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Águas de março

JORGE HENRIQUE CARTAXO JORNALISTA

quinta-feira, 07 de dezembro 2017

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Enquanto o presidente Temer se movimenta para dar sua última tacada relevante no governo, aprovando a reforma da previdência, as forças políticas organizadas do País aceleram o passo rumo às eleições de 2018. Apreensiva eleição!
No Nordeste, parte importante do PMDB, o mesmo PMDB que tirou Dilma da presidência da República, ensaia apoio ao ex-presidente Lula numa nova aliança com o PT.

Até agora, os sinais mais visíveis são em Alagoas e no Ceará. Os senadores Renan Calheiros e Eunício Oliveira já avançaram bem nessa direção. Renan, para se eleger e tentar reeleger o filho governador, já teve vários encontros com Lula e líderes petistas. No Ceará, Eunício já formalizou sua aliança com governador Camilo Santana que é formalmente do PT, mas que na verdade é do grupo do presidenciável Ciro Gomes. O fato é que, nos dois casos, o presidenciável que deve surgir da esperada aliança nacional PSDBxPMDB será sacrificado. E o nome mais forte desse acordo é o do tucano Geraldo Alkmin.

O caso mais surpreendente está se desenhando em Minas Gerais. O senador Aécio Neves, que está deixando a presidência do PSDB numa situação bem constrangedora, articula uma aliança branca com o governador petista Fernando Pimentel, do PT, com o objetivo de se reelegerem. Nesse caso, a derrota evidente, mais uma vez, é do govenador Geraldo Alkmin que deve ser o candidato tucano à presidência da República.

O provável impedimento da candidatura de Lula pela Justiça, pode alterar substancialmente esse cenário. Mas não necessariamente para o conforto do PSDB, do PMDB e do PT, as maiores legendas do País. O presidenciável Jair Bolsonaro, solenemente desprezado pela grande mídia e demais analistas do cenário político, para o bem ou para o mal, pode crescer mais ainda. Uma vez que não temos líderes acreditáveis e consistentes no País, há um espaço crescente para o surgimento e consolidação de nomes alternativos àqueles oferecidos ao País pelas legendas dominantes desde 1988.

A Justiça, que aprecia um conjunto expressivo de processos envolvendo deputados e senadores das cúpulas dos maiores partidos, terá papel relevante no processo eleitoral. Qualquer decisão nos tribunais nesse sentido, de alguma forma interferirá no processo eleitoral. E mais: o Tribunal Superior Eleitoral que será presidido em 2018 pelo ministro Luiz Fux, poderá se colocar de forma rigorosa nas próximas eleições.

Portanto, tudo é de certa fumaça. Movimentos inconsistentes. Melhor aguardarmos as aguas de março anunciando o fim do verão.

 

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