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Obra no sítio era coisa pessoal para Lula, diz Marcelo Odebrecht

quinta-feira, 08 de novembro 2018

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Em interrogatório realizado nesta quarta (7) na Justiça Federal do Paraná, o empresário Marcelo Odebrecht afirmou que as reformas num sítio em Atibaia, pagas em parte pela empreiteira de sua família, eram uma “coisa pessoal” para o ex-presidente Lula.

Ele declarou que ficou sabendo da reforma no sítio, que era frequentado pelo líder petista, depois que ela já havia começado -e foi contrário ao envolvimento da Odebrecht no pagamento da obra.

Reprodução

“Eu até reclamei porque, primeiro, eu achava que era uma exposição desnecessária”, afirmou. “Seria a primeira vez que a gente estaria fazendo uma coisa pessoal para o presidente Lula.”

Segundo ele, as reformas foram autorizadas por seu pai, Emílio Odebrecht, após um pedido feito ao então executivo da empreiteira Alexandrino Alencar.

Ambos são réus na ação que acusa o ex-presidente de corrupção e lavagem de dinheiro em obras num sítio em Atibaia, frequentado por Lula -ele seria, de acordo com o Ministério Público Federal, o “proprietário de fato” do local.

As reformas custaram cerca de R$ 1 milhão, e foram pagas pelas empreiteiras Odebrecht e OAS, com valores oriundos de contratos na Petrobras, segundo a denúncia.

Marcelo afirmou que havia “um bando de gente trabalhando na obra”, e seria difícil manter o caso em sigilo.

Ele também reclamou com o pai de que o acerto não havia sido incluído na planilha que ele mantinha com o ex-ministro Antonio Palocci -uma espécie de conta corrente de propinas para o PT, pagas pela Odebrecht, por meio de desvios de contratos públicos.
Segundo Marcelo, as demandas de Palocci e do PT, em determinado momento, ficaram muito elevadas.

“Em vários momentos reclamei de valores muito altos. Falei com meu pai e, de alguma maneira, ele ia lá e reclamava com o Lula”, declarou.

Emílio Odebrecht também depôs nesta quarta, confirmando as declarações que já havia dado em delação premiada, e disse que o pedido para que a empreiteira bancasse as obras no sítio partiu da ex-primeira-dama, Marisa Letícia.

“Emílio disse: ‘Não, lógico; eu acho que nós temos uma retribuição a isso, a tudo que o presidente fez pela organização'”, declarou o ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar, também ouvido nesta quarta, sobre a autorização das despesas.

O patriarca era o principal interlocutor de Lula na empreiteira, de acordo com eles.

Este foi o primeiro depoimento dos empresários à juíza Gabriela Hardt, que assumiu a 13ª Vara Federal em Curitiba após o juiz Sergio Moro ter aceitado o convite para ser ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (PSL).

OUTRO LADO

Em nota, a defesa do ex-presidente disse que a denúncia do sítio é “totalmente descabida e somente foi construída para submetê-lo [Lula] a processos e condenações pré-estabelecidas”.

Os advogados destacaram o fato de Marcelo Odebrecht ter dito na audiência que nunca participou de reuniões para tratar de acertos ilícitos na Petrobras (segundo ele, isso ficava a cabo dos diretores de área).

Para os defensores, isso reforça que a acusação do Ministério Público, que vincula os pagamentos no sítio a contratos na estatal, é falsa.

Atualizado por Natasha Ribeiro
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Fonte: Folhapress

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