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Assad critica EUA no Conselho de Segurança

segunda-feira, 16 de abril 2018

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O presidente da Síria, Bashar al Assad, criticou, ontem, o que chamou de “campanha de falácias e mentiras” contra seu país por parte de Estados Unidos, França e Reino Unido no Conselho de Segurança da ONU, durante uma reunião em Damasco com deputados russos. A informação é da agência EFE.

“A agressão tripartite com mísseis contra a Síria foi acompanhada de uma campanha de falácias e mentiras no Conselho de Segurança por parte dos mesmos países agressores contra a Síria e a Rússia”, alegou Assad, segundo um comunicado divulgado em sua conta no Telegram.

O líder sírio disse ainda que Rússia e Síria “não só estão em uma batalha contra o terrorismo, mas também para proteger a lei internacional baseada no respeito à soberania dos Estados soberanos e à vontade dos seus povos”. Ainda segundo o comunicado, Assad fez estas declarações durante um encontro com uma delegação do partido Rússia Unida, ao qual o presidente russo, Vladimir Putin, é filiado.
A agência de notícias estatal síria (Sana) acrescentou que os parlamentares russos afirmaram que “a agressão tripartite contra a Síria é uma violação clara das convenções internacionais e ocorreu em um momento em que os sírios tentam restaurar a estabilidade e continuar o processo de reconstrução”.

70 mísseis
Assad elogiou aos parlamentares russos os velhos sistemas de defesa antiaérea do país, de origem soviética e que, segundo ele, derrubaram mais de 70 mísseis lançados no ataque conjunto de Estados Unidos, Reino Unido e França na madrugada de sexta-feira para sábado.

Segundo o deputado Dmitri Sablin, que participou da reunião, Assad disse que o bombardeio foi repelido com foguetes fabricados nos anos 70. “Os filmes americanos nos dizem que o armamento russo é antiquado, mas agora vimos quem realmente está atrasado”, afirmou o presidente sírio, segundo Sablin.
O parlamentar disse a jornalistas de seu país, em Damasco, que Assad calcula em US$ 400 bilhões a conta para reconstruir o país árabe depois da guerra. Segundo Sablin, Assad prometeu dar preferências às empresas russas na reconstrução da Síria e vetar a participação de companhias ocidentais em licitações.

O ataque com mísseis contra várias instalações militares sírias foi dirigido, segundo Washington, a locais onde eram produzidas e armazenadas armas químicas, incluindo as que teriam sido usadas no suposto ataque contra a cidade de Duma, na província de Ghouta Oriental.
Segundo a Rússia, entre os alvos do ataque estavam um centro de pesquisa científica em Damasco, um quartel da Guarda Republicana, uma base de defesa antiaérea, vários aeroportos militares e armazéns com armas. O chefe do Kremlin denunciou ontem que a “agressão” à Síria ajuda os terroristas que atuam no país árabe e advertiu que o ataque ameaça o sistema de relações internacionais.

Certeiro
Donald Trump defendeu, ontem, em sua conta no Twitter, o uso da expressão “missão cumprida” para se referir aos ataques à Síria de sábado. Segundo ele, a missão foi “tão perfeita, com tamanha precisão, que o único jeito que a mídia de fake news pode diminui-la foi por conta do meu uso do termo missão cumprida”. “Eu sabia que se apegariam a isso, mas eu achei que era um termo militar tão bom que deveria ser retomado. Use-o com frequência”, escreveu ele.

O uso do termo por Trump, no último sábado, evocou comparações com George W. Bush, que, em 2003, se postou sob uma faixa em que estava escrito “Missão Cumprida” e declarou que as operações de combate no Iraque teriam terminado, seis semanas após a invasão. Mas a guerra se arrastou por anos.

Fique por dentro do conflito
Na última sexta-feira, os Estados Unidos, seguindo ordens de Donald Trump, lançou uma ofensiva aérea contra a Síria, em represália ao suposto ataque químico que matou 40 pessoas na semana passada. A Casa Branca diz que o ato em questão teria sido ordem do ditador sírio, Bashar al-Assad.
Segundo Trump, o lançamento de 58 mísseis liderado por Washington teve como objetivo destruir cerca de um quinto da Força Aérea síria. A ação teve participação de militares do Reino Unido e da França, que anunciaram apoio aos EUA há dois dias.

O presidente norte-americano mandou ainda alertas a Moscou e Teerã, acusando-os de “apoiar, equipar e financiar o regime criminoso” do ditador Assad. De acordo com Trump, Moscou fracassou na promessa feita há cinco anos de eliminar as armas químicas na Síria, e a reação dos EUA e seus aliados são uma resposta direta, acrescentando que o Kremlin precisa “decidir se vai prosseguir nessa rota escura”.
“Que tipo de nação quer se associar ao assassinato em massa de homens, mulheres e crianças inocentes? As nações do mundo só podem ser julgadas pelos amigos que têm. Nenhuma nação pode prosperar ao promover ditadores assassinos”, afirmou Trump.

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