domingo, 16 de junho de 2019.
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Hong Kong decide postegar debate sobre lei de extradição

quinta-feira, 13 de junho 2019

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Após milhares de manifestantes saírem às ruas em Hong Kong para protestar contra um projeto de lei que autoriza extradições para a China continental, o Parlamento local anunciou que adiou para “uma data posterior” o debate que estava marcado para essa quarta-feira (12). Confrontos violentos foram registrados quando a polícia tentou impedir que os manifestantes, reunidos pacificamente, entrassem no Parlamento local -que tem maioria pró-Pequim. As forças de segurança dispararam balas de borracha e gás lacrimogêneo, e quem protestava jogou de volta garrafas plásticas.
Os manifestantes também usam guarda-chuvas, tanto para se proteger quanto em uma referência ao “Movimento dos Guarda-chuvas”, mobilização que, em 2014, exigia que a eleição do chefe do Executivo acontecesse por eleição direta. Pequim não deixou passar. Os manifestantes “devem parar a violência”, disse o chefe da polícia, Stephen Lo, alertando os moradores para que se afastem de uma “situação tumultuosa”.

A maioria das pessoas que protestava era formada de jovens vestidos de preto. Eles se reuniram em torno da Lung Wo Road, uma importante via próxima aos escritórios da chefe executiva de Hong Kong, Carrie Lam. No domingo (9), a ex-colônia britânica foi palco do maior protesto ocorrido desde sua transferência para a China em 1997. De acordo com os organizadores, mais de um milhão de pessoas foram às ruas pedir ao Executivo de Hong Kong que desista de seu projeto de lei.

Na segunda (10), o Executivo do país disse que seguiria adiante com a proposta da lei e que a iniciativa da nova diretriz não havia sido imposta por Pequim. Mais cedo, nessa terça (11), dezenas de empresas e estabelecimentos comerciais de Hong Kong anunciaram sua intenção -incomum na ex-colônia britânica- de fechar as portas na quarta para protestar contra o projeto altamente controverso do governo local.

Críticas
O texto da proposta provocou críticas de países ocidentais, bem como o clamor de alguns em Hong Kong, que temem julgamentos politizados na China e afirmam acreditar que essa reforma prejudicará a imagem internacional e a atratividade do território semiautônomo. Vários comerciantes se mobilizaram nas redes sociais, sob a hashtag que pode ser traduzida como “#greve1206”, para anunciar que as lojas fechariam as portas para permitir que seus funcionários pudessem protestar.

São, principalmente, empresas familiares e pequenas lojas locais, raramente ouvidas no debate político. Mais de cem empresas anunciaram sua intenção de fechar as portas, entre elas cafés e restaurantes, lojas de câmeras e de brinquedos, salões de beleza, estúdios de ioga e até mesmo uma sex shop. “Hong Kong foi construída pelo trabalho duro de gerações”, diz o estúdio Meet Yoga em uma rede social.
Pelo acordo de 1984 entre Londres e Pequim, que selou a volta de Hong Kong para domínio chinês em 1997, Hong Kong passou a desfrutar de semiautonomia e liberdades que não existem na China continental. A ex-colônia britânica tem sido, no entanto, palco de intensa agitação política na última década, devido à preocupação com a crescente interferência de Pequim em seus assuntos internos e com a sensação de que o princípio “um país, dois sistemas” não é mais respeitado.

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