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Argentina: sindicalistas anunciam greve

sexta-feira, 17 de março 2017

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Quando assumiu a Presidência da Argentina, em 2015, Mauricio Macri prometeu que a economia daria sinais de melhora no segundo semestre de 2016. O período chegou com inflação ainda maior que a da data da posse (de 30% para 40%) e sem perspectivas de retomada do crescimento (2016 teve queda de 1,8% do PIB), e as inquietações começaram.

O governo pôs, então, uma nova data para a decolagem do país, o início de 2017, com a previsão de que as coisas só iriam melhorar no fim do ano. Segundo Macri, o PIB voltaria a crescer em 3% e a inflação cairia até uma faixa entre os 12% e os 17%.

Só que nada disso aconteceu até agora, e a paciência com o discurso do governo, para alguns setores, já está acabando. Depois de irem às ruas no último dia 7, os principais sindicatos do país, comandados pela CGT (Confederação Geral do Trabalho) anunciam greve geral e nacional para o dia 6 de abril.
“É uma medida de força pelo mal-estar generalizado que há em vários setores da população”, disse nessa quinta (16) o secretário-geral da CGT, Juan Carlos Schmid.

Os trabalhadores reivindicam que seus salários sejam reajustados de acordo com a inflação real, mas o teto que o governo sugere está bem abaixo dos 40%. Além disso, querem limites à liberação das travas para as importações, pois isso causou demissões na indústria local. Por fim, pedem a redução da inflação e que tarifas básicas (água, eletricidade, gás e transporte) deixem de subir.

Esses serviços recebiam, durante o kirchnerismo, subsídios que faziam com que os argentinos pagassem taxas irrisórias. Desde que Macri assumiu, passou a retirar esse benefício, causando aumentos de até 700%.

Aumentos
A aproximação do inverno, com a perspectiva de mais gastos com calefação, tornou esse item ainda mais urgente. O governo diz que os aumentos continuarão, mas que serão “graduais”. Ainda que a política de ajustes seja considerada necessária pela maioria dos analistas, o peso no bolso do cidadão de classe média é pesado. “Chego com o dinheiro justo ao fim do mês, não aguento um centavo a mais de aumento de nada”, disse à Folha a professora Jenny Coria.

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