domingo, 20 de janeiro de 2019.
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"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Adísia Sá, um exemplo de coerência de vida

IRAPUAN D. DE AGUIAR ADVOGADO E PRESIDENTE DA ABO/CE

segunda-feira, 07 de janeiro 2019

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Rebuscando, neste início de ano, livros e papéis na minha biblioteca, eis que me deparo com o livro “EU E OS OUTROS” do saudoso Padre Antônio Vieira, constituído de uma coletânea de trabalhos literários escritos sobre personalidades do mundo sócio-político cearense, cujos perfis são por ele descritos. Tive a honra e o privilégio de escrever a “orelha” dessa publicação. Transcrevo, abaixo, o texto em que ele descreve a jornalista Adísia Sá, pelo exemplo que caracteriza sua história de vida.
“Permito-me, hoje, fugir um pouco ao plano habitual das minhas crônicas, para manifestar, aqui, a minha admiração e respeito, por uma jornalista que diariamente nos oferece, com firmeza e coragem, vivacidade e graça, verdadeiras lições de Jornalismo. É a colunista da Gazeta de Notícias – Adísia Sá – que não sei, se pseudômino, se realmente o seu próprio nome. Não a conheço. Tanto melhor para ser espontâneo na minha admiração.

Leio com agrado e prazer o que ela escreve. Sua pena, às vezes, corta como um bisturi, quando disseca o cancro moral da nossa sociedade. Outras muitas, se veste de plumas e sedas, de carinho e ternura, no trato com a dor e o sofrimento. Outras tantas se parecem com a proveta do sábio, na análise fria e realista dos fatos cotidianos. Em tudo, porém, que escreve há um sentido de elevação, de humanismo sadio, em tornar os homens melhores, em apresentar sugestões, em motivar e estimular realizações.

A meu ver, esta a missão mais nobilitante da jornalista, que faz do jornal em que escreve, escola e tribuna, arena e templo. Escrever para jornal pode ser fácil. Mas, não é fácil ser jornalista. Não basta cultura e erudição. Nem mesmo escrever com elegância e aprumo. Além da cota de qualidades intelectuais e do conjunto de dotes morais, é necessário um “IT”, um tempero, um condimento especial, uma dosagem ajustada entre o alimento que a inteligência oferece e os ingredientes que o coração sabe dosar.

Em Adísia Sá, como numa miscelândia, há de tudo isto, e ainda a sobremesa da coragem. Coragem moral de dizer verdades. Nem todo mundo tem esta coragem. Dizer o que sentimos e o que pensamos, num rompante de audácia e atrevimento, não é coragem. Muitos sabem fazer isto. O difícil, não há dúvida, é dizer verdades com autenticidade e sobranceria, com independência e destemor, porque para tanto é necessário ter uma vida que seja um atestado de dignidade e de nobreza, sem comprometimento com grupos ou com ideologias. “É falar rosado”, como diz o matuto, sem culpa no cartório, sem tremer os lábios, nem sentir cócegas na consciência ou arrepios na sensibilidade.

O Jornalismo cearense vem, dia a dia, melhorando, não apenas na apresentação material dos seus periódicos e na distribuição artística das suas páginas, mas na revelação de valores reais que colocam a nossa imprensa em conceito bem elevado, a não desmerecer das suas congêneres do Sul do País. Para aqueles que, como Adísia Sá, que estão criando um crédito de confiança para o jornalismo cearense e dando a todos nós que escrevemos lições de jornalismo, os nossos aplausos e a nossa admiração”.

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