Cotidiano
Segunda-feira, 02 de Setembro de 2013
Guarda Municipal em estado de alerta

NATALÍCIO BARROSO
Da Redação

A segurança de Fortaleza, no que se refere à Guarda Municipal, está nas mãos de 1.400 homens responsáveis pelo policiamento de terminais de ônibus, praças, praias, como a do Futuro, escolas municipais e secretarias. Uma parte desta guarda, no entanto, foi destinada ao Conjunto Habitacional da Rosalina que foi invadido em setembro. Expulsas das unidades habitacionais que ocupavam pela polícia militar, o espaço passou a ser vigiado pela Guarda Municipal que, por causa disso, também começou a ser ameaçada pelos invasores do conjunto.

O que o Sindicato dos Guardas Municipais de Fortaleza e Região Metropolitana – Sindiguardas – reclama, nesse caso, são das condições de fragilidade nas quais seus associados se encontram. Como não dispõem de armas letais, mas apenas de efeito moral, são constantemente ameaçados pelos invasores que foram expulsos e que para lá voltam armados mostrando, para a guarda, as armas de fogo que carregam sob a roupa.

A situação é grave, afirma Bruno Brandão, diretor do Sindiguarda. Desde a semana passada, diz ele, que os guardas municipais foram designados para fazer a segurança do Conjunto da Rosalina. A região, no entanto, é muito perigosa e como a Guarda não usa arma de fogo é constantemente incomodada por aqueles que se servem delas sem o menor pudor. A atitude tomada pelo Sindiguarda, pelo menos até agora, informa Brandão, foi comunicar a situação, oficialmente, à Secretaria Municipal de Segurança Cidadã por intermédio de ofício.

O próximo passo, se nada for feito, será o de orientar os sindicalizados que estão no conjunto  habitacional para assinar um documento no qual se declaram incapacitados de fazer a segurança por falta de equipamento adequado. O colete à prova de bala, por exemplo, afirma o diretor do Sindiguarda, já está com o tempo vencido. O passo seguinte, se tal medida também não for atendida, será o de todos que são obrigados a ir para o Rosalina, assinar um documento conjunto e entregar na secretaria se eximindo, completamente, de prestar esse serviço. Se nem isso der certo, está prevista uma manifestação que tem, como objetivo, chamar a atenção dos servidores da Guarda para se recusar a arriscar a vida se não for protegido pelo Município. Na segunda-feira, por sinal, será entregue novo documento na Sesec. “A nossa perspectiva, no entanto, diz ele, é que tudo seja resolvido sem que haja necessidade de maiores reivindicações”.

Armas Letais e Morais

Esli Pompeu, também do Sindiguarda, afirma que a situação é grave, realmente. Quer deixar claro, no entanto, que o sindicato não está pressionando os servidores para que deixem de exercer as suas atividades. O sindicato, diz ele, quer que os servidores desempenhem as suas funções mas, para isso, exige do gestor público que dê condições. Afinal, quem perde com tudo isso, segundo ele, é a população e, para mostrar que está dizendo a verdade, fala do tempo em que trabalhou em terminais de ônibus. Naquele tempo, diz, os servidores municipais eram praticamente incapacitados de prestar serviço satisfatório à população porque, como tinham que se deparar com malfeitores perigosamente armados e nenhum guarda usava arma letal, não tinham como proteger os motoristas, cobradores ou passageiros. A única solução adotada, naquela época, foi aumentar o efetivo mas, como a guarda continuava desarmada, não tinham muito o que fazer quando os bandidos apareciam com pistola ou revólver.

A maior reivindicação da Guarda Municipal, no entanto, não se restringe apenas ao uso de armas letais. O que o sindicato reivindica, na verdade, é que a Guarda seja capacitada dentro da grade curricular do Ministério da Justiça que estabelece um parâmetro mínimo para formação da segurança pública. Coisa que, segundo Pompeu, a Guarda Municipal de Fortaleza não possui.

Tiroteio e Coletes Vencidos

Indagado sobre o assunto, o secretário Municipal de Segurança Cidadã, Francisco Veras, afirma que apenas São Paulo e mais duas ou três capitais brasileiras possuem Guarda Municipal armada. Este, porém, é um tema que está em discussão na Secretaria. Sobre a situação dos guardas que estão no Conjunto Habitacional da Rosalina, disse que se houvesse algum risco de vida para eles, já teria tomado uma medida correspondente. Mas como não há risco nenhum, não vê motivo para tirar a Guarda do local. O tiroteio, sobre o qual o sindicato fala agora, segundo ele, ocorreu em 2005 e não  na semana passada. Os coletes à prova de bala, por sua vez, serão substituídos logo. A licitação, afirma, já está em curso e, em breve, será concluída. O problema é que, como se trata de um produto muito delicado para o qual precisa licença do Exército Brasileiro para ser comprado e a empresa, depois de ganha a licitação, ainda exige um prazo de 30 a 40 dias para entregar a mercadoria, não há como apressar a solução do caso. A documentação do Sindiguarda, quando chegar em suas mãos, explica, será avaliada...

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