos ônibus. O aumento das ações criminosas, diz ele, pode ser em parte atribuído a uma maior proliferação do crack: “Pelo alto poder viciante e por ser uma droga barata, o assalto que não interessava mais, de R$ 20 ou R$ 30, voltou a interessar”.

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