Arte & Diversão
Quinta-feira, 11 de Abril de 2013
Contos populares em literatura de cordel

NATALÍCIO BARROSO
Da Redação

Houve um tempo, no Brasil, quando a televisão não existia ou, se existia, não tinha a força que possui hoje, em que a literatura de cordel imperava quase absoluta no Nordeste brasileiro. Com a proliferação dos meios de comunicação e a introdução da Internet, o cordel deixou de ser o jornal do sertanejo e se transformou em poesia, propriamente dita, aquele gênero literário que tem compromisso mais com a forma do que com o conteúdo.

A força dos poemas de cordel, no entanto, nunca chegou ao fim. Disseminado por todo o Brasil, hoje em dia, e não apenas no Nordeste, o cordel pode ser ouvido no rádio, comentado nos jornais e lido na Internet.  A temática abordada por ele no passado, no entanto, foi substituída. Temas como o cangaço, por exemplo, que foram cantados e decantados por cordelistas como Leandro Gomes de Barros, considerado o melhor de todos os tempos,  cedeu lugar para a queda do Word Trade Center nos Estados Unidos ou para a opção sexual de Daniela Mercury que, em breve, sem dúvida, estará estampada em um destes folhetos que circulam pelo país e ainda são estendidos em várias feiras do interior nordestino.

O grande trunfo da poesia de cordel, no entanto, foi descoberto recentemente pelo Armazém da Cultura, editora cearense que publicou, pelo menos, cinco livros de cordel intitulados: O Conde Mendigo e a Princesa Orgulhosa, As Noventa e Nove Moedas de Ouro, O Crime das Três Maçãs, O Papagaio Real ou o Príncipe de Acelóis e O Pobre Que Trouxe a Sorte de Casar Com Uma Princesa. Pelo título dos livros já dá para imaginar do que se trata. Isso mesmo. Trata-se de uma coleção denominada Reinos do Cordel para a qual o Armazém da Cultura chamou quatro cordelistas para adaptar, segundo as regras populares do cordel, cinco contos maravilhosos da cultura árabe e ocidental.

No primeiro livro citado, O Conde Mendigo e a Princesa Orgulhosa, adaptado por Evaristo Geraldo da Silva, natural de Quixadá, o poeta reconta, em versos cujas rimas se alternam, a história de uma princesa que, tal como a Megera Domada, de Shakespeare, recusa se casar com aqueles que se apresentam diante dela até que o pai, revoltado, diz para a filha que, a partir daquele momento, Sidônia, como se chamava a princesa, haveria de se casar com o primeiro que aparecesse no palácio. E assim aconteceu. Como as palavras de um rei nunca são ditas em vão, o primeiro pretendente que apareceu no palácio em busca de Sidônia, casou-se com ela. Nada demais se o pretendente não fosse um mendigo.

A vida de Sidônia, portanto, mudou completamente. De uma mulher orgulhosa e imperiosa que havia recusado a mão a príncipes e barões, a filha do rei foi morar em uma choupana e se tornou uma simples dona de casa para, depois, se tornar empregada doméstica. A história, como se vê, é fabulosa, e a forma como Geraldo da Silva aborda o tema também é bastante convincente.

Os outros autores são: Marco Haurélio que, por sinal, faz a apresentação de todos os livros, José Walter Pires, Arievaldo Viana e Rouxinol do Rinaré. Variando entre 14 e 18 páginas muito bem ilustradas por Arlene Holanda, Rudsonn Duarte e Suzana Paz, a coleção também possui uma particularidade. Diferente dos livrinhos de cordel que medem, aproximadamente, 11 x 16cm, e cujo papel, geralmente, é de pouca qualidade, a publicação do Armazém da Cultura dá um outro tratamento à edição. Cada livro mede 19 x 26cm e, conforme informação do colofon, foi impresso em papel couchê fosco 150g. Papel e impressão que, para os cordéis do passado, eram impensáveis assim como o colorido das páginas que se alternam ao longo do poema. Cada exemplar da coleção custa R$ 20 e, como se trata de fábulas tiradas das Mil e Uma Noites ou inventadas pelos Irmãos Grimm, pode ser lida por adultos e crianças.

Serviço
• Publicação: Coleção no Reino do Cordel. Editora: Armazém da Cultura. Páginas: 14 a 18. Preço: R$ 20,00. Informação: (85) 3224.9780. E-mail: armazemdacultura@armazemcultura.com.br. Site: www.armazemcultura.com.br.

VERSÃO IMPRESSA

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