28 C°

quinta-feira, 21 de setembro de 2017.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Macron quer acordo entre Israel e Palestina

segunda-feira, 17 de julho 2017

Imprimir texto A- A+

O presidente Emmanuel Macron e o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu se encontraram, ontem, na França, numa cerimônia para recordar a chamada “rafle du Vel’ d’Hiv’” (ataque ao velódromo de inverno), que levou à deportação de judeus em julho de 1942. O presidente francês pediu a retomada das negociações entre israelenses e palestinos em vista de uma “solução de dois Estados”. “A França está pronta para apoiar todos os esforços diplomáticos neste sentido”, acrescentou o chefe de Estado, para quem Israel e palestinos devem poder “viver lado a lado em fronteiras seguras e reconhecidas, com Jerusalém como a capital”.

Ele também mencionou e criticou implicitamente a colonização israelense nos territórios palestinos, evocando o respeito ao “direito internacional”. Macron recebeu recentemente o presidente palestino Mahmoud Abbas, ao qual reiterou seu apoio à solução de dois Estados e condenou a construção de assentamentos israelenses em territórios palestinos ocupados.

Negociações
As negociações entre israelenses e palestinos estão paradas desde o fracasso da mediação dos Estados Unidos em 2014. E a ameaça de uma conflagração do conflito paira permanentemente.
Sobre o Irã, Macron prometeu “vigilância” sobre o respeito do acordo nuclear de 2015. E compartilhou “as preocupações israelenses sobre o armamento do Hezbollah”, o movimento xiita libanês apoiado por Teerã.
Netanyahu elogiou a “determinação” de seu anfitrião para combater o antissemitismo, e disse estar convencido de que a França “tem um potencial enorme”.
“Netanyahu é um animal político e quer garantir que a França não vai intervir ainda mais”, analisa Jean-Paul Chagnollaud, especialista na questão palestina, que recorda que Nicolas Sarkozy e François Hollande “esperavam manter boas relações com Netanyahu e rapidamente se desiludiram”.

Ataque
Esta foi a primeira vez que um premiê israelense participou da cerimônia que relembra um dos episódios mais obscuros da história francesa. Em francês, Netanyahu agradeceu o convite de Macron como um “gesto muito, muito forte”, que “testemunha a amizade antiga e profunda entre a França e Israel”. Por sua vez, Macron ressaltou sua intenção de “perpetuar o gesto feito em 1995 por Jacques Chirac”, primeiro presidente a reconhecer a responsabilidade da França neste evento. O presidente afirmou que “foi a França que organizou a rafle” e que o regime de Vichy, “apesar de não representar todos os franceses, era o governo da França” naquele momento.

Nos dias 16 e 17 de julho de 1942, 13.152 judeus foram detidos em Paris e seus subúrbios por 9.000 policiais e militares franceses destacados para a operação. Detidos em condições desumanas durante quatro dias, foram colocados no Velódromo de inverno (demolido em 1959), antes de serem levados aos campos de Loiret. Lá, 3.000 crianças foram brutalmente separadas de seus pais, deportados para Auschwitz. Menos de 100 pessoas -e nenhuma criança- sobreviveram.
Emmanuel Macron recordou na cerimônia a importância do combate ao antissemitismo e afirmou: “não vamos ceder ao antissionismo”, que é a forma “de reinventar o antissemitismo”. A vinda do chefe de governo israelense provocou críticas, com alguns denunciando uma “instrumentalização dos judeus franceses”.

outros destaques >>

Facebook

Twitter