domingo, 25 de agosto de 2019.
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Fui escolhida por Jeremias

segunda-feira, 22 de abril 2019

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Era uma sexta-feira à tarde de um dia qualquer. O ano era 2007. A dentista Ana Cláudia dos Santos Vieira da Fonseca havia decidido desenvolver um trabalho voluntário e escolheu o abrigo Casa de Jeremias, em Fortaleza.
Ela pretendia visitar as crianças do local, ensinar técnicas básicas de escovação, efetuar doações de mantimentos e doação de tempo àquelas crianças. O que ela não sabia era que aquela visita mudaria para sempre a sua vida.

E a mudança começou no exato momento em que o menino Jeremias, àquela época aos nove meses de idade, de dentro do berçário, em meio a tantas outras crianças, olhou e sorriu para ela. Aquele sorriso sem dentes, mas cheio de amor, tocou imediatamente o coração da despretensiosa voluntária. Aquele sorriso abriu para os dois uma vida nova, que começou a ser escrita naquele exato momento.

“Eu lembro que ele tinha sido o último a acordar. E foi exatamente no momento em que eu entrei no quarto em que ele estava. Aquele sorriso foi uma paixão à primeira vista, uma sensação que não sei descrever até hoje. Foi impressionante aquele sentimento. Imediatamente já peguei ele no colo e sempre que ele me olhava, mais eu me apaixonava”, conta ela saudosa.

Tomada por um sentimento arrebatador, Ana Cláudia, que já era mãe biológica de Ieremies, à época com 7 anos, decidiu adotar o menino que havia sorrido de forma tão espontânea para ela naquela tarde, e cujo nome atendia por Jeremias. Uma coincidência ainda mais peculiar, pois é o nome do seu primeiro filho em árabe.

“Eu fui escolhida por ele. Sempre soube disso. Naquele momento, eu soube disso. Uma sensação que não se pode explicar. Ele veio ao mundo para estar nas nossas vidas. É o meu filho do coração e foi isso que eu sempre disse a ele”, diz Ana Cláudia.

Adoção
Sem ter como voltar atrás, a dentista decidiu adotar Jeremias e tomou para si todo o processo burocrático que a adoção envolveu em razão dos seus trâmites legais. Sem jamais desistir, percorreu o passo e após pouco mais de um ano Jeremias estava de vez em seus braços. “No dia que soube que poderia pegá-lo no abrigo e levá-lo de vez para casa foi emocionante. Estava chegando para pegar meu outro filho no colégio e tremia de tanta emoção”, diz.

Desde setembro de 2008, quando tinha um ano nove meses, a vida de Jeremias, aquele menino que havia sido abandonado no hospital pela genitora biológica ganhou um novo sentido, ao unir-se à de Ana Cláudia e à de Ieremies, seu irmão mais velho.

Hoje, aos 12 anos, o menino vive feliz e rodeado de amor. “Nós somos muito felizes e unidos. Eu sou uma pessoa muito aberta e sincera com os meus filhos. Sou rigorosa no sentido de ser muito clara em tudo, pois não admito mentiras. Isso também passa para ele uma certa segurança. Sou muito firme e clara. Não deixo escapar o senso de que ele tem alguém olhando por ele sempre, que estou perto, tanto para chamar atenção quando para dar carinho. Somos muito parceiros. Fazemos muitas coisas juntos, desde assistir filmes a ouvir músicas”, explica.

Ana Cláudia jamais teve dúvidas do que disse a ela o destino naquela tarde de um dia qualquer de 2007. Até porque, quando o amor te escolhe, não há motivos para duvidar. Essa história feliz de uma adoção feliz não tem fim porque Ana Cláudia e Jeremias continuam escrevendo suas histórias juntos…

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