sábado, 17 de agosto de 2019.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Brasil critica iniciativa da UE para mediar crise venezuelana

sexta-feira, 08 de fevereiro 2019

Imprimir texto A- A+

O governo brasileiro afirmou que a iniciativa de mediação da crise venezuelana liderada pela União Europeia e pelo Uruguai “só vai retardar” o fim da ditadura na Venezuela. “Essa iniciativa é pouco produtiva, só vai retardar o fim do regime ditatorial da Venezuela e dar espaço de respiração a Nicolás Maduro e seu grupo; nós achamos que não é por aí o caminho”, disse em entrevista coletiva o chanceler Ernesto Araújo, em Washington.

O ministro está nos EUA para organizar a visita do presidente Jair Bolsonaro ao líder americano Donald Trump. Segundo Araújo, a data da visita já está “quase 100% confirmada”, e deve ser no início da segunda quinzena de março. Nessa quinta-feira (7), o chamado Grupo Internacional de Contato sobre a Venezuela, que reúne representantes da União Europeia e América Latina, anunciou que irá enviar uma missão técnica ao país latino-americano para ajudar em questões de ajuda humanitária e dar apoio a novas eleições assim que possível.

A Rússia e a China ainda apoiam Maduro e vêm se posicionando contra qualquer tipo de intervenção por Washington ou outros países. “Cada dia a mais que Maduro tem no poder significa mais sofrimento, fome e desespero”, disse Araújo. “Esperamos que os russos e outros (que apoiam Maduro) enxerguem isso”. O chanceler brasileiro fez críticas à iniciativa do Grupo de Contato, que se reuniu sem a presença de um representante do governo interino de Juan Guaidó nem de representante do regime de Maduro.

Presidente da Assembleia Nacional, de maioria oposicionista, Guaidó se declarou presidente interino da Venezuela em 23 de janeiro, alguns dias depois de Maduro iniciar novo mandato. Algumas horas depois, já colhia o apoio dos Estados Unidos e de vários latino-americanos, como Brasil, Colômbia, Chile e Peru. “O caminho é reconhecer o governo de Guaidó como a única autoridade legítima do país, e discutir as condições para a saída de Maduro, que não é mais parte legítima de nenhum diálogo”, disse Araújo. “[O Grupo de Contato] parte das premissas erradas e não trará resultados esperados.”

Em Washington, Araújo se reuniu com John Bolton, o assessor de segurança nacional dos EUA, Mike Pompeo, secretário de Estado e com o senador Marco Rubio, voz mais influente do Congresso em política para América Latina. Ele também encontrou a advogada indicada por Guaidó para representar a Venezuela no Brasil, María Teresa Belandria, que chega a Brasília na segunda-feira.

Negócios
A embaixada venezuelana no Brasil funciona apenas com encarregado de negócios desde 2017. O Brasil também não tem embaixador na Venezuela, desde que Rui Nogueira foi considerado persona non grata pelo regime Maduro e não pôde retomar suas funções. “A presença dela no Brasil será extremamente útil, ela é uma pessoa que conhece a realidade na Venezuela. Um representante do governo Maduro só nos daria a visão oficial do regime, uma coleção de mentiras e irrealidades que não tem utilidade nenhuma.”

Na capital americana, o chanceler também esteve com presidente da comissão de relações exteriores da Câmara, o democrata Eliot Engel. Em janeiro, Engel enviou carta ao secretário de Estado para repreendê-lo pela aproximação com Bolsonaro, por suas “ações que miram grupos marginalizados, particularmente as populações LGBT, indígena e afrobrasileira”. Araújo também se reuniu com o representante de comércio dos EUA , Robert Lighthizer, e com o secretário geral da OEA, Luís Almagro.

O chanceler foi indagado por uma jornalista do site conservador Breitbart, que já foi comandado por Steve Bannon, se temia uma confrontação militar na Venezuela e envio de tropas. Araújo foi taxativo. “Não estamos em nenhuma discussão sobre um processo militar. A transição será diplomática e política”.

Instagram

[instagram-feed]

Facebook

Twitter