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Putin anuncia empréstimo à Belarus, e Lukachenko fala em mais integração

segunda-feira, 14 de setembro 2020

O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu apoio financeiro e declarou apoio político ao ditador da Belarus, Aleksander Lukachenko, após reunião entre os dois líderes em Sochi, na Rússia, nesta segunda (14).

Foto: Reprodução

“Concordamos que a Rússia concederá à Belarus um empréstimo estatal de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8 bilhões) neste momento difícil e cumpriremos esse acordo”, disse o presidente russo, em mensagem transmitida pela TV Russia Today.

Putin classificou como “lógica, oportuna e conveniente” a proposta de Lukachenko de reformar a Constituição da Belarus. O ditador bielorrusso tem oferecido a revisão constitucional como solução para os que pedem sua renúncia desde a última eleição, em 9 de agosto.

O resultado oficial, que lhe deu mais de 80% dos votos, foi considerado por parte da população bielorrussa e por instituições e governos internacionais como evidência de fraude.

Em entrevista a jornalistas russos na semana passada, Lukachenko disse que poderia considerar eleições antecipadas após uma reforma da Constituição.

O presidente russo repetiu que os bielorrussos devem resolver seus problemas internamente, ou seja, que não deve haver interferência do Ocidente.

“Todos sabemos que estão a decorrer eventos políticos internos na Belarus, relacionados com estas eleições. Defendemos os próprios bielorrussos, sem quaisquer estímulos e pressões de fora, de forma serena e em diálogo uns com os outros, cheguem a uma solução comum”, disse Putin no comunicado final.

O presidente russo considera fundamental manter a Belarus sob sua esfera de influência, porque o território bielorrusso separa seu país das tropas da Otan instaladas na União Europeia e porque é território de passagem para o gás e o petróleo russos exportados para o Ocidente.

A Rússia é o maior investidor externo na Belarus, onde está construindo uma usina nuclear orçada em US$ 10 bilhões (R$ 53 bi). Mais de 50% do faturamento do comércio exterior bielorrusso vem do país vizinho, e quase 2.500 empresas com capital russo operam na Belarus.

“A Rússia continua comprometida com todos os nossos acordos, inclusive os decorrentes do Tratado sobre o Estado da União [que estabelece uma associação entre os dois países, e que Putin planeja aprofundar]”, disse o líder russo.

Putin acrescentou que espera que sua declaração sobre o empréstimo “se reflita também nos mercados financeiros”. Desde o começo dos protestos na Belarus, o rublo bielorrusso teve forte desvalorização em relação ao euro e ao dólar.

“A economia está acima de tudo. Sempre aderimos a esta linha. Precisamos ficar mais próximos de nosso irmão mais velho”, disse Lukachenko, usando a metáfora familiar que costuma atribuir à Rússia.

O presidente russo também se disse disposto a continuar a cooperação “nas empresas de defesa e na esfera militar”. Ele disse que repetiria, “para que não haja especulação”, que exercícios militares conjuntos que começam nesta semana já eram planejados “e até anunciados” no ano passado.

“Depois de completar o programa de exercícios conjuntos, as unidades russas retornarão aos seus locais de implantação permanente”, afirmou Putin no comunicado.

À TV russa, Lukachenko afirmou que acompanha “com um sorriso” as manifestações no país. “Temos uma marcha de mulheres e meninas no sábado, uma marcha geral no domingo. Em dias normais, o país vive uma vida normal, e no sábado e no domingo liberamos uma parte de Minsk para que as pessoas possam, se desejarem, caminhar”, disse o ditador.

Ele afirmou a Putin que os eventos na Belarus não são como os retratados pela mídia, mas que “há lições para serem aprendidas” com o que está acontecendo. Entre ela, mencionou que seu país “precisa ficar mais perto de seu irmão mais velho e cooperar em todas as questões”.

O ditador também negou violência ou excesso de força na repressão aos protestos contra o regime. Desde o começo de agosto, mais de 7.000 pessoas foram detidas na Belarus e há ao menos 450 casos de tortura documentados por organizações de direitos humanos.

Fonte: Folhapress

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