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Sul-africanos acreditam em sigla de Nelson Mandela

terça-feira, 14 de maio 2019

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Para a viúva de Nelson Mandela e uma das principais ativistas pelos direitos humanos do continente africano, Graça Machel, “a África do Sul entrou em um período muito importante”.Ela se refere à chegada à presidência do país do ex-sindicalista Cyril Ramaphosa, que pertence ao CNA (Congresso Nacional Africano), partido que foi liderado por Mandela.

Vice de Jacob Zuma, Ramaphosa assumiu o poder em fevereiro do ano passado depois da renúncia de Zuma, enfraquecido por uma sucessão de escândalos de corrupção. No pleito do último dia 8, o CNA obteve mais de 9 milhões de votos, o que garantiu à legenda a maioria absoluta dos lugares do Parlamento. Assim, Ramaphosa se mantém no cargo.

A moçambicana de 73 anos abre a série Fronteiras do Pensamento de 2019, com uma conferência nessa segunda-feira (13) em Porto Alegre e outra na quarta (15) em São Paulo. O otimismo da ativista com a África do Sul se baseia em dois pontos principais. Segundo ela, Ramaphosa criou comissões lideradas por juízes para investigar os casos de corrupção das gestões do seu antecessor –Zuma presidiu o país entre 2009 e 2018. Para Machel, a iniciativa demonstra não haver intenção de ocultar atos irregulares do governo do país e das empresas estatais.

O segundo aspecto diz respeito às questões sociais e econômicas da África do Sul. “Ramaphosa está promovendo políticas vigorosas de luta contra a desigualdade e o desemprego”, afirma à Folha. De acordo com Machel, Mandela havia manifestado entre integrantes do partido o desejo de que Ramaphosa, um dia, chegasse à Presidência.

Madiba, como ela se refere ao Nobel da Paz de 1993, admirava o estilo de liderança de Ramaphosa, que foi secretário-geral do CNA. Ao obter 57,5% dos votos nesta eleição, o CNA teve sua pior performance desde que chegou ao poder, em 1994 – pleito que marcou o fim do apartheid. Machel discorda, contudo, dos analistas que apontam um processo expressivo de desgaste do partido. “Em 1994, o CNA era um movimento de libertação. Tinha índices de popularidade sensacionais. Mas aquele era um momento histórico excepcional”, afirma ela.

“De lá pra cá, sendo um partido que está a governar, há o escrutínio do público. O CNA tem que gerir as expectativas de milhões de sul-africanos, está sujeito a um desgaste, mas esse é um movimento normal. A maioria dos sul-africanos ainda depositam sua confiança no CNA como o partido capaz de oferecer respostas às grandes aspirações”, complementa. Machel foi primeira-dama em dois países. Antes de Mandela, foi casada com Samora Machel, presidente de Moçambique.

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