domingo, 21 de julho de 2019.
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O adeus aos garotos rubro-negros

segunda-feira, 11 de fevereiro 2019

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Os últimos dois corpos das vítimas do incêndio no CT do Flamengo foram reconhecidos na tarde desse domingo. Samuel Thomas e Jorge Eduardo Santos foram identificados sem a necessidade do exame de DNA. O reconhecimento foi feito através de antropologia forense (peso, altura, massa corporal).
A presença no Instituto Médico Legal (IML) dos familiares é aguardada para que os corpos sejam retirados e tenham o destino para os respectivos velórios e sepultamentos. Os legistas esgotaram todas as possibilidades para que não fosse necessário o reconhecimento pelo exame de DNA. Tal fato prolongaria a agonia das famílias, já tão abaladas por conta da tragédia.

Um dos três jogadores que ficaram feridos no incêndio do Ninho do Urubu na última sexta-feira, o cearense Cauan Emanuel teve alta do Centro de Terapia Intensiva (CTI) e segue para o quarto na tarde de ontem, no Hospital Vitória, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com o boletim, o atacante de 14 anos está “bem clinicamente e respira sem ajuda de oxigênio”. Também no Hospital Vitória, o também cearense Francisco Dyogo está em “curva de melhora”, mas, com uma recuperação mais lenta, seguirá o tratamento de fisioterapia no CTI.

O caso
O incêndio aconteceu nas primeiras horas da última sexta-feira. Os bombeiros foram acionados às 5h17 (horário de Brasília). O fogo atingiu a ala mais velha do CT, que servia de alojamento para as categorias de base do clube e recebia jogadores de 14 a 17 anos de idade. O local seria desativado e demolido nas próximas semanas. Autoridades do Rio de Janeiro trabalham com um problema no sistema de ar-condicionado do alojamento como principal hipótese para o ocorrido. O governador do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, decretou três dias de luto oficial após a tragédia.

Foram confirmados dez mortos e três feridos. As vítimas foram identificadas como Christian Esmeio Candido (15 anos), Vitor Isaías (15 anos), Jorge Eduardo (15 anos), Pablo Henrique da Silva (15 anos), Bernardo Pisetta (14 anos), Arthur Vinicius (14 anos), Athila Paixão (14 anos), Gedson Santos (14 anos), Rykelmo Vianna (16 anos) e Samuel Thomas Rosa (15 anos).

Investigação
O Ministério Público do Rio de Janeiro convocou para hoje reunião com dirigentes do Flamengo e autoridades para discutir o incêndio no centro de treinamento do clube que deixou dez mortos e três feridos na sexta. O objetivo, segundo a promotoria, é buscar soluções imediatas relativas às famílias atingidas e a regularização das instalações do clube, que não têm alvará da prefeitura nem certificado de autorização do Corpo de Bombeiros.
Participarão do encontro o Ministério Público do Trabalho, a Defensoria Pública do Estado do Rio, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros e a prefeitura do Rio. O Ministério Público informou que convidou representantes do Flamengo, que confirmaram presença.

Os módulos habitacionais forma fornecidos pela empresa NHJ, com sede no Rio. Segundo o site da companhia, são montados com painéis de chapa de aço com núcleo de poliuretano injetado. Altamente inflamável, o poliuretano foi apontado como um dos fatores que agravou o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), que deixou 242 mortos em 2013. Naquele caso, porém, o material estava exposto, usado como revestimento acústico nas paredes.

A suspeita de que materiais inflamáveis podem ter acelerado a propagação do incêndio no centro de treinamento do Flamengo foi levantada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, em reportagem que diz que o forte cheiro de solvente em uma das vítimas indicaria a presença de material inflamável.

O delegado responsável pelo caso, Mário Petra, disse à reportagem que ainda não é possível fazer relação entre as dimensões do incêndio e o material usado e que está aguardando o resultado da perícia. “Mas o laudo da perícia talvez não consiga identificar, em razão do estado de destruição”, ponderou o delegado. Isso reforça a necessidade de depoimento dos fornecedores dos módulos.

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