quarta-feira, 16 de janeiro de 2019.
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Toque de recolher obriga comércio a fechar

quarta-feira, 09 de janeiro 2019

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Mais um dia de violência e medo para os cearenses. No sétimo dia de ataques criminosos, o comércio de Fortaleza e região metropolitana voltou a fechar as portas, após novas ameaças de toque de recolher por membros de facções. Em alguns bairros da Cidade, comerciantes foram intimados a fecharem as portas até às 10 horas da manhã de ontem.

No bairro Pirambu, onde o comércio é intenso em praticamente todas as ruas, com lojas dos mais diversos ramos, o dia de ontem foi atípico, tudo fechado. De acordo com uma moradora, ainda na noite de segunda-feira (7), por volta de 19 horas, homens encapuzados passaram pelas ruas obrigando todos os estabelecimentos fecharem. Na manhã de ontem, o alvoroço começou aproximadamente 9 horas. “Eles passaram de moto, gritando para todo o comércio fechar as portas até as 10 horas e rapidamente tudo já estava fechado”, conta a dona de um pequeno comércio que tem dentro da própria casa.

Na Rua Nossa Senhora das Graças e Avenida Doutor Theberge, que formam o maior corredor comercial do bairro, logo cedo, o movimento de pedestres e lojistas já estava fraco, com alguns estabelecimentos que não chegaram a abrir. O cenário era assustador, segundo relato de alguns moradores. Muitas viaturas da polícia e helicópteros ocuparam a avenida em busca dos suspeitos. Outra moradora, que não quis ser identificada, relatou o medo. “Estou assustada. Passei por um deles [criminosos], quando ia no mercantil e eles estavam ordenando fecharem tudo. Voltei para casa me tremendo toda”, disse assustada com a situação.

O comércio também ficou fechado, novamente, no bairro Sapiranga. Na segunda-feira, bares e restaurantes localizados na Avenida Edilson Brasil Soárez já haviam fechado as portas o dia todo e assim permaneceram ontem. A mesma situação foi registrada em outros bairros como Conjunto Palmeiras, e Nova Metrópole, em Caucaia. Na Barra do Ceará, dois criminosos foram presos por ameaçarem os comerciantes.

Capturados
A série de ataques criminosos teve início na quarta-feira (2). Desde então, 159 ações contra coletivos, prédios públicos, agências bancárias e coletivos foram registrados. Até o fechamento desta matéria, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que 168 pessoas foram autuadas por envolvimento nas ações criminosas em todo o Estado. Do total, 143 adultos foram presos e 25 adolescentes apreendidos. O órgão reforçou que as investigações estão concentradas na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

Recomendação
Médicos de Fortaleza e dos demais municípios cearenses, que estejam sofrendo com a onda de ataques violentos, foram orientados pelo Sindicato dos Médicos do Ceará a não comparecerem aos seus locais de serviço até que lhe sejam asseguradas as condições mínimas de segurança. A informação foi emitida, por meio de nota pelo sindicato, alegando uso de suas atribuições legais para tal recomendação.

De acordo com a nota, relatos graves foram repassados à entidade, desde assaltos à toques de recolher. “Desta maneira, com o objetivo de resguardar a vida dos médicos e da população, o sindicato orienta que os profissionais preservem a sua integridade física até que a situação extrema e inaceitável de violência esteja sob controle, especialmente, aqueles que atuam nos postos de saúde da Capital, tendo em vista a retirada das equipes de segurança pela Prefeitura”, informou a nota.
O sindicato assegurou aos profissionais apoio jurídico irrestrito e afirmou que oficiará tanto as prefeituras quanto Governo do Estado sobre a decisão, além de solicitar plena segurança nas unidades de saúde. “Esta recomendação serve como notificação aos órgãos públicos quanto à ausência dos médicos contratados, estando, portanto, o sindicato de prontidão para atender qualquer convocação do poder público no sentido de representar todos os seus associados”, informou.

Alerta contra fake news

• O Ministério Público do Estado do Ceará se pronunciou, ontem, acerca da situação caótica de Fortaleza e região metropolitana por meio de uma nota recomendando à população que não compartilhe nas redes sociais conteúdos repassados, supostamente, por facções criminosas. O MPCE lembrou que a circulação de fotos, áudios e vídeos sem a devida comprovação aumenta ainda mais o clima de terror que assola o Estado.

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