Viver
Terça-feira, 28 de Setembro de 2010
HOSPITAL GERAL CESAR CALS
Pioneiro no procedimento endoscópico de balão intragástrico na rede pública

Por Mimosa Pessoa
Especial para O Estado VIVER

O Hospital Geral CÉsar Cals (HGCC), centro de referência na rede pública no tratamento da obesidade, realizou neste sábado, 25, um workshop sobre a utilização do método de balão intragástrico no tratamento da obesidade, procedimento pioneiro na rede pública nacional.

O evento, sob a coordenação do chefe do serviço de endoscopia do HGCC Ricardo Rangel de Paula Pessoa, contou com a participação do médico endoscopista do núcleo de obesidade e transtornos alimentares do Hospital Sírio Libanês, Pablo Siqueira e do gerente de negócios para a América Latina da empresa HPBIO, fabricante do balão intragástrico, Marcio Macedo.

TRANSMISSÃO AO VIVO
Durante o workshop, houve explanações e debates sobre a metodologia apresentada. A transmissão simultânea dos procedimentos realizados em dois pacientes, o primeiro pesando 230 Kg, e o segunda 112 Kg, foi fundamental para a aclamação da eficácia do método apresentado. Segundo o dr. Rangel, o método custa em torno de R$ 4.000,00 , um dos motivos pelos quais não era disponibilizado pela rede pública, SUS, e ainda não o é pelos convênios particulares em todo o País. “Como é um procedimento caro, só paciente de poder aquisitivo elevado têm acesso a este tratamento. O Ceará é pioneiro em disponibilizá-lo em sua rede pública, estando o processo de licitação em fase de conclusão”. Em 2011 estarão disponível 40 “balões” e dependendo da demanda será licitada maior quantidade.

EFICÁCIA
A introdução deste método é vital para pacientes com índice de massa corporal (IMC) acima de 50, pesando no mínimo 160Kg. Estes ficam impossibilitados de sofrer qualquer intervenção cirúrgica devido ao alto risco de complicações e óbitos apresentadas durante e após o pós-operatórios, seja ela bariátrica ou não. Os riscos são derivados das doenças a elas agregadas, chamadas de comorbidades; tais como diabetes, hipertensão, cardiopatias, colesterol alto, insuficiência respiratória, etc.

Como essa técnica não necessita de anestesia geral, apenas de sedação, é considerada uma intervenção pouco invasiva. O paciente de 230 Kg,considerado super obeso, que teve o balão intragástrigo introduzido durante a transmissão simultânea, foi indicado pelo dr. Ney Lemos. O objetivo era fazê-lo perder 10% de sua massa corpórea para só então, amenizada suas comorbidades, realizar a cirurgia bariátrica.

A segunda paciente, ao ser beneficiada pelo método apresentado no workshop, foi escolhida por um critério oposto. Pesando 112 Kg, seu IMC era em torno de 35, porém, portadora de hipertensão, não tinha indicações para uma cirurgia extremamente invasiva com sequelas mais graves como a duodenal switch, cirurgia de Scopinaro, Fobi-Capella. O método do balão fora indicado como forma permanente de emagrecimento.

O dr. Pablo Siqueira esclarece: “Basicamente são os mesmos critérios de admissão para a cirurgia bariátrica, obviamente que o ‘ balão’ tem o risco cirúrgico menor, porque é endoscópico. É impossível você pensar num tratamento para obesidade sem ter uma equipe multidisciplinar. É um tratamento temporário de seis meses. Teoricamente não poderia ser apenas seis meses, porque quando tira o balão ainda tem que continuar uma educação alimentar neste paciente e com isto manter o peso. Basicamente o que se tem provado é que o balão consegue fazer você perder peso, com mudanças de hábitos alimentares e de vida em mais de 10% da massa do peso da pessoa”.

BALÃO INTRAGÁSTRICO
O método do balão intragástrico é aceito pela Europa, Canadá, América Latina e Central. A empresa HAP BIOPROTESES LTDA, única fabricante do balão no Brasil, em parceria com o Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Hospital Sírio Libanês em São Paulo, desenvolveu o Bio Flex Intragastric Ballon.

O gerente de negócios para a América Latina da empresa, Marcio Medeiros, destaca os motivos pelos quais este balão intragástrico é o mais seguro: “Nosso balão pesa 18gramas, e não mais meio quilo como os que os precederam, evitando o desconforto dos vômitos e enjoos. É um balão com ar, a extração é também rápida e tranquila. Uma grande novidade é que nosso balão não é mais para seis meses e sim quatro meses, porque quatro meses é o pico de perda de peso de todo balão no paciente. A camada interna é de polímero e silicone biocompatível na camada externa. Nosso balão também é o único que pode ser reinssuflado aos quatro meses.Não precisa tirar o balão e colocar outro”, explicou.

 

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