Opinião
Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
Quebra-queixo e a história cearense

Para degustar o quebra-queixo só existe uma receita, saboreá-lo na boca e apreciar o açúcar, o coco e o limão. Quebrá-lo com os dentes não é opção.Apreciar a história do Ceará, só se pode fazê-la quando olha-se os elementos franceses, indígenas, neerlandeses e portugueses envolvidos nessa saga.

Na história da Terra Alencarina os ingredientes lusitanos são bem conhecidos pelos cearenses. Já os outros sabores envolvendo os nativos e outros povos europeus, ainda precisam ser melhores mastigados e saboreados.

Por que não existe interesse para se conhecer mais desses outros ingredientes da nossa história? Por conta da língua? Por causa da distância? Pois, muitas dessas fontes não foram escritas na língua da Flor do Lácio, e/ou encontram-se arquivadas distantes da Terra da Luz. A primeira razão não consigo entender, pois nos dias de hoje existem até os tradutores digitais. A segunda também, não se pode entender, pois muitos conhecem os caminhos da Internet. Não dá pra entender. Recentemente, eu mesmo, deparei-me com alguns rascunhos do pintor neerlandês Frans Post, dos quais alguns deles são sobre o Ceará e que estão guardados não muito distante de Fortaleza.

Quem sabe esses trabalhos de Post podem acrescentar algo mais aromático no nosso quebra-queixo, ou melhor, na nossa cultura e história. De qualquer forma, eu continuo intrigado com o fato de no Ceará não existir interesse algum para se conhecer mais das outras fontes europeias sobre a nossa história e cultura.

Será que a resposta encontra-se na nossa cultura, ou melhor, na nossa cabeça. Pois parece que ainda vivemos com valores, visões e a mentalidade de entender a Europa e os europeus segundo os portugueses dos séculos passados. Para os portugueses da época, os franceses eram piratas, os neerlandeses invasores ou hereges, os índios que há séculos já viviam nas terras alencarinas eram indivíduos que precisavam aprender uma cultura e/ou uma religião.

Bem, se o motivo encontra-se na maneira de ver o próprio Ceará, pergunto-me que “Ceará”, que “Fortaleza” queremos apresentar para o mundo em 2014, na época da Copa? Que o Ceará não tem passado, raízes? Que na formação cultural do nosso povo só existe um ingrediente: a cultura portuguesa.

Acredito que os estrangeiros, que poderão chegar por aqui durante a Copa, verão outros sabores e aromas nas ruas, nas praias, no Mercado Central, nas feiras do Antônio Bezerra, Messejana, Mucuripe, Parangaba etc.

O que estamos fazendo na construção da nossa História e Cultura? Estamos quebrando quebra-queixo como os dentes? Ou melhor, estamos quebrando um pedaço da nossa identidade cearense com os dentes?
 

1 / 1

Comentários

Comentar

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.

Mais informações sobre as opções de formatação

CAPTCHA de imagem
Entre com os caracteres da imagem.