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Sobe para nove mortos em desabamento no Rio

segunda-feira, 15 de abril 2019

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Com a retirada de mais dois corpos dos escombros, subiu para nove o número mortos no desabamento de dois prédios na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro. Os bombeiros retiraram o corpo de uma mulher adulta e de uma criança do sexo masculino. Ao todo, foram retiradas 17 pessoas dos escombros, sendo sete já sem vida. Outras duas pessoas que foram socorridas e hospitalizadas não resistiram aos ferimentos: um homem de 41 anos e um adolescente de 12. Os bombeiros trabalham com a estimativa de que ainda há 15 desaparecidos sob o que restou dos prédios.

O trabalho de salvamento ocorre ininterruptamente desde a tragédia, que ocorreu na manhã de sexta-feira. Mais de 100 bombeiros se revezam no salvamento, que conta com cães farejadores e um drone.

Irregular
Peritos da Polícia Civil estiveram no local ontem para investigar o desabamento. O caso foi registrado na 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca). Construídos de forma irregular em uma área de encosta, os prédios vieram abaixo depois de uma semana de chuva intensa no Rio de Janeiro. Para hoje, o centro de operações da prefeitura do Rio prevê a possibilidade de mais chuva de moderada a forte na parte da tarde.
Os prédios estavam interditados pela prefeitura, que afirmou que a área é controlada por uma milícia, o que dificulta o trabalho de fiscalização. O município afirmou que três prédios no mesmo condomínio devem ser demolidos.

Teve aviso
“Onde poder público não atua, atua o poder paralelo”, diz a advogada e professora universitária Maíra Lima Vieira, 36. Ela mora num prédio vizinho aos dois que colapsaram na sexta-feira, em Muzema, região na zona oeste carioca sob influência da milícia. Maíra, contudo, criticou a ideia difundida na esteira da tragédia de que “todo mundo aqui é miliciano, bandido, espertalhão”.

“Não é”, disse, ontem, terceiro dia de buscas da tragédia que já vitimou nove pessoas. Bombeiros continuam a procurar por desaparecidos, e sob ameaça de novas chuvas fortes no Rio. O temporal no começo da semana passada deixou o condomínio Figueira do Itanhangá, onde os edifícios caíram, devastado. Ainda há muita lama pelas ruas e entulhos carregados pelas águas.

Maíra contou que ligou “20, 30, 50 vezes” para o poder público depois do dilúvio. Ninguém foi lá, diz. E onde tem vácuo do Estado, tem oportunidade para o poder paralelo. Mas a advogada afirma que “se tem miliciano, tem um só”. A maioria que mora ali é “gente de bem, trabalhador”. “Quem tem um milhão não mora aqui, mora no Leblon, mora em Ipanema”, continua. Ela diz que pagou R$ 200 mil por seu apartamento, temporariamente interditado pelo Corpo de Bombeiro.

Ela carrega uma mala, uma bolsa de araras e um guarda-chuva, o que conseguiu retirar neste domingo. Uma amiga a acolheu na Vila da Penha, zona norte da cidade. Maíra costuma acordar cedo para preparar aulas. Na sexta, ouviu gritos e foi para a janela. Telefonou para os bombeiros ao constatar o colapso das construções irregulares.

“Foi terrível ver pessoas correndo, se machucando, muito triste mesmo ver a vida se esvaindo em questão de segundos.” Sobreviventes relataram que as construções ainda estavam em obras. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar quem são os responsáveis pelo condomínio.

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