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Trio é preso por crime de morte no bairro Farias Brito

terça-feira, 14 de novembro 2017

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FOTO BETH DREHER

Três indivíduos foram presos suspeitos de serem responsáveis pelo assassinato de um desafeto no bairro Farias Brito. A operação foi executada pela Polícia Civil do Estado do Ceará através de uma parceria entre a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e o 3º Distrito Policial. As investigações apontam que o crime dizia respeito a conflitos dentro de uma facção criminosa.

Os presos são Nilson Lopes Saraiva, conhecido como Nilsinho, Carlos Henrique Pereira Santos, vulgo Cabeção, e Leandro Lima da Silva, vulgo Corcoran – Nilson sendo o mandante do crime e os outros dois os executores. No momento da execução, a vítima, Francisco Ricardo Rodrigues de Lima Júnior (vulgo Papada), foi atingido enquanto conversava com outras três pessoas, que também foram feridas.

Nilson foi preso no dia 27 de outubro pela Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD), já Leandro foi capturado pelo 3º Distrito Policial e Carlos Henrique a partir de mandado de prisão da própria DHPP, no último dia 9.

Patrícia Sena, delegada da DHPP, conta que o primeiro disparo foi dado por Carlos Henrique. Após sair do local do crime, Leandro voltou e atirou mais duas vezes na cabeça da vítima. Carlos Henrique também foi atingido na ocasião, mas não se sabe quem foi o autor do disparo.

Conforme as informações apuradas, Francisco Ricardo atuava como traficante na área da cidade em questão e participava da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE). Ele tinha intenção de abandonar o grupo e Nilson, como o líder do grupo naquele território, não concordava com isso, decidindo então tirar sua vida. Conforme a família da vítima, a intenção dele ao sair da facção era mudar de vida e parar com o tráfico de drogas.

Segundo a polícia, Leandro já é velho conhecido da DHPP, que conduziu inquérito em que ele foi apontado também como o autor de outro homicídio em 2015, quando foi preso. Carlos Henrique, por sua vez, parece ter chegado recentemente à região e à facção criminosa, tendo passado quatro anos preso e mais de três anos atuando sob o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os homens foram autuados por homicídio e tentativa de homicídio.

Contradições
Segundo Leonardo Barreto, diretor da DHPP, Carlos Henrique nega participação no crime. Segundo ele, na ocasião estava conversando com um vizinho na calçada e um carro passou com alguém atirando de dentro e acabou o atingindo. No entanto, segundo o delegado, os indícios são fortemente desfavoráveis à versão que ele conta.

Um dos fatores que apontam a direção contrária da história é o depoimento de Leandro, que admite a autoria do crime e inclui Carlos Henrique na história. Outro é o depoimento de uma das vítimas que saíram feridas do local do crime: das três pessoas atingidas além do homem assassinado, uma delas foi internada no Instituto Dr. José Frota (IJF), onde Carlos Henrique também deu entrada no mesmo dia. “A testemunha foi muito contundente em reconhecer Carlos Henrique como autor dos disparos, inclusive decorou o nome dele quando o enfermeiro falou no leito”, conta Patrícia.

A postura de Carlos Henrique, segundo o diretor, não é a mais comum hoje em dia: ele conta que, diferente de algum tempo atrás, hoje em dia os criminosos não têm receio de admitir e reivindicar esse tipo de crime. “Agora vira como se fosse um status dizer que assassinou, matou, e quanto mais crueldade parece que para eles tem significância maior, até para causar medo tanto na facção rival quanto no cidadão de bem”, explica ele.

Leonardo conta que os casos de assassinatos com alto teor de crueldade (com esquartejamento, decapitação, etc.) estão amplamente relacionados a situações semelhantes de conflito entre grupos criminosos, com claro objetivo de intimidação.

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