sexta-feira, 21 de setembro de 2018.
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2018: mais uma copa perdida

JOSÉ MARIA PHILOMENO ECONOMISTA

quarta-feira, 11 de julho 2018

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Assim como milhões de brasileiros, senti o baque da dolorosa derrota por 2 a 1 de nossa seleção para a Bélgica – que nos eliminou da Copa, frustrando o almejado sonho do Hexa.
Desde criança, aprendi a idolatrar a Seleção Brasileira. Como a maioria dos meninos, tinha no futebol o esporte favorito. A brincadeira quase diária, seja no jardim de casa ou nas quadras da escola.
Das partidas do tricampeonato conquistado na copa de 1970 no México, pouco recordo. Ficou em minha longínqua memória espaças cenas dos adultos assistindo às imagens chuviscadas em preto e branco dos jogos.

Mas, por outro lado, o empolgante cântico daquela copa me tocou profundamente. Ouvir repetidamente: “Noventa milhões em ação …… Pra frente Brasil ……… Salve a seleção!”, me brotou definitivamente a paixão, orgulho e idolatria pela camisa verde e amarela. E os craques do escrete: Pelé, Jairzinho, Tostão, Gérson e Rivelino venerei como deuses da bola.
Passei – como muitos de nós-, a cultivar a soberba crença que somos os reis do futebol e infinitamente superior aos demais. Que o Brasil é um celeiro de craques e nossa seleção tem obrigação de sempre vencer.
À cada copa, alimentamos a expectativa de que o desfecho natural é levantarmos o caneco. Assim, as derrotas sempre foram extremamente traumáticas, de caráter quase fúnebre. Nossa (aí me incluo) arrogante presunção de superioridade aos demais nos faz atribuir os revezes não aos adversários mas às nossas próprias torpezas.

Desta forma a cada insucesso ‘vilões’ são crucificados. Sejam treinadores que convocaram e escalaram mal; jogadores que não se empenharam ao máximo e falharam em momentos cruciais; conspirações para favorecer os donos da casa (como nas copas da Argentina, em 78, e França, em 98), e até mesmo o acaso do destino é responsabilizado pela ‘injustiça’ das perdas de 50 e 82.
Agora, as críticas recaem para o técnico Tite. Não obstante o quase hegemônico reconhecimento do excelente trabalho que desempenhou desde que assumiu, no início de 2016 – pegou a seleção em 6º lugar (fora da zona de classificação) e a levou de forma invicta a terminar em 1º nas eliminatórias para a Copa. O mediano (assim entendo) desempenho na Rússia, e, principalmente, as falhas que levaram à derradeira derrota, são logicamente debitadas na conta do treinador.

A chamada insistência em suas ‘convicções’ táticas. Abstendo-se de alterar a escalação e esquema de jogo de acordo com o adversário, ao contrário do que fez o treinador da Bélgica povoando o meio campo para enfrentar o Brasil. E a manutenção no time de jogadores que claramente não estavam rendendo, como os casos de Paulinho e Gabriel Jesus, são fatos que certamente influenciaram no resultado.
Contudo, 2018 já são águas passadas. E apesar de tudo acho que Tite deve continuar. Por ser o melhor do País, por sair do Mundial mais calejado, por já ter demonstrado que é capaz de aprender com as derrotas, ninguém melhor que ele para trazer a taça em 2022.

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