domingo, 16 de junho de 2019.
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Rory Stewart quer comandar Reino Unido

quinta-feira, 13 de junho 2019

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Ninguém caminhou tanto quanto o deputado Rory Stewart, 46, para chegar à disputa pela sucessão de Theresa May na liderança do Partido Conservador britânico, que tem seu primeiro round nesta quinta-feira (13). Não se trata de uma andança metafórica. No começo dos anos 2000, depois de trabalhar nas representações diplomáticas do Reino Unido na Indonésia e em Montenegro, o atual ministro do Desenvolvimento Internacional cumpriu a pé um itinerário de 9.600 quilômetros com passagens por Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão, Índia e Nepal.
Estava nesse último quando, após o 11 de Setembro, os EUA declararam guerra ao Taleban e invadiram o Afeganistão. Decidiu então regressar ao agora país conflagrado para um périplo de um mês que o levaria a dormir a cada noite na casa de uma família diferente para coletar os estilhaços da guerra no cotidiano da população civil.

A peregrinação rendeu um livro bastante elogiado -Stewart é também autor de outros três-, cujos direitos de adaptação foram vendidos para a produtora do ator Brad Pitt. Não satisfeito, o hoje parlamentar depois pousou no Iraque recém-invadido, onde chegaria ao posto de vice-administrador de duas províncias sulistas.

Entusiasta da invasão anglo-americana ancorada no pretexto de que o ditador Saddam Hussein (1937-2006) detinha armas de destruição em massa, Stewart descobriu empiricamente os limites do discurso neoliberal sobre a “libertação democrática” dos povos. Desiludido, acabou deixando o serviço diplomático. Antes de voltar à Inglaterra, ele ainda passaria uma temporada em Cabul, onde criou uma ONG voltada à preservação dos saberes artesanais locais -e bancada pelo príncipe Charles, de cujos filhos (William e Harry) Stewart havia sido tutor. Pouco tempo depois, o egresso da prestigiosa Universidade de Oxford deu aulas sobre direitos humanos em Harvard, caindo nas graças da intelligentsia progressista norte-americana. Em 2010, decidiu se aventurar em nova trilha, a da política parlamentar. Durante a campanha para as eleições gerais, a exemplo do que fizera na incursão afegã, bateu perna por sua circunscrição, nos confins setentrionais da Inglaterra (perto da fronteira com a Escócia), hospedando-se dia após dia sob o teto que lhe fosse oferecido.

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