Economia
Domingo, 15 de Fevereiro de 2009
Empresas de táxi aéreo não sentem crise econômica
Descentralização do Governo do Estado ajuda a aquecer o setor

FOTOS: GABRIEL GONÇALVES / O ESTADO

Por Souto Filho

A crise econômica mundial ainda está gerando consequências e prejuízos em diversos setores econômicos e mercadológicos em todo o mundo. Entretanto, no Ceará, as empresas de táxi aéreo estão indo na contramão da derrocada das bolsas de valores globais, inclusive, apresentando constante crescimento nos últimos três anos. Essa é a opinião do diretor executivo da Easy Air Táxi Aéreo, Disraeli Ponte, esclarecendo que o setor é fechado e limitado, devido a grande burocracia que envolve a abertura de uma empresa desse tipo. De acordo com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), existem 234 empresas de táxi aéreo registradas e homologadas no Brasil, sendo 12 no estado do Ceará.

Disraeli contou que a crise mundial coincidiu com a queda do preço do combustível aeronáutico e, também, amedrontou alguns empresários locais que pretendiam comprar aviões próprios. “Posso dizer que, no meu caso, a crise não chegou. Pelo contrário, ocorreu uma melhora. Os empresários têm a necessidade de voar, e como está difícil comprar avião nesse momento, nosso fluxo de viagens aumentou”, relatou Disraeli.
Segundo ele, outro fator que motivou o aquecimento do mercado de táxi aéreo cearense, em 2008, foi a descentralização promovida pelo Governo do Estado que, desde a administração de Lúcio Alcântara, concentrava os serviços, com relação aos vôos, em uma única empresa do Ceará. Atualmente, na gestão de Cid Gomes, essa exclusividade foi cortada e o governo estadual começou a realizar licitações para distribuir os serviços entre as 12 empresas do Estado.
“No ano passado, o governo estadual realizou as licitações onde eram licitados vários aviões, e não apenas uma aeronave. Então, o governo, hoje, não trabalha só com a Easy Air, eles voam com outras empresas do setor, que também participam das licitações. O governo analisa o menor preço e o melhor serviço, acabando assim, com a exclusividade. Com isso, a Assembleia pegou o mote e começou a fazer a mesma coisa e, atualmente, todos nós também prestamos serviços a eles”, explicou Disraeli.

» Uso dos serviços aéreos. O diretor ressaltou que existe o desejo dos empresários locais de expandir e popularizar os serviços aéreos. Entretanto Disraeli alegou que os custos agregados dos vôos são altos, limitando a utilização dos serviços pela população em geral.

Como exemplo, ele descreveu que uma viagem entre Fortaleza e Camocim custa em torno de R$ 2,8 mil em uma aeronave que comporta cinco pessoas. Para a cidade de Juazeiro do Norte, o preço do vôo com o mesmo avião sobe para R$ 4,8 mil.

Segundo ele, atualmente, 80% dos clientes da Easy Air são empresários, e os outros 20% estão divididos entre o Governo e a Assembléia. Isso se dá devido ao fato de que, tanto os políticos quanto os executivos, necessitam se deslocar dentro do Ceará ou para outros estados vizinhos, com uma certa rapidez, e esse é o um dos objetivos das empresas de táxi aéreo.

» Helicópteros. Para o comandante de helicóptero e diretor executivo da NorthStar Air Taxi, Paulo Barros, o mercado para este tipo de serviço se comportou de forma estável em 2008. Ele explicou que qualquer investimento na área de helicóptero é para retorno em longo prazo.

Apesar de prever um ano normal para o setor, o comandante esclareceu que a crise financeira não está afetando, diretamente, este tipo de empresa, já que os usuários são de uma classe econômica mais elevada e, para eles, os vôos executivos são serviços essenciais.

Paulo Barros revelou que um dos clientes que sustentam o mercado atualmente são os empresários do setor de energia eólica que estão se instalando no Ceará. Segundo ele, esta é uma área que vem crescendo no Estado e que necessita muito dos serviços prestados por empresas de táxi aéreo. Outro cliente importante para as empresas locais é o Governo Federal que está contratando empresas de helicópteros para deslocar funcionários e executivos que atuam nas obras da transposição das águas do Rio São Francisco.

Entretanto, o comandante alegou que o mercado para helicópteros executivos poderia aquecer em 2009 se o governo estadual investisse ainda mais em infra-estrutura turística no interior e no litoral cearense. De acordo com o diretor, falta estrutura de aeroportos e de rede hoteleira em algumas cidades bastante procuradas pelas pessoas que visitam o Ceará.
“Para nós, o turismo por si só, continua caminhando na medida do possível. Nossos vôos para Jericoacoara e Canoa Quebrada, por exemplo, continuam acontecendo igual há dois anos atrás, mas por mérito exclusivo do que a natureza nos deu. Continuamos sem apoio total nessa área, principalmente, no que diz respeito à infra-estrutura”, lamentou Paulo Barros.

Anac e a “pirataria aérea”

O gerente regional da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para os estados do Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Piauí, Paraíba e Bahia, Oswaldo Fernandes, relatou que os serviços prestados por empresas de táxi aéreo registradas e homologadas pela Agência são seguros em razão dos diversos dispositivos de fiscalização existentes. São verificadas as condições técnicas, operacionais, econômicas e jurídicas dessas empresas.

Entretanto, o gerente ressaltou que como em qualquer outro ramo de atividade, é possível a existência de empresas na clandestinidade, por isso a Anac atua efetivamente no sentido de coibir este tipo de prática. Contudo, segundo Fernandes, nunca foi registrado o fechamento de nenhuma empresa cearense devido a ocorrência de “pirataria aérea”.

Oswaldo Fernandes orientou para que as pessoas, na hora da contratação dos serviços, verifiquem junto a Anac se a empresa é registrada e homologada. O passageiro pode fazer isso pela Internet, acessando o site (www.anac.gov.br/empresas/taxi.asp), entrando em contato com a Gerência Regional pelo e-mail ([email protected]) ou pelo telefone: (81) 2101-6000.

IMAGENS: Serviços. Dificuldade de comprar aeronave leva empresariado local a utilizar os táxis aéreos em suas viagens / GABRIEL GONÇALVES / O ESTADO

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