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Maconha: desmitificando uso recreativo do medicinal

segunda-feira, 19 de junho 2017

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No último 16 de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) incluiu a Cannabis sativa, nome científico da maconha, na Lista Completa das Denominações Comuns Brasileiras (DCB), que é a relação de plantas com potencial medicinal. A inclusão significa que os fabricantes de fármacos só podem registrar medicamentos cuja substância encontra-se nesta lista, para que, então, o órgão possa analisar. Contudo, é preciso desmistificar que nada tem em relação à liberação do uso recreativo, comercialização ou plantio da erva, que continua sendo proibido no Brasil.
Em nota oficial, a Anvisa reitera que a medida não altera as regras para importação de medicamentos com canabidiol ou outros extratos, e que a mesma não autoriza ou reconhece o cultivo da Cannabis como planta medicinal. A planta da maconha contém mais de 400 substâncias químicas, entre elas o tetrahidrocarbinol (THC) e o canabidiol (CBD), que são os mais estudados para fins medicinais. Ambos foram retirados da lista de substâncias proibidas do órgão regulador, respectivamente, em 2016 e 2015, mas a aceitação do THC ainda é contestada.
Preocupada com os desdobramentos de ativistas que pedem a legalização da erva, a Comissão de Políticas Públicas sobre Drogas da OAB-CE, fala da diferença do uso recreativo da maconha para o uso medicinal.
“Nosso objetivo, enquanto comissão, é se posicionar em relação a questão da diferença entre o canabidiol, que é uma das 400 substâncias da Cannabis sativa, e a maconha fumada no uso recreativo. São duas coisas completamente diferentes. O canabidiol, sem nenhuma das outras substâncias, a comissão apoia no sentido de que deve ser extraído, efetivamente, da folha de maconha e depois processado em laboratório para que possa ser usado como medicamento. Dessa forma, todas as substâncias que estão na maconha, que podem ser extraídas e processadas, depois de maturadas, se fizerem bem, comprovadamente, à saúde, a comissão não vê qualquer tipo de restrição. A restrição é como a maconha está sendo consumida, hoje, pelos jovens”, disse Roberto Lasserre, membro da comissão.

Riscos
O advogado explica que quem consome a maconha, confundidos com “a onda de legalização”, conforme falou, acabam achando que a planta não faz mal à saúde. “É comprovadamente uma substância que faz muito mal para os efeitos psicológicos, psiquiátricas e cerebrais, problemas nos neurônios, dificuldade de aprendizado, potencialização de desenvolver a esquizofrenia, que aumenta em 30% a possibilidade. Aumenta também a possibilidade de câncer, porque enquanto o cigarro passa 24 horas na corrente sanguínea, a maconha chega a passar quatro dias ou mais, produzindo efeito que tem quatro vezes mais potencial de causar câncer do que o cigarro comum, e poucas pessoas sabem”, destacou Laserre.
Ainda de acordo com Lasserre, sobre o THC, que é a substância alucinógena da maconha, a comissão é contrária. “Ele influi diretamente na área psicomotora. O THC aumenta em torno de 40% o potencial da erva”. Segundo a presidente da comissão, Rossana Brasil, o posicionamento é fundamentado em fontes como os pesquisadores Ronaldo Laranjeira e Fábio Gomes de Matos. Ela ressaltou, ainda, que a posição é apenas da comissão e não da OAB Ceará.

De acordo com o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e psiquiatra, Fábio Gomes de Matos, o THC é responsável pelos efeitos que a maconha produz no cérebro, causador de dependência, perda de memória, esquizofrenia, psicose e pode induzir ao suicídio. “De mais de 400 substâncias da maconha, apenas o canabidiol é medicinal e usado para crises compulsivas e dores intensas. Apenas ele tem o uso terapêutico. As pessoas proponentes à legalização da maconha dizem que ela é terapêutica, óbvio que não, por conta do THC que traz malefícios”, disse.

Consumo
Para o psiquiatra, é preciso esclarecer que o canabidiol misturado às outras substâncias é prejudicial. “Se você precisa usar para a saúde, porque vai fazer bem, tudo bem, mas fumar a maconha para uso recreativo, alegando que faz bem, é uma falácia”, afirmou o Matos. Ele citou ainda o exemplo da Papola, um tipo de planta que contém a heroína e a morfina. “A heroína não é terapêutica, a morfina, sim”, concluiu. A morfina é utilizada para tratamentos de dores causada pelo câncer.
Roberto Lasserre também citou o medicamento Captopril, extraído do veneno da Jararaca para diminuir a pressão. “Você vai querer ser mordido pela Jararaca para diminuir sua pressão? Não, você morre. Entendo que a pessoa se sente melhor com a maconha porque quando ela consome a maconha, tem esse potencial de deixar mais relaxada, que sente menos dor naquele momento, mas não há benefício nenhum. É preciso maturar, analisar, jogar a ciência em cima, fazer os testes que podem demorar anos, depois que se comprova que faz bem, é que se disponibiliza em formato de remédios. Não é como os legalistas querem dizer, que você, hoje, consumindo a maconha natural vai extrair qualquer benefício com ela”, explicou Lasserre.

O que é Mevatyl

O Mevatyl® é o primeiro medicamento aprovado e registrado pela Anvisa no Brasil à base de Cannabis sativa. Ele possui em sua composição, (tetraidrocanabinol (THC), 27 mg/mL + canabidiol (CBD), 25 mg/mL), canabinoides obtidos a partir da Cannabis sativa, na forma farmacêutica solução oral (spray).
É indicado para tratamento sintomático da espasticidade moderada a grave, relacionada à esclerose múltipla. Contudo, devido ao THC presente na fórmula, não é indicado ao tratamento de epilepsia, podendo ser agravante às crises. O medicamento já foi aprovado no Canadá, Estados Unidos, Suíça, Israel, Alemanha e Dinamarca.

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