Política
Terça-feira, 09 de Setembro de 2008
Grampo, grampinho, grampão...


Houve um
tempo em que, quando a campainha de casa tocava, tremíamos todos. Todos eram eu
e meus temores, medos, horrores. O tocador da campainha poderia ser a PF, o
DOPS, o Cenimar, ou o choque do Glorioso. Naquele tempo não havia algemas
humilhantes, mas pau-de-arara, choque nos ovos, cigarro aceso em bico de peito,
afogamentos e chibata. Chibata muita. Rolava um pavor no 1968 no entorno do
velho Flamengo e os gritos dos apanhando no 9
o.
DP da Glória ecoavam no Lhamas, no perigosamente maravilhoso filet-do-Lhamas
que comíamos em mesas separadas, pro caso de um suspeito, ou procurado, não
levar os parceiros pros carcereiros. Havia olhos em todas as portas, ouvidos em
todas as paredes.

Cacete grosso
no plumbífero 68, o que fazia neguim se embrenhar pelos interiores do Rio,
Minas ou São Paulo. Mas havia democracia. Os caras batiam, mas levavam quando
davam sopa. Chega quase a dar saudades do toma-lá-dá-cá da Redentora,
especialmente quando comparamos 68 com 2008. O Brasil vive o mais humilhante
momento de investigações criminosas em cima de não criminosos. Todos somos
ouvidos, escaneados, sacanalizados, digitalizados em sons e imagens. Nossos
e-mails e sites são gravados. Nos celulares escutados no mais íntimo das
combinações com as amantes, nem sempre citáveis. Reclamam juízes e
desembargadores, como se muitos não soubessem da vida de muitos deles, nem
sempre tão clined end desinfect assim. Reclamam senadores, alguns deles cheios
de escândalos no passado, no presente e no futuro. Mas nós, pobres mortais nem
temos com quem reclamar. Nos sabemos vigiados porque perigosos somos. Sobre nós
pairam espadas de Democles que nos vigiam a conta do banco, o cartão de
crédito, o holerite, a declaração de renda, o semáforo engatilhado, a câmera do
trânsito. E vamos tocando, vítimas do terror moderno, do grampo, do grampinho e
do grampão. Amém.

Se
um dia a vida lhe der as costas... Passe a mão na bunda dela

Da série frase premiadas.

Novo presidente do STJ lembra que

uso
do grampo deveria ser pontual

O ministro César
Asfor Rocha,
que tomou posse na quarta-feira como presidente do
Superior Tribunal de Justiça, criticou o excesso de grampos telefônicos
autorizados pelos juízes no Brasil e lembrou que essa prática foi instituída
para uso pontual pela Justiça, quando há fortes evidências de cometimento de
crime. Ele também defende a criação de um sistema para controlar
a quantidade de quebras de sigilos telefônicos autorizados no país. Para
ele, um órgão colegiado composto por magistrados de 1
o grau que pode muito bem receber denúncias ou
queixas de excessos cometidos por algum magistrado, como já acontece em São
Paulo. De acordo com Asfor Rocha, a principal meta será  pela
uniformização da Jurisprudência e o combate à prática indiscriminada de
quebra de sigilo telefônico.

Bom serviço

Mesmo que não
seja eleito prefeito de Fortaleza, o presidente do PPS no Ceará, Luiz Gastão,
poderá prestar um grande serviço ao Estado. Gastão é favorável à expulsão de
Romeu Aldigueri do partido dele, depois da fraude da voz de Lula em programa de
rádio na campanha de Granja, onde Aldigueri é candidato, jurando que não foi
ele.

 Candidatíssimo

Nosso
brilhante José Wilson Chaves, o príncipe de Pacajus tem alvará de soltura para
sua candidatura a Prefeito da cidade. Agora é candidato com aval da Justiça,
folha corrida em branco, vida passada a limpo e nada contra si, transitado em
julgado. E a vida segue pulsando nos escaninhos...você sabe.

Contrato de risco

Tem  doidinho, e/ou inocente, trabalhando em
campanhas sob contrato de risco. Exemplo: pede R$100 mil para fazer um trabalho
aí o candidato ou um preposto, propõe R$ 200 mil para receber quando o/a cara
se eleger. Do mesmo modo diz que tem gente com coragem suficiente pra emprestar
dinheiro pra campanha assim: Toma 200 mil contos pra pagar 400 da Prefeitura.
Assim até eu serei candidato a federal na próxima.

Mais de ano

Faz mais de
ano que os leitores desta coluna souberam que o Governo estava pensando em
privatizar alguns aeroportos no País. Entre as minas de ouro citadas estavam
Galeão, Viracopos e Congonhas, estes últimos em São Paulo, além de Fortaleza,
Recife e Salvador. Os três primeiros estão sendo detonados agora, por ordem de
Lulalá. Não sem antes a Infraero arrumar tudo, bem direitinho e bonitinho.

Chá de simancol

Fechar a boca
é o remédio sugerido pelo general Felix, em depoimento à CPI dos Grampos, para
quem desejar não ter o seu telefone grampeado. Mas se trata de um remédio que,
se prestarmos atenção, tem outras utilidades. O que devemos fazer para não
falarmos besteira em público? Fechar a boca. Qual a saída quando se tiver
vontade de tomar uma boa ou fumar um cigarro e, se pretender controlar a
vontade? Fechar a boca. Como proceder quando se tiver o impulso de mandar
alguém para aquele lugar? Quando se tiver a tentação de falar da vida alheia?
Fechar a boca. Aprendi no ginasial com o Monsiê Labê Moésio, que a gente
chamava Moésê: Fermê la buche!

Pode grampear

O jornalista
Silvio Carlos Vieira Lima, o Papa, um ser humano de enorme bondade, alimenta
seu doce veneno com tiradas impagáveis ao mortal que não tem a alegria de
privar de sua agradabilíssima companhia. A molecagem cearense indagou de
Silvio, à mesa de uma sexta-feira, que se ele não estava preocupado com os
grampos no Brasil. Na bucha a resposta:  Minha vida é um livro aberto. Com várias
páginas arrancadas.

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