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quarta, 10 de dezembro de 2008
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Adolescentes trocaram experiências por nove dias

70 jovens da Venezuela, Nicarágua e Brasil participaram da Pasantía

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Durante nove dias, 70 adolescentes da Nicarágua, Venezuela e de outros estados do Brasil, estiveram participando da Pasantía (Intercâmbio), que foi encerrada na tarde de ontem, no Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca). O objetivo do encontro foi trazer à tona a participação de crianças e adolescentes na tomada de decisões em nível nacional e internacional para o cumprimento real de direitos, além de proporcionar a integração do fortalecimento das redes regionais e nacionais, promovendo, assim, a capacitação e o intercâmbio de experiências.
“Eles visitaram o Jangurussú, viram de perto a dura violência policial que acontece naquela região. Fizemos os percursos urbanos para conhecer as dificuldades em Fortaleza.

Visitamos o assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, em Caucaia. Tivemos também passeios culturais, oficinas de capoeira, teatro, adubo orgânico, dança, fantoche. Além do seminário ‘Realidade dos direitos de crianças e adolescentes da América Latina’, onde discutimos a situação atual, detalhou a assessora jurídica do Cedeca, Talita Maciel.

O cearense, Bruno Ribeiro, 15, da Rede Opa (Orçamento e participação ativa), responsável pela organização da Pasantía, destacou a importância do intercâmbio. “É bom saber que não estamos sós. A lei é bonita, mas não sai do papel, da fantasia de quem a fez”, frisou. Para a Venezuelana Gabriella Gonzalez, de 17 anos, o Brasil está cercado de exploração sexual e trabalho infantil. “Na Venezuela também tem, mas é bem menos. O índice de violência lá é muito alto. As leis são similares as daqui. A diferença é que lá as crianças participam das criações. Essa experiência está sendo enriquecedora”, comentou.

Da zona rural e montanhosa de Tuma - La Dalia, Nicarágua, para Fortaleza. Everht Mejía, 16, viu o mar pela primeira vez e já conseguiu traçar paralelos. “É muito diferente a Beira-Mar e o Pirambú”. Em relação à situação das crianças e adolescentes de seu país, Everht comentou que esta é a época da colheita do café, e que muitas trabalham carregando peso além de sua capacidade. “Tem muito trabalho infantil e prostituição. A lei 287 diz que todos os maiores de cinco anos devem se integrar a uma organização. Isso funciona. O único problema são os pais que muitas vezes não entendem. Meu pai, por exemplo, depois que a organização foi na minha casa explicar que ele ficou consciente”, explicou.

Após todas as trocas de informação, perguntamos ao cearense Cid Martins, 16, em qual local ele queria morar. “Na Venezuela. É mais diferente. A maioria das escolas públicas são de tempo integral. Os transportes públicos são muito bons”, elogiou.

O encerramento ficou marcado com a pintura da bandeira da América Latina feita pelos participantes. “Eles têm que preencher os espaços com os sentimentos dos nove dias”, observou Margarida Marques, da coordenação do Cedeca. Frases e desenhos foram feitos ao som de “América, sou teu filho e digo: um dia quero ser livre contigo”.



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