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sábado, 31 de julho de 2010. Fortaleza, Ceará, Brasil.

Opinião

quinta, 18 de junho de 2009
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Programa de Aceleração de Campanhas

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A ministra Dilma Roussef esteve ontem (17) no Ceará para “avaliar” o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na verdade, todos sabem que ela está em campanha eleitoral para a Presidência da República como candidata do governo em 2010.

Há nisso tudo uma dupla intenção. Primeiro a de construir, como peça de propaganda política, a imagem da mulher competente. Segundo, dar a impressão de que o PAC saiu do papel. Em síntese, a mensagem da visita é clara: o andamento das obras depende da “avaliação” da ministra. Fica a sugestão de que se as coisas não são feitas da melhor forma, Dilma então terá que agir para que tudo siga nos conformes.

Todo o truque consiste na palavra “avaliar”. Se o substituímos por “inaugurar”, a impressão de competência se desfaz na ausência de resultados concretos. A ministra inaugurou alguma obra? Não. Como de praxe, não há nada para ser inaugurado. Por isso, o melhor momento de sua passagem foi a entrevista coletiva concedida na sede do Banco do Nordeste, onde a ministra, junto com o governador Cid Gomes, apresentou um balanço do PAC no Ceará. Os números sempre conferem credibilidade e verossimilhança aos discursos e às promessas. Segundo a dupla, 18% das obras do programa, iniciado em 2007, foram concluídas no Ceará. Uma incrível média de 9% ao ano. Dando crédito à informação, restam agora apenas 82% que, no ritmo atual, serão entregues daqui a nove anos, em 2018.
Apesar disso, Cid e Dilma censuraram os que acusam a lentidão do PAC. O governador chegou a dizer que seus críticos são aqueles que “não fizeram nada e agora procuram achar defeitos”. Ainda que fosse assim, resta dizer que mesmo quem nunca fez nada tem o direito de cobrar os que conseguiram votos com as promessas do PAC, afinal, trata-se de um compromisso do gestor público com o eleitor. Não se faz obra para agradar ou desagradar adversários, mas para contemplar uma demanda da sociedade.

Ademais, convenhamos, se o PAC fosse tudo o que dizem os governistas, não seriam necessárias tantas assertivas de validação. Juraci algum dia fez coletiva para garantir que o IJF havia sido construído? Tasso Jereissati precisou mostrar balanço para provar que o Aeroporto Pinto Martins, o Porto do Pecém ou o Castanhão, eram uma realidade? Não. Obra de verdade não pode ser escondida.

Quando uma afirmação é irrefutável? A resposta é simples. Quando os fatos contidos na afirmação são evidentes por si mesmos, isto é, passíveis de ser conferidos por todos a qualquer instante. Não há contestação que resista ao exame da prova concreta. Ninguém pode lançar suspeição sobre a cor do céu ou sobre a existência da Pedra da Galinha Choca, pela singela evidência de que ambos existem e que estão ali, expostos aos olhos de qualquer um. Nesse sentido, buscar negar uma realidade que é patente ao público não passa de charlatanice das grossas, exploração da ingenuidade e boa-fé alheia. Com o PAC não é diferente. www.wanfil.blogueisso.com

Wanderley Filho
Historiador



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