Opinião
Quarta-feira, 16 de Outubro de 2013
Reflexão sobre a violência no Ceará
Francisco Diniz Bezerra - Engenheiro e Técnico do bnb

Diuturnamente, a mídia relata atrocidades cometidas contra a vida humana e a sociedade. São assassinatos, estupros, latrocínios, assaltos, corrupção, enfim, uma onda de ações nocivas à integridade física e psicológica da população indefesa como, de resto, à vida em comunidade. No Ceará, em particular em sua capital, assiste-se, incrédulo, a violência e a criminalidade tomar conta do Estado. Ante esta realidade indesejável, cabe indagar o porquê de tanta violência. Fortaleza, há apenas três décadas, era uma cidade muito mais tranquila, aonde o ir e vir das pessoas não era impregnado de medo. Pior ainda, as pequenas cidades do interior cearense, locais identificados anteriormente pela vida pacata e como recanto de tranquilidade, atualmente padecem do medo. O que aconteceu, então, em nossa sociedade?

A violência, no Ceará, é um problema que se reveste de grande complexidade, sendo certamente muitas as razões que a provocam. Alguns estudos relatam que um dos fatores relevantes é o atual estilo de vida. Como se sabe, vivemos em uma sociedade de consumo. Nela, as pessoas dão mais importância ao ter do que ao ser. Como resultado do “culto ao ter”, as pessoas são conduzidas à cobiça, à ganância, ao egoísmo, ao individualismo. Nesse modelo, o estar bem, o sentir-se bem é, para muitos, ter o máximo de posses materiais, mesmo que para isso seja preciso corromper a alma, atropelando a moral e a ética e recorrer, por vezes, ao crime.

Com o intuito de aumentar as vendas das empresas, as pessoas são bombardeadas diariamente pelos meios de comunicação, que procuram incutir em suas mentes a necessidade de consumir. A publicidade e o marketing nos fazem crer que para ser feliz é necessário estar na moda, adquirir bens e serviços que tornam a pessoa especial, diferente, melhor do que as outras. A ansiedade provocada pelo consumo não saciado produz um vazio nas pessoas, levando-as a procurar refúgio nas drogas, no álcool e em outros vícios que mazelam a sociedade atual. O que dizer, então, dos jovens de famílias pobres vivendo neste ambiente de apelo constante ao consumo? Será se a incapacidade de conseguir os bens desejáveis por meios lícitos não provoca ansiedade desmedida, levando muitos ao crime?

Outra causa relevante da crescente violência é a impunidade. Os números crescentes de crimes demonstram a impotência do Estado em coibi-los e contê-los. A incapacidade da polícia de esclarecer o grande número de homicídios, assaltos, estupros e atos de corrupção parece estimular a prática do crime. É preciso rever a atual política pública de segurança, no Ceará, pois a impunidade estimula a violência e a prática do crime. A exacerbação de atos criminosos demonstra que a sociedade está enferma. Algumas de suas instituições basilares, como a igreja, a família e a escola, não estão sendo capazes de impedir a destruição da harmonia do tecido social. Observa-se, com tristeza, que não mais existe espaço para a reflexão espiritual. Os pais não são mais ouvidos e respeitados. Na escola, os anteriormente respeitadíssimos professores(as) convivem, hoje, com o medo de cumprir seu importante papel na sociedade. A construção do ser, verdadeiro sentido da vida, que se assenta na dignidade, na ética, na moral e nas virtudes, apresenta sinais visíveis de que está em crise, sendo poucas as vozes na sociedade que enaltecem os seus valores.

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