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Hong Kong tem ato contra proposta de extradições

segunda-feira, 10 de junho 2019

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Manifestantes ocuparam as ruas de Hong Kong, ontem, em protesto de sete horas contra uma proposta de lei de extradição que permite que suspeitos sejam enviados à China para serem julgados. “Há 1,03 milhão de pessoas na manifestação”, disse um dos organizadores do ato em meio à multidão. Seria a maior manifestação desde que a ex-colônia britânica passou para a China, em 1997. Um porta-voz da polícia estimou que havia 240 mil pessoas na marcha “em seu ápice”.

Segundo o jornal The New York Times, manifestantes relataram estar presos em estações do metrô por causa da grande concentração de pessoas. Alguns trens também passaram direto por estações. O ato, que foi pacífico durante a maior do tempo, terminou com confronto entre policiais e manifestantes, já na madrugada de segunda-feira (10), no horário local.
Centenas de pessoas tentaram entrar no prédio do Parlamento e foram contidas pelas forças de segurança, que usaram spray de pimenta. Alguns policiais estavam com armas de gás lacrimogêneo. As mudanças simplificariam os processos de extradições de suspeitos procurados para a China, Macau e Taiwan. Mas é a probabilidade de que essas pessoas sejam mandadas para a China que assusta a população de Hong Kong.

Questionamentos
Antiga colônia britânica, Hong Kong foi devolvida à China sob garantias de autonomia e liberdades, incluindo um sistema legal próprio. Críticos da proposta dizem que questionam profundamente a equidade e transparência do sistema de Justiça chinês e demonstram preocupação com a possibilidade de que forças de segurança inventem acusações.

O movimento deste domingo já aumentou a pressão sobre a administração da executiva-chefe de Hong Kong, Carrie Lam, e seus apoiadores oficiais em Pequim. “Ela tem que desistir da lei e renunciar”, disse o veterano congressista do Partido Democrático, James To, à multidão reunida do lado de fora do Parlamento e da sede do governo no distrito comercial do Almirantado. “Toda Hong Kong está contra ela.”
Lam ainda não fez comentários sobre a manifestação e o futuro do projeto, que deve ser debatido no Conselho Legislativo na quarta (12) e poderia ser aprovado até o final de junho. Depois do discurso de To, milhares ainda estavam chegando– e a marcha, iniciada cinco horas antes, ocupava quatro faixas de uma importante via.

Governos estrangeiros alertaram para os impactos na reputação de Hong Kong como um centro financeiro internacional, notando que estrangeiros procurados pela China poderiam ser enredados no território. A oposição ao plano reuniu diversos setores da comunidade local, como pessoas do mundo dos negócios, advogados, estudantes, personalidades pró-democracia e grupos religiosos.
Grupos de defesa dos direitos humanos também se manifestaram expressando preocupação com o uso de tortura, detenções arbitrárias e confissões forçadas. Representantes do governo defenderam os planos, dizendo que as leis possuem garantias adequadas e que ninguém será extraditado se estiver enfrentando perseguição política e religiosa. Os protestos deste domingo estão planejados para acontecer em 25 cidades do mundo, incluindo Londres, Sydney, Nova York e Chicago.

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