Opinião
Segunda-feira, 03 de Junho de 2013
Bolsa-Família
Grecianny Cordeiro - PROMOTORA DE JUSTIÇA

Sem querer aqui fazer um ensaio histórico-sociológico, como é cediço, depois da Revolução Francesa, com o advento do Estado Liberal, a intervenção do Estado na iniciativa privada e nas relações de mercado sofreu um atrofiamento, exigência da burguesia emergente. Quanto menos Estado melhor.

Depois das guerras e diante de suas trágicas consequências em todos os aspectos da vida econômica-financeiro-social, surgiu um novo modelo denominado Estado de Bem-Estar Social, onde o Estado voltava a interferir nas relações de mercado, proporcionando inúmeros benefícios sociais.

As grandes potências foram abandonando esse modelo de Estado de Bem-Estar Social e passaram a adotar o chamado neoliberalismo, onde a iniciativa privada voltava a sofrer mínimas intervenções por parte do Estado.

E o que tem o benefício do bolsa-família a ver com isso? Tudo. O Bolsa-Família representa justamente tudo aquilo que vai na contramão da História. É o Estado apadrinhando os menos favorecidos a um custo elevadíssimo e mediante consequências nefastas.

A ideia do Bolsa-Família pode ter sido boa. A intenção pode ter sido a melhor possível, no entanto, houve um natural desvirtuamento desse benefício, a ponto de estimular a ociosidade de uma parte da população no auge de sua capacidade de produção.

Com o Bolsa-Família, ninguém mais quer trabalhar; a fonte de renda básica daqueles que moram no interior é o Bolsa-Família, que movimenta o comércio das pequenas cidades; mesmo aqueles que não se contentam apenas com o bolsa-família, estes não o dispensam e se arranjam algum emprego, é na informalidade, para não perderem o benefício.

Quando se alardeou que o Bolsa-Família iria acabar, uma multidão desesperada correu à frente da Caixa Econômica em todo o País. Claro. Como iriam viver sem aquele benefício que já incorporou à sua renda? Se ninguém prestou atenção nas filas que se formaram, as mesmas eram constituídas, em sua maioria, por pessoas jovens, homens e mulheres, sãos, lúcidos, com plena capacidade de desenvolver uma atividade produtiva.

O dinheiro pode não dar para comprar uma calça jeans, mas não se pode dispensá-lo.
E qual o político ou partido que ousará acabar com esse estímulo à ociosidade? Nenhum. É voto garantido. Quem ousará estimular a geração de emprego e a educação para que o Bolsa-Família se torne desnecessário? Ninguém. Melhor uma população acomodada e que pense pouco. É mais fácil manipular.
E quem paga essa conta?

VERSÃO IMPRESSA

Comentários

Comentar

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.

Mais informações sobre as opções de formatação